Balança comercial de lácteos apresenta relativa estabilidade em agosto, entenda

As importações somaram 224 milhões de litros em equivalente-leite, com leve recuo de 2,6% em relação ao mês anterior. Entenda.

Publicado por: MilkPoint

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Em agosto, a balança comercial brasileira de lácteos apresentou estabilidade, com importações de 224 milhões de litros, uma queda de 2,6% em relação ao mês anterior, enquanto as exportações totalizaram 5,1 milhões de litros, praticamente inalteradas. O déficit comercial diminuiu para 219 milhões de litros. A competitividade dos produtos do Mercosul e a demanda interna sustentaram volumes elevados de importação, apesar de quedas em alguns produtos, como queijos e soro de leite. Expectativas indicam continuidade de altos volumes importados devido a preços internacionais baixos e câmbio favorável.
O mês de agosto foi marcado por relativa estabilidade na balança comercial brasileira de lácteos. As importações somaram 224 milhões de litros em equivalente-leite, com leve recuo de 2,6% em relação ao mês anterior, enquanto as exportações permaneceram praticamente estáveis, totalizando 5,1 milhões de litros em equivalente-leite.

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Com a leve redução das importações, o déficit da balança comercial de lácteos diminuiu discretamente, totalizando 219 milhões de litros em equivalente-leite.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As importações registraram recuo de 2,6% em relação ao mês anterior e aumento de 39,6% na comparação com agosto do ano passado. Apesar da queda mensal, os volumes importados seguem em patamares elevados, sustentados pela maior competitividade dos produtos externos frente aos nacionais. A elevada disponibilidade de leite no Mercosul permanece como um fator importante nessa dinâmica, favorecendo a entrada de lácteos no mercado brasileiro. 

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT. 

Os principais movimentos observados nas importações foram:

  • Leite em pó integral (LPI): voltou a registrar avanço, com alta de 7,9% no volume importado em relação ao mês anterior;
  • Leite em pó desnatado (LPD): reverteu o movimento observado no mês passado, com recuo de 15% no volume importado;
  • Queijos: a categoria apresentou queda de 10% no volume importado. Entre os produtos, os queijos tipo muçarela registraram recuo de 8,9%.

Em relação às exportações, agosto apresentou estabilidade, com o volume total somando 5,08 milhões de litros em equivalente-leite, cerca de 1% abaixo de julho e 1,5% inferior ao registrado em agosto de 2025

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Nas exportações de agosto, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos:

  • Soro de leite: principal produto da pauta exportadora, apresentou recuo de 29% em relação ao volume exportado no mês anterior. A maior demanda doméstica por proteínas lácteas pode ter contribuído para um maior direcionamento do produto ao mercado nacional;
  • Leite condensado: segundo principal produto da pauta exportadora, apresentou recuo de 12% no volume exportado.

As tabelas 1 e 2 apresentam as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de agosto e julho de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em agosto de 2026

Balança comercial de lácteos apresenta relativa estabilidade em agosto, entenda

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em julho de 2026

Balança comercial de lácteos apresenta relativa estabilidade em agosto, entenda

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

Apesar do leve recuo registrado em agosto, o volume importado segue elevado. Esse cenário tem sido favorecido pela alta disponibilidade de leite no Mercosul, impulsionada principalmente pelo crescimento da produção uruguaia, que acumula avanço de aproximadamente 10% neste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, os preços internacionais, como os observados no GDT, que exercem influência sobre a formação dos preços no Mercosul, também vêm se mantendo abaixo dos patamares registrados no ano passado, contribuindo para a competitividade dos produtos da região.

No mercado brasileiro, por outro lado, temos observado uma demanda consistente, ao mesmo tempo em que o crescimento da produção nacional vem desacelerando em relação ao observado no ano passado. Esse cenário contribui para uma maior sustentação dos preços domésticos, especialmente dos valores pagos ao produtor.

O câmbio também permanece como um fator relevante. Ao longo deste ano, o dólar tem operado em patamares inferiores aos observados em 2025, reduzindo o custo de internalização dos produtos estrangeiros e ampliando sua competitividade no mercado brasileiro.

Dessa forma, a combinação entre maior disponibilidade no Mercosul, preços internacionais mais baixos, câmbio mais favorável às compras externas e preços domésticos sustentados continua criando um ambiente favorável às importações. Assim, mesmo com oscilações mensais, os volumes importados devem permanecer em patamares elevados nos próximos meses.

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