Balança comercial: importações de lácteos crescem 7,5% e ampliam déficit em outubro

Leite em pó e queijos lideram as compras externas em outubro; alta do dólar e preços no Mercosul podem encarecer o produto importado.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
Em outubro, as importações brasileiras de lácteos alcançaram 261,3 milhões de litros em equivalente-leite, aumento de 7,5% em relação a setembro. As exportações cresceram 2,9%, totalizando 5,57 milhões de litros, ampliando o déficit da balança comercial para 255,7 milhões de litros. Os leites em pó integral e desnatado impulsionaram as importações, com destaque para a Argentina e o Uruguai. As exportações de soro de leite caíram 58%, enquanto as de manteiga quase dobraram. Expectativas indicam um possível aumento das compras internas devido à alta do dólar e preços internacionais.
As importações brasileiras de lácteos somaram 261,3 milhões de litros em equivalente-leite em outubro, alta de 7,5% frente aos 243,08 milhões de setembro. As exportações também avançaram, com crescimento de 2,9%, e totalizaram 5,57 milhões de litros em equivalente-leite.

O aumento das compras externas ampliou o déficit da balança comercial para 255,7 milhões de litros em equivalente-leite, cerca de 18 milhões a mais que em setembro.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Os leites em pó integral e desnatado puxaram o crescimento das importações. Em peso, cada um acrescentou cerca de 812 toneladas às compras do mês, embora a alta percentual tenha sido maior no desnatado.

Continua depois da publicidade

As compras da Argentina e do Uruguai seguiram elevadas, favorecidas pela grande disponibilidade de leite nos dois países. No caso do leite em pó integral, as importações dessas origens cresceram pelo segundo mês consecutivo. Além da oferta regional, o menor custo de aquisição do produto importado em parte de outubro pode ter favorecido esse avanço.

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.

Entre os principais produtos importados, destacaram-se:

  • Leite em pó integral (LPI): as compras voltaram a crescer após o recuo de setembro, com alta de 5,7%, totalizando 14,94 mil toneladas;
  • Leite em pó desnatado (LPD): as importações avançaram 17%, em ritmo menor que em setembro, e chegaram a 5,51 mil toneladas;
  • Queijos: o volume importado cresceu 2%, somando 7,34 mil toneladas, apesar da queda nas compras de muçarela.

As importações de WPC (concentrado proteico de soro de leite) também ganharam ritmo. O volume cresceu 16,4% em outubro, após alta de 7,2% em setembro.

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.

Nas exportações de outubro, os principais movimentos observados foram:

  • Soro de leite: reverteu a alta de setembro, com recuo de 58% no volume exportado, de 1.282,2 para 540,4 toneladas;
  • Manteiga: as vendas externas quase dobraram, com alta de 99%, passando de 231,1 para 459,8 toneladas.

As tabelas 1 e 2 apresentam as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de outubro e setembro de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em outubro de 2026

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em setembro de 2026

O que podemos esperar para os próximos meses?

A vantagem de custo que favoreceu as compras de leites em pó do Mercosul em parte de outubro se inverteu no fim do mês. A alta das cotações na região, somada à valorização do dólar, que encerrou outubro a R$5,44, fez com que o integral e o desnatado importados passassem a custar mais que os nacionais. Na muçarela, os preços recuaram no Mercosul, mas a queda foi insuficiente para compensar o efeito do câmbio. O custo do produto externo também superou o do nacional em reais.

Continua depois da publicidade

Os preços internacionais dos leites em pó seguiram firmes no início de novembro. No GDT de 3 de novembro, o integral avançou 5,9%, e o desnatado, 3,1%. A demanda por ingredientes proteicos têm dado sustentação a essas cotações, com reflexos nos preços praticados no Mercosul.

Para as próximas negociações, a Argentina e o Uruguai ainda dispõem de uma oferta elevada de leite. O custo de aquisição, porém, passou a favorecer os fornecedores brasileiros. Se o dólar permanecer elevado e as cotações no Mercosul seguirem firmes, parte das novas compras pode migrar para o mercado interno, moderando o ritmo das importações, sobretudo dos leites em pó. Uma valorização do real ou um recuo nos preços na origem pode devolver parte da vantagem aos importados.

Uma concorrência menor dos produtos externos pode aliviar parte da pressão sobre os preços no Brasil. O espaço para uma recuperação das cotações domésticas seguirá condicionado à oferta de leite, ao nível dos estoques e ao ritmo das vendas de derivados.

Vale a pena ler também:

Câmara aprova fiscalização do TCU sobre importações de leite e derivados

Preço do leite spot segue pressionado por alta na oferta e recuo nos derivados

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?