Com a leve redução das importações, o déficit da balança comercial de lácteos diminuiu discretamente, totalizando 219 milhões de litros em equivalente-leite.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
As importações registraram recuo de 2,6% em relação ao mês anterior e aumento de 39,6% na comparação com agosto do ano passado. Apesar da queda mensal, os volumes importados seguem em patamares elevados, sustentados pela maior competitividade dos produtos externos frente aos nacionais. A elevada disponibilidade de leite no Mercosul permanece como um fator importante nessa dinâmica, favorecendo a entrada de lácteos no mercado brasileiro.
Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
Os principais movimentos observados nas importações foram:
- Leite em pó integral (LPI): voltou a registrar avanço, com alta de 7,9% no volume importado em relação ao mês anterior;
- Leite em pó desnatado (LPD): reverteu o movimento observado no mês passado, com recuo de 15% no volume importado;
- Queijos: a categoria apresentou queda de 10% no volume importado. Entre os produtos, os queijos tipo muçarela registraram recuo de 8,9%.
Em relação às exportações, agosto apresentou estabilidade, com o volume total somando 5,08 milhões de litros em equivalente-leite, cerca de 1% abaixo de julho e 1,5% inferior ao registrado em agosto de 2025.
Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
Nas exportações de agosto, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos:
- Soro de leite: principal produto da pauta exportadora, apresentou recuo de 29% em relação ao volume exportado no mês anterior. A maior demanda doméstica por proteínas lácteas pode ter contribuído para um maior direcionamento do produto ao mercado nacional;
- Leite condensado: segundo principal produto da pauta exportadora, apresentou recuo de 12% no volume exportado.
As tabelas 1 e 2 apresentam as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de agosto e julho de 2026.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em agosto de 2026
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em julho de 2026
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que podemos esperar para os próximos meses?
Apesar do leve recuo registrado em agosto, o volume importado segue elevado. Esse cenário tem sido favorecido pela alta disponibilidade de leite no Mercosul, impulsionada principalmente pelo crescimento da produção uruguaia, que acumula avanço de aproximadamente 10% neste ano em relação ao mesmo período do ano passado.
Além disso, os preços internacionais, como os observados no GDT, que exercem influência sobre a formação dos preços no Mercosul, também vêm se mantendo abaixo dos patamares registrados no ano passado, contribuindo para a competitividade dos produtos da região.
No mercado brasileiro, por outro lado, temos observado uma demanda consistente, ao mesmo tempo em que o crescimento da produção nacional vem desacelerando em relação ao observado no ano passado. Esse cenário contribui para uma maior sustentação dos preços domésticos, especialmente dos valores pagos ao produtor.
O câmbio também permanece como um fator relevante. Ao longo deste ano, o dólar tem operado em patamares inferiores aos observados em 2025, reduzindo o custo de internalização dos produtos estrangeiros e ampliando sua competitividade no mercado brasileiro.
Dessa forma, a combinação entre maior disponibilidade no Mercosul, preços internacionais mais baixos, câmbio mais favorável às compras externas e preços domésticos sustentados continua criando um ambiente favorável às importações. Assim, mesmo com oscilações mensais, os volumes importados devem permanecer em patamares elevados nos próximos meses.
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