“Um bom técnico não vende apenas um serviço. Ele entrega conhecimento, acompanhamento e compromisso com os resultados. Seu sucesso é medido pelo sucesso do produtor”, afirma.
Na prática, isso significa atuar sobre diferentes pontos da propriedade, como reprodução, nutrição, sanidade, qualidade do leite, manejo e bem-estar animal, mas também desenvolver a capacidade do produtor e da equipe de tomar decisões mais seguras. Quando a fazenda melhora sua produtividade e rentabilidade, os efeitos ultrapassam os indicadores zootécnicos.
“Quando o produtor passa a produzir mais com menor custo, melhora sua renda, investe na propriedade, oferece mais qualidade de vida à família e cria perspectivas para as próximas gerações permanecerem no campo”, destaca.
Uma história que marcou 16 anos de profissão
Entre os casos que mais marcaram seus 16 anos como médico-veterinário, Oriali não cita apenas números ou indicadores. Ele se lembra de uma família que precisou encontrar uma maneira de continuar produzindo depois da separação do casal proprietário.
Em 2018, a fazenda tinha cerca de 50 vacas em lactação, em sistema semiconfinado. Com o divórcio, a então proprietária chegou a considerar a possibilidade de se desfazer dos animais. Foi quando o filho do meio, com apenas 12 anos, insistiu para que a mãe mantivesse a atividade.
Mesmo enfrentando as limitações próprias da idade, o menino passou a ajudar diretamente na rotina. Acordava cedo antes de ir à escola e fazia o trato dos animais, chegando a conduzir o trator para deixar a alimentação preparada após a ordenha. O irmão mais velho ajudava a mãe na ordenha, e a família seguiu em frente.
Hoje, a propriedade conta com 70 vacas em lactação, em sistema compost barn, e produção média de 34 litros por vaca/dia. A família continua sendo cliente de Oriali e, segundo ele, a tendência é de que a fazenda siga crescendo. “Essa história de determinação com certeza marcou minha trajetória até aqui como técnico e prova a todos nós que determinação e foco são os ingredientes para alcançarmos o sucesso em qualquer escolha que fizermos.”
Custo de produção e mão de obra no centro dos desafios
Na avaliação de Oriali, o aumento do custo de produção está entre os principais desafios enfrentados pelo leite brasileiro. Ração, fertilizantes, sementes, combustível e manutenção de equipamentos pressionam a rentabilidade das propriedades, enquanto a concorrência com leite importado também afeta o mercado nacional.
A mão de obra é outro ponto crítico. “A produção de leite é uma atividade sem folga, não tem feriado, não tem final de semana e, assim sendo, não temos muitas pessoas, especialmente jovens, querendo ficar na atividade”, observa.
Além dos fatores externos, ele chama atenção para os desafios internos das propriedades, como reprodução, nutrição e qualidade do leite.
Entre as oportunidades para os próximos anos, Oriali destaca os sistemas de produção a pasto. Na sua avaliação, embora a produção individual por animal possa ser menor, a rentabilidade por animal e por hectare pode ser elevada, especialmente pela redução dos custos com alimentação, reposição e estrutura. Ele cita como referência custos operacionais entre R$ 1,90 e R$ 2,10 por litro em propriedades confinadas, contra uma faixa de R$ 1,25 a R$ 1,65 por litro em sistemas de pastejo, dependendo do nível de suplementação com silagem e concentrado.
Para ele, a menor necessidade de investimento estrutural também contribui para a competitividade do sistema.
Foco e gestão para evoluir
Oriali não vê o tamanho da propriedade, o sistema de produção ou o poder de investimento como os principais fatores que determinam a evolução de uma fazenda. Para ele, a diferença está principalmente em foco e gestão.
As propriedades que avançam, segundo o veterinário, trabalham com metas claras, acompanham indicadores, tomam decisões baseadas em dados, investem na capacitação da equipe e mantêm reprodução e nutrição alinhadas.
Nesse processo, o produtor também precisa estar disposto a aprender e a abrir espaço para uma assistência técnica capacitada. “O que considero decisivo é o produtor buscar conhecimento, ter um técnico capacitado e abrir a fazenda para ele fazer a gestão e ter sempre uma coisa em mente: ‘como posso melhorar?’”, afirma.
A busca pela melhoria contínua, portanto, não depende necessariamente de grandes investimentos ou mudanças radicais, mas da disposição para acompanhar os resultados e ajustar a rota.
Conhecimento que precisa virar resultado
Para os profissionais que estão começando na assistência técnica, Oriali resume o caminho em dois pontos: conhecimento e aplicação prática. “Buscar sempre conhecimento constante e implantar estes conhecimentos de forma correta conforme as possibilidades do produtor, gerando rentabilidade para a fazenda.”
A recomendação considera uma questão essencial da assistência técnica: não basta conhecer uma solução. É preciso entender a realidade econômica e operacional da propriedade e saber como aquela solução pode ser aplicada.
Mas, para Oriali, existe ainda um princípio capaz de construir confiança e credibilidade no relacionamento com o produtor: assumir a propriedade como se fosse sua. “Trabalhe na fazenda como se ela fosse sua. Isso vai gerar confiança, vai te trazer credibilidade e agregar valor ao seu serviço.”
É uma postura que resume a visão do veterinário sobre a profissão. O técnico precisa conhecer, acompanhar, questionar e propor caminhos, mas também precisa estar comprometido com aquilo que acontece depois da recomendação.
No fim, o resultado da assistência técnica não está apenas naquilo que o profissional sabe, mas no que consegue construir junto com o produtor: uma fazenda mais eficiente, uma atividade mais rentável e uma perspectiva de continuidade para quem escolheu viver do leite.