Mercado interno recua, mas exportações crescem
A maior pressão veio do mercado argentino. As vendas domésticas caíram 10,3% em termos reais, passando de 807,20 bilhões para 724 bilhões de pesos (US$ 479 milhões). As exportações seguiram na direção contrária: cresceram 10,5%, chegando a 172,24 bilhões de pesos (US$ 114 milhões). Com isso, o mercado externo passou de aproximadamente 16% para 19% da receita da companhia em apenas um ano.
O avanço das exportações ajudou a amortecer a retração doméstica, mas não foi suficiente para compensá-la. Além de vender menos, a Mastellone perdeu margem. O lucro bruto caiu 14,1%, enquanto a margem bruta recuou de 25,7% para 23,7% das vendas.
Logística aumenta pressão sobre as margens
Outro ponto de atenção foi a distribuição. Os gastos de comercialização cresceram 2,8%, alcançando 219,57 bilhões de pesos (US$ 145 milhões) — valor que acabou superando o próprio lucro bruto gerado pela companhia no período. Somente os gastos com fretes, considerando as despesas industriais e comerciais, chegaram a 148,05 bilhões de pesos (US$ 98 milhões), ante 137,51 bilhões de pesos (US$ 91 milhões) um ano antes. O peso da logística é particularmente relevante para a indústria láctea devido às características de coleta, processamento e distribuição dos produtos, muitos deles dependentes de cadeia refrigerada.
Consumo de lácteos enfrenta queda na Argentina
Os resultados da La Serenísima acompanham um movimento mais amplo do mercado argentino. Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), as vendas de lácteos nos supermercados recuaram 10% em termos reais no primeiro semestre de 2026. Na última década, o consumo de leite acumula queda de 15%.
Além de consumir menos, o argentino também vem mudando suas escolhas. A recuperação observada em algumas categorias está concentrada principalmente nos produtos básicos, enquanto especialidades e itens de maior valor agregado encontram mais dificuldades. Para empresas líderes como a Mastellone, o desafio não é apenas quanto o consumidor compra, mas quais produtos e marcas escolhe e em quais canais realiza suas compras.
Segundo trimestre trouxe sinais de recuperação
Apesar do forte prejuízo acumulado no semestre, os resultados mais recentes foram melhores. Entre abril e junho, a Mastellone registrou lucro líquido de 7,41 bilhões de pesos (US$ 4,9 milhões), revertendo o prejuízo de 3,07 bilhões de pesos (US$ 2 milhões) observado no segundo trimestre de 2025.
A geração de caixa operacional também mais que dobrou, alcançando 51,02 bilhões de pesos (US$ 33,8 milhões), enquanto a empresa reduziu significativamente seu endividamento financeiro de curto prazo. Os números mostram, portanto, duas tendências: um primeiro semestre marcado pela queda das vendas domésticas e deterioração das margens, mas com sinais de recuperação nos meses mais recentes.
O balanço também encerra um capítulo na história da companhia. Em agosto, Arcor e Danone assumiram o controle da Mastellone. Os resultados até junho ainda refletem a gestão anterior, fazendo dos próximos balanços os primeiros indicadores sobre os rumos da La Serenísima sob o novo controle.
As informações são da Infobae, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
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