Biosseguridade na prática: Colorado chega a quase 80% das vacas sem antibióticos na secagem

Prevenção, diagnóstico e registros passam a orientar decisões sanitárias, com impactos no uso de medicamentos, no descarte de leite e na eficiência da produção.

Publicado em: - 5 minutos de leitura

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Em 16 de setembro, a Boehringer Ingelheim promoveu um encontro na Fazenda Colorado, em Araras (SP), para discutir biosseguridade, resistência antimicrobiana e uso racional de antibióticos na produção animal. O evento contou com a presença de órgãos governamentais e produtores de leite, abordando a Certificação em Biosseguridade (CBS). A Fazenda Colorado reduziu o uso de antibióticos em 80% e destacou a importância de diagnósticos precisos e práticas sustentáveis. A CBS avalia mais de 140 pontos críticos para garantir a qualidade do leite, refletindo na confiança do consumidor.
No dia 16 de setembro, a farmacêutica Boehringer Ingelheim promoveu um encontro na Fazenda Colorado, referência nacional na pecuária leiteira localizada em Araras (SP), para debater um dos temas mais críticos para a saúde global: biosseguridade, resistência antimicrobiana (AMR) e o uso racional de antibióticos na produção animal.

O evento reuniu executivos da companhia e uma comitiva estratégica composta por órgãos do governo federal, agências reguladoras e instituições de pesquisa, como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Anvisa e a Embrapa Gado de Leite, além de entidades de classe, associações industriais e grandes produtores de leite do país, incluindo representantes do Sindan, da Abraleite e da indústria de laticínios. 

No centro das discussões esteve o conceito de Saúde Única e a implementação da Certificação em Biosseguridade (CBS) — programa desenvolvido pela Boehringer Ingelheim em parceria com a Embrapa para transformar diretrizes científicas em rotinas sanitárias auditáveis dentro das propriedades.

A transformação observada na própria Fazenda Colorado ajuda a ilustrar essa mudança na prática. Em 2016, 100% das vacas da propriedade recebiam antibióticos no momento da secagem. Quase uma década depois, em 2026, cerca de 80% do rebanho que entra no período seco utiliza apenas selante de teto, recebendo antimicrobianos apenas em casos estritamente necessários.

"A prevenção, o monitoramento contínuo e a tomada de decisão fundamentada em diagnósticos representam o futuro da pecuária leiteira sustentável. Produtores que investem nesses pilares elevam a eficiência operacional, protegem o bem-estar animal e contribuem ativamente para mitigar a resistência antimicrobiana global", destacou José Peron, diretor de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim no Brasil.

Fazenda Colorado
José Peron, diretor de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim no Brasil.

Da secagem seletiva à mudança de rotina

A mudança na Fazenda Colorado começou depois que Sérgio Soriano, diretor da propriedade, participou de uma palestra sobre secagem seletiva na Itália, em 2017. A adoção da técnica ocorreu de forma gradual: em 2024, 64% das vacas já eram secas apenas com selante de teto (36% com antibióticos), chegando aos 80% sem o uso de antimicrobianos em 2026.

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A evolução ocorreu simultaneamente ao crescimento do rebanho em lactação, que saltou de 1.700 para 2.400 vacas entre 2016 e 2024, período em que os tratamentos para mastite também apresentaram queda. A meta agora é avançar ainda mais rumo à cobertura total. "A seleção baseada em critérios técnicos substitui o tratamento universal. A execução e a disciplina vêm norteando a nossa rotina, conectando a saúde dos animais, do ambiente e das pessoas para entregar produtos com maior valor agregado ao consumidor", afirmou Soriano.

Mastite concentra grande parte do uso de antimicrobianos

A discussão sobre o uso racional ganha urgência ao olhar para a mastite, principal causa de utilização de medicamentos nos rebanhos. Durante o evento, Eduardo Pires Macedo, gerente técnico de ruminantes da Boehringer Ingelheim, apresentou dados indicando que 52% a 62% do uso total de antimicrobianos em estudos com rebanhos leiteiros esteve associado ao tratamento e prevenção da doença.

