Nesse contexto, as estruturas confinadas e controladas têm ganhado relevância devido aos índices de produtividade por animal, mas demandam cautela extrema sob a ótica do fluxo de caixa e do endividamento. O economista Antônio Carlos Ortiz, sócio-fundador da AgroSchool e especialista em finanças e crédito no agronegócio, pondera de forma direta sobre a atratividade e as contrapartidas desses investimentos de ponta.
De acordo com o especialista, "o sistema de freestall ou de compost barn tem algumas vantagens em termos de retorno em vários casos. A questão é: se investe muito dinheiro". Essa intensidade em capital imobilizado obriga o produtor a questionar sua musculatura financeira, avaliando se há poupança prévia e se o nível de endividamento atual já não compromete a flexibilidade operacional perante os ciclos de baixa do leite.
A governança e o gerenciamento de riscos deixam de ser conceitos abstratos e passam a ser mensurados de maneira matemática e intuitiva, avaliando o faturamento anual em relação ao passivo existente. Ortiz destaca que a viabilidade de alavancagem financeira depende da solidez dos resultados correntes e de reservas estratégicas para cobrir imprevistos que ultrapassem o ciclo anual de produção.
Nas palavras do consultor, "a lógica é: eu preciso estar ganhando mais do que eu gasto e esse resultado precisa cobrir as despesas de juros e prestação que eu já tenho. O nível de dívida que eu já tenho tem que estar muito em linha com o nível do meu faturamento anual. E por fim, eu tenho que ter liquidez. Eu preciso ter uma reserva de poupança que vai além dos compromissos que vencem no ano para tirar de letra qualquer surpresa".
Aprofundando os critérios de viabilidade financeira e capacidade operacional, o debate ganha palco central no Interleite Brasil 2026, principal ponto de encontro da cadeia leiteira nacional. Durante o evento, Antônio Carlos Ortiz apresentará dados inéditos em uma abordagem técnica estruturada. Como antecipa o próprio especialista: "irei apresentar um estudo comparando diversos sistemas de produção desde o leite a pasto menos intensivo e o pasto intensivo, até os sistemas de freestall e compost barn, que são superintensivos em capital. Cada um deles tem suas vantagens e desvantagens em termos de resultado, capital investido e capacidade de enfrentar riscos. Vou mostrar também como medi esses riscos, para que qualquer um possa fazer uma análise parecida e verificar se, independentemente de ter capacidade financeira ou aptidão operacional para investir em um ou outro, possui condições de enfrentar os riscos de cada modelo."
Esses e muitos outros aprendizados estarão em debate no Interleite Brasil 2026, de 18 a 20 de agosto, em Uberlândia (MG). Durante três dias, produtores, técnicos, consultores, pesquisadores e lideranças da cadeia leiteira se reunirão para discutir soluções práticas capazes de aumentar a eficiência, a competitividade e a sustentabilidade da produção de leite no Brasil.
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