A quem pertence o futuro do leite?

Quem planeja o futuro no leite? Entre desafios climáticos, inovações e gestão, descubra como produtores e técnicos podem moldar um amanhã mais resiliente. Leia!

Publicado em: - 5 minutos de leitura

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A quem pertence o futuro? Já nos fizemos esta pergunta? Ou a fizemos constantemente, todos os dias? Não importa a qual geração pertencemos, se somos produtores de leite, profissionais ligados a atividade leiteira, colaborador nos diferentes seguimentos da cadeia produtiva ou atuamos nas diferentes áreas que se interligam para produção do produto nobre chamado leite, que une as vacas e o ser humano, sempre fica a grande duvida que esta pergunta nos impõe, independente de nossa crença, nível de conhecimento, vivência ou propósito, a quem pertence o futuro?

Os últimos tempos tem sido desafiadores em vários sentidos quando pensamos o que devemos fazer e como devemos nos posicionar para os dias que virão, especialmente quando acompanhamos o que acontece a nossa volta ou participamos de eventos como Interleite Sul em Chapecó, SC em setembro de 2024, mas espera aí... não deveria ter sido em maio? Deveria sim, mas no exato período que o evento teria seu início o Rio Grande do Sul vivia a sua maior catástrofe climática da história. Como se portar frente a isto, e agora, como se planejar para o futuro a partir destes acontecimentos que impactam direta e indiretamente o que fazíamos, o que pretendíamos fazer e o que pensávamos em ser?

A resiliência de promover o Interleite Sul em uma nova data nos deu certeza que, embora os desafios apareçam, sempre há uma nova oportunidade para tudo, e como contornar e ser mais assertivo nestas decisões? Planejamento em tudo o que fazemos tem sido um potente instrumento e aliado nestes momentos de incerteza e certamente tem nos auxiliado a mitigar os desafios que batem a nossa porta todo santo dia.

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Mas como prever uma questão climática? Quem sabe lançando mão de ferramentas que nos auxiliam a compreender o que está acontecendo e preveem com assertividade confiável o que estar por vir a exemplo do CIRAM da Epagri, uma plataforma rica em informações climáticas brilhantemente apresentadas pela meteorologista Marilene de Lima, além disso buscar conhecer melhor como as culturas que pautamos a produção de alimentos em nossa propriedade e região em que estamos para fazer a gestão integrada de riscos na produção tão bem abordada pelo Agro meteorologista Gilberto R. Cunha da Embrapa que em suas considerações finais afirmou “Não se pode falar em futuro ou presente da agricultura brasileira e ignorar ou negar a mudança do clima”, sendo assim, a quem pertence o futuro?

Talvez as pessoas que utilizarem esta considerações em relação ao clima e direciona-las para planejar o rumo de sua produção utilizando as informações sobre sistemas de produção mais resilientes buscando utilizar práticas de agricultura regenerativa, conforme a fantástica apresentação do Eng. Agrônomo Diego Alessio da Fazenda Banhado Verde, informações estas que certamente iam contribuir para produção de silagem com bom retorno financeiro, mesmo frente aos desafios climáticos, utilizando novas tecnologias na cultura do milheto, assunto abordado de forma contundente pelo nosso amigo Julio Zannin, quando se pensa em produção de volumoso de qualidade.

A quem diga que não adianta termos outra cultura como base de alimento conservado que não seja o milho para termos sucesso na atividade leiteira, é exatamente ao contrario desta afirmação que o resultado chega a nossas mãos. Se olharmos com muita atenção ao fato, podemos utilizar diferentes alimentos para fechar a dieta de animais em diferentes classes e momentos dentro da propriedade quando falamos em recria, pré-parto e diferentes lotes de vacas em lactação, tema abordado pelo Consultor Renato Palma Nogueira, e ainda assim tomando todos os cuidados necessários para monitorar a jornada de produção de silagem, olhando vários aspectos entre maquinário, pessoas, estrutura, entre outros tal qual explanado pelo Gustavo Salvati, Co-fundador da Tracking Feed.

Ok, enquanto produtores de leite devemos nos cercar destas e das muitas outras informações, ferramentas e alternativas para nos planejar, mas enquanto profissionais da área técnica, a quem pertence o nosso futuro? Alexandre Pedroso abordou este assunto com maestria quando se trata da atuação do técnico em um mundo em transformação, novas tecnologias, necessidade de aprendizado constante, IA a cada dia mais presente tal qual apresentado por João Dorea, Professor Assistente na Universidade de Wisconsin nos EUA, ou as demais tecnologias apresentadas tais como para redução de CCS ao exemplo do que trouxe Ronaldo Carvalho com as inovações da Milksat, monitoramento de bezerras assunto abordado pela Marjana Traesel e também assuntos ligados a manejo de confinamentos de gado leiteiro, aliado a aspectos contrutivos quem tem sido parte do nosso trabalho do dia a dia junto as propriedade que atendemos com consultoria.

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Mão de obra também tem sido um desafio junto as propriedades produtoras de leite, e como panejar o futuro sem pensar em quem estará ao nosso lado nesta jornada, ter parceiros e não apenas colaboradores é de suma importância para o sucesso da atividade, assuntos que se complementaram entre as palestras de Christiano Nascif e Roberta Janovsky falando sobre mão de obra e gestão de pessoas visando atrair e manter bons funcionários junto a propriedade.