Um levantamento realizado pela Boehringer Ingelheim entre 2024 e 2025 em 65 propriedades de três bacias leiteiras (SP e MG) apontou a necessidade de qualificar as decisões sanitárias:

  • 67,7% das propriedades avaliadas utilizavam classes de antimicrobianos criticamente importantes para a medicina humana como primeira escolha para mastite.

  • 43,1% iniciavam tratamento medicamentoso imediato sem diagnóstico prévio em casos leves.

  • Apenas 12,3% realizavam cultura microbiológica antes de decidir o tratamento em casos leves.

  • 53,9% não registravam os casos de mastite e 90,6% não pesavam as vacas para calcular a dose de injetáveis.

"O objetivo não é eliminar tratamentos necessários, mas sim tomar decisões de maneira responsável com embasamento técnico", pontuou Macedo.

Diagnóstico preciso e economia real na Fazenda Santa Luzia

Demonstrando os impactos financeiros do modelo, a Fazenda Santa Luzia (também certificada pelo programa CBS) adotou exames diagnósticos prévios e reduziu em 50% o uso de antibióticos para mastite clínica e em 70% nos casos de Tristeza Parasitária Bovina (TPB).

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De acordo com o produtor Maurício Coelho, dos 3.161 casos avaliados na propriedade, 1.366 (43%) deram resultado negativo e não indicavam necessidade de antibiótico. A precisão evitou o descarte por carência de 244,5 mil litros de leite por ano, gerando um impacto econômico positivo estimado em R$ 660.150,00 anuais. "Até quatro em cada dez tratamentos podem ser evitados no modelo convencional. Elevando o status sanitário da fazenda, reduzimos custos e nos preparamos para o mercado internacional", avaliou Coelho.

Figura 2
Maurício Coelho, da Fazenda Santa Luzia

Biosseguridade auditada e valorização do produto

A Certificação em Biosseguridade (CBS), criada pela Boehringer Ingelheim e Embrapa, avalia mais de 140 pontos críticos nas propriedades. Bruno Carvalho, chefe adjunto da Embrapa Gado de Leite, destacou que o programa abrange animais, pessoas, veículos, instalações e processos: "se não temos um registro sanitário confiável, corre-se o risco de enviar leite com resíduo de antibiótico ao tanque. Cada ponto de contato na fazenda pode representar um risco ou uma barreira de proteção", explicou Carvalho.

No mercado final, a biosseguridade traduz-se em confiança. Alexandre Sardo, gerente de marketing e trade da marca de laticínios Xandô (que adota o selo CBS em suas embalagens), mostrou que 47% dos consumidores elegem a qualidade e a confiança como fator principal de escolha, enquanto 83% declaram disposição para pagar mais por um leite de qualidade superior comprovada.

Encerrando o debate, Geraldo Borges, presidente da Abraleite, reforçou o papel da iniciativa liderada pela Boehringer Ingelheim para o futuro do setor: "O bem-estar animal, o cuidado com as pessoas, com o meio ambiente e com o consumidor formam um elo único. Precisamos caminhar nessa linha para consolidar o Brasil como uma grande cadeia exportadora de leite", concluiu Borges.

Fazenda Colorado
Geraldo, José e Sérgio. 

Para encerrar a programação do encontro, os convidados e autoridades realizaram uma visita guiada pelas instalações da Fazenda Colorado. Reconhecida como a 2ª maior produtora de leite do Brasil pelo ranking Top 100 MilkPoint, a propriedade abriu sua operação para demonstrar, na prática, como a maturidade sanitária, a tecnologia no manejo e o treinamento das equipes geram resultados consistentes e mensuráveis na rotina do campo.

Figura 4
Fazenda Colorado. Fonte: MilkPoint.

Para mais informações sobre a CBS, acesse:  https://certbios.com.br/

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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Sérgio Macedo
SÉRGIO MACEDO

TEÓFILO OTONI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/09/2026

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