A quem pertence o futuro? Já nos fizemos esta pergunta? Ou a fizemos constantemente, todos os dias? Não importa a qual geração pertencemos, se somos produtores de leite, profissionais ligados a atividade leiteira, colaborador nos diferentes seguimentos da cadeia produtiva ou atuamos nas diferentes áreas que se interligam para produção do produto nobre chamado leite, que une as vacas e o ser humano, sempre fica a grande duvida que esta pergunta nos impõe, independente de nossa crença, nível de conhecimento, vivência ou propósito, a quem pertence o futuro?
Os últimos tempos tem sido desafiadores em vários sentidos quando pensamos o que devemos fazer e como devemos nos posicionar para os dias que virão, especialmente quando acompanhamos o que acontece a nossa volta ou participamos de eventos como Interleite Sul em Chapecó, SC em setembro de 2024, mas espera aí... não deveria ter sido em maio? Deveria sim, mas no exato período que o evento teria seu início o Rio Grande do Sul vivia a sua maior catástrofe climática da história. Como se portar frente a isto, e agora, como se planejar para o futuro a partir destes acontecimentos que impactam direta e indiretamente o que fazíamos, o que pretendíamos fazer e o que pensávamos em ser?
A resiliência de promover o Interleite Sul em uma nova data nos deu certeza que, embora os desafios apareçam, sempre há uma nova oportunidade para tudo, e como contornar e ser mais assertivo nestas decisões? Planejamento em tudo o que fazemos tem sido um potente instrumento e aliado nestes momentos de incerteza e certamente tem nos auxiliado a mitigar os desafios que batem a nossa porta todo santo dia.
Mas como prever uma questão climática? Quem sabe lançando mão de ferramentas que nos auxiliam a compreender o que está acontecendo e preveem com assertividade confiável o que estar por vir a exemplo do CIRAM da Epagri, uma plataforma rica em informações climáticas brilhantemente apresentadas pela meteorologista Marilene de Lima, além disso buscar conhecer melhor como as culturas que pautamos a produção de alimentos em nossa propriedade e região em que estamos para fazer a gestão integrada de riscos na produção tão bem abordada pelo Agro meteorologista Gilberto R. Cunha da Embrapa que em suas considerações finais afirmou “Não se pode falar em futuro ou presente da agricultura brasileira e ignorar ou negar a mudança do clima”, sendo assim, a quem pertence o futuro?
Talvez as pessoas que utilizarem esta considerações em relação ao clima e direciona-las para planejar o rumo de sua produção utilizando as informações sobre sistemas de produção mais resilientes buscando utilizar práticas de agricultura regenerativa, conforme a fantástica apresentação do Eng. Agrônomo Diego Alessio da Fazenda Banhado Verde, informações estas que certamente iam contribuir para produção de silagem com bom retorno financeiro, mesmo frente aos desafios climáticos, utilizando novas tecnologias na cultura do milheto, assunto abordado de forma contundente pelo nosso amigo Julio Zannin, quando se pensa em produção de volumoso de qualidade.
A quem diga que não adianta termos outra cultura como base de alimento conservado que não seja o milho para termos sucesso na atividade leiteira, é exatamente ao contrario desta afirmação que o resultado chega a nossas mãos. Se olharmos com muita atenção ao fato, podemos utilizar diferentes alimentos para fechar a dieta de animais em diferentes classes e momentos dentro da propriedade quando falamos em recria, pré-parto e diferentes lotes de vacas em lactação, tema abordado pelo Consultor Renato Palma Nogueira, e ainda assim tomando todos os cuidados necessários para monitorar a jornada de produção de silagem, olhando vários aspectos entre maquinário, pessoas, estrutura, entre outros tal qual explanado pelo Gustavo Salvati, Co-fundador da Tracking Feed.
Ok, enquanto produtores de leite devemos nos cercar destas e das muitas outras informações, ferramentas e alternativas para nos planejar, mas enquanto profissionais da área técnica, a quem pertence o nosso futuro? Alexandre Pedroso abordou este assunto com maestria quando se trata da atuação do técnico em um mundo em transformação, novas tecnologias, necessidade de aprendizado constante, IA a cada dia mais presente tal qual apresentado por João Dorea, Professor Assistente na Universidade de Wisconsin nos EUA, ou as demais tecnologias apresentadas tais como para redução de CCS ao exemplo do que trouxe Ronaldo Carvalho com as inovações da Milksat, monitoramento de bezerras assunto abordado pela Marjana Traesel e também assuntos ligados a manejo de confinamentos de gado leiteiro, aliado a aspectos contrutivos quem tem sido parte do nosso trabalho do dia a dia junto as propriedade que atendemos com consultoria.
Mão de obra também tem sido um desafio junto as propriedades produtoras de leite, e como panejar o futuro sem pensar em quem estará ao nosso lado nesta jornada, ter parceiros e não apenas colaboradores é de suma importância para o sucesso da atividade, assuntos que se complementaram entre as palestras de Christiano Nascif e Roberta Janovsky falando sobre mão de obra e gestão de pessoas visando atrair e manter bons funcionários junto a propriedade.
Estes entre tantos outros temas nos fazem refletir sobre o futuro a exemplo de cases de sucesso como da sucessora da Fazenda Pagnussatt, Glauci Pagnussatt e o que dizer da emblemática historia de Marius Bronkhorst que construiu um negocio de sucesso no leite Carambeí PR onde o futuro dele foi vislumbrado a 40 anos atrás junto da sua “Outra metade o imam” conforme se referiu carinhosamente a sua esposa e companheira de jornada, além disto nos mostrou com clareza e serenidade de que “Sucessão” não necessariamente é “Familiar”, o que importa é ter um negocio que todos queiram ter, não somente até agora, mas também daqui para frente.
Diante do que vivenciamos neste ano, temos a certeza que a base para planejarmos o futuro está mais sólida, sabemos que existem informações, pessoas, ferramentas e técnicas que podemos e devemos nos utilizar para estruturar o que queremos e pensamos em fazer deste exato momento pra frente, e como dizemos nós Gaúchos, depois do Pai Velho lá de cima, aquém pertence o futuro? A quem planeja ou a quem deixa a decisão para o mero acaso e destino? Pense nisso.
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