Os pimentões da Anvisa
Na contramão do que seria de interesse dos consumidores, a ANVISA prefere utilizar os resultados do Pará com o objetivo de fazê-los acreditar que correm riscos iminentes de consumir alimentos produzidos com agrotóxicos.
Na contramão do que seria de interesse dos consumidores, a ANVISA prefere utilizar os resultados do Pará com o objetivo de fazê-los acreditar que correm riscos iminentes de consumir alimentos produzidos com agrotóxicos.
Antevemos que a agenda econômica do Agro em 2012 deverá estar concentrada em temas de grande implicação política e repercussão na mídia, além de questões de mercado associadas às incertezas trazidas pela crise nos países desenvolvidos. Por André Nassar (Diretor-geral do Icone e coordenador da Redeagro)
Os agricultores passaram um bom Natal. E agora se preparam, animados porém receosos, para a passagem do ano. Acontece que, para a turma do campo, 2011 pode ter sido o melhor ano da história agrícola recente do País. Deixará saudades.
O tema do uso de agrotóxicos no Brasil ganhou destaque na imprensa e a impressão que temos é que um contingente cada vez maior de pessoas é contrário ao seu uso nos alimentos. Números e motes de grande fixação na memória das pessoas têm sido usados, mas a verdade é que o debate não tem sido feito com bases técnicas e minimamente científicas.
Quais são as motivações dos líderes da formulação das políticas de segurança alimentar no País para fomentarem o debate que afirma que o modelo agrícola brasileiro é uma ameaça à segurança alimentar e nutricional? Essa decisão de colocar como inimiga a produção agrícola que utiliza tecnologia, está integrada aos mercados (nacionais e internacionais) e busca competitividade via ganhos de escala - agronegócio - procede?
Segundo dados do IDF sobre o histórico da produção de leite mundial nos últimos 10 anos, a taxa de crescimento anual de 2000 a 2010 foi de 2,1%.
Ao invés de obrigar os proprietários rurais a recompor o que falta para completar a sua área de reserva, o governo deveria comprar grandes áreas estrategicamente localizadas em diferentes regiões do país e estabelecer ali as nossas reservas transformando estas áreas em Parques Nacionais, cuidando de sua preservação e explorando o eco turismo.
A rede mundial IFCN (sigla em inglês da Internacional Farm Comparison Network) teve início em 2000 e analisa tendências e driversda produção de leite no mundo. O foco da Rede é o setor produtivo, como elemento-chave na cadeia de lácteos, por suamaior participação nos custos, uso de recursos, emissões e desafios para políticas.
A produção de leite no Brasil cresceu, em média, 4% ao ano entre 1999 e 2009, de acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Algumas bacias leiteiras, entretanto, estão "disparando". Entre as cem maiores mesorregiões produtoras, o centro-sul paranaense obteve o maior crescimento médio, de 18% ao ano, seguido pelo oeste maranhense, com 14% a.a., sertão pernambucano, agreste pernambucano e sudoeste paranaense, os três com 13% a.a.
Nos painéis de custo de produção realizados pelo Cepea em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) em 2010 nos principais estados produtores de leite (GO, MG, PR, RS, SC e SP), contatou-se que: na maioria das regiões, a receita do produtor superou o Custo Operacional Efetivo (COE), que diz respeito ao desembolso correntes do produtor; entretanto, a renda total da atividade foi, em média, 10% menor que o COT, não sendo, portanto, suficiente para cobri-lo.
O maior retorno por real investido na atividade leiteira foi de R$ 0,51, ou 51%, considerando-se apenas o Custo Operacional Efetivo (COE), verificado no Rio Grande do Sul, na região noroeste. Em seguida, ficou o Triângulo Mineiro, com R$ 0,32. Por outro lado, o retorno mais baixo foi verificado no Sul/Sudoeste de Minas Gerais, de R$ 0,12 por real investido.
Para avaliar o custo de oportunidade do produtor de leite, pesquisadores do Cepea compararam a receita que seria obtida caso o produtor optasse por arrendar a área que destina ao leite com a receita que ele tem obtido com a atividade leiteira - outras formas de se analisar o custo de oportunidade também poderiam ser adotadas.
O sistema