Estes entre tantos outros temas nos fazem refletir sobre o futuro a exemplo de cases de sucesso como da sucessora da Fazenda Pagnussatt, Glauci Pagnussatt e o que dizer da emblemática historia de Marius Bronkhorst que construiu um negocio de sucesso no leite Carambeí PR onde o futuro dele foi vislumbrado a 40 anos atrás junto da sua “Outra metade o imam” conforme se referiu carinhosamente a sua esposa e companheira de jornada, além disto nos mostrou com clareza e serenidade de que “Sucessão” não necessariamente é “Familiar”, o que importa é ter um negocio que todos queiram ter, não somente até agora, mas também daqui para frente.

Diante do que vivenciamos neste ano, temos a certeza que a base para planejarmos o futuro está mais sólida, sabemos que existem informações, pessoas, ferramentas e técnicas que podemos e devemos nos utilizar para estruturar o que queremos e pensamos em fazer deste exato momento pra frente, e como dizemos nós Gaúchos, depois do Pai Velho lá de cima, aquém pertence o futuro? A quem planeja ou a quem deixa a decisão para o mero acaso e destino? Pense nisso.

 

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Material escrito por:

Fábio Rodrigo Medeiros Guilhermano

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Nilson Ivo Sparremberer4
NILSON IVO SPARREMBERER4

XAXIM - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2024

Melhora muito o rendy
Rui da Silva Verneque
RUI DA SILVA VERNEQUE

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/12/2024

Prezado Sr. Fábio. Sua publicação é muito oportuna e esclarecedora. Parabéns pela forma em que procurou abordar o tema. Planejamento e informação são itens fundamentais para que o produtor possa conduzir suas atividades tendo maior chance de sucesso no futuro. A atividade leiteira sempre foi desafiadora especialmente porque tem demanda todos os dias do ano e o produtor precisa ter organização para lidar com os problemas que aparecem e precisa resolvê-los já sabendo que aparecerão outros e assim segue a vida. O ditado que fazenda deveria se chamar "Fazendo" encaixa muito bem nisto, pois todos os dias tem coisas para fazer. Um grande gargalo da atividade são as flutuações de preços da matéria prima leite e dos insumos, o que, por vezes, desanimam muitos produtores. Ultimamente, com bastante força, o desafio é a questão de mão de obra, pois as novas gerações não querem viver no meio rural e os mais velhos já não são tão produtivos. A migração para as áreas urbanos é realidade em todo Brasil. Isto não é questão econômica, pois hoje em muitas regiões se paga mais a mão de obra rural do que a urbana. Talvez seja mais problema sociológico, ou algo assim parecido, em que o jovem acha que estando na área urbana seu status é superior. O acesso a informação é facilitado, a convivência com mais pessoais é fácil, etc. etc. É sabido que as novas tecnologias (muitas apresentadas) e novas ferramentas que já estão no mercado e as que estão por vir irão impactar muito o setor agropecuário, mas elas precisam melhorar muito e ter utilização viável economicamente, sobretudo para os pequenos e médios produtores. Será que no futuro teremos pequenos e médios produtores de leite diante de tantos desafios ? Será que o leite irá, cada vez mais, se concentrar nos grandes empreendimentos, se tornando uma atividade empresarial? Assim, caro Sr. Fábio, entendo que o futuro do leite no Brasil, à continuar o caminho que tem sido trilhado, sem criação de um verdadeiro ambiente para exportação, continuará sofrendo muitas baixas em número de produtores. Se o desejo é diferente, espero que apareça uma grande inovação, como a criação do leite em caixinha, para que possamos ver alguma guinada nesta tendência de concentração de produção. Abraço.
Fábio Rodrigo Medeiros Guilhermano
FÁBIO RODRIGO MEDEIROS GUILHERMANO

LAJEADO - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 12/12/2024

Caro Sr. Rui, fico muito grato e honrado com seu comentário, abordaste vários aspectos que devem ser levados em conta quando falamos em planejamento e futuro das fazendas e das pessoas ligadas a elas, dentro da nossa amada atividade leiteira, a necessidade de adaptação e conhecimento do mercado com suas flutuações, se faz cada vez mais necessária para que possamos permanecer firmes no nosso propósito de produzir leite com qualidade e rentabilidade viável , conhecer as necessidades das pessoas e gerir as demandas do nosso novo tempo e a união de gerações atuais e vindouras, também deve fazer parte do nosso dia a dia; Mostrar para os envolvidos o algo além da remuneração muito bem observada pelo Sr. que muitas vezes é maior que em áreas urbanas, além das condições de moradia e mobilidade, transporte escolar e por aí vai, ja são uma realidade que talvez como gestores precisamos aprimorar e abrir o olhos para que nem tudo é só o holerite no fim do período.
Concordo que inovações revolucionarias se fazem necessárias para impulsionar a cadeia produtiva do leite, porem, precisamos resgatar o fato de que o básico precisa ser bem feito, compreendido, sem atalhos, só assim teremos base sólida para tomarmos para nós um pouco do pertencimento do nosso futuro.
Muito Grato Sr. Rui!
Qual a sua dúvida hoje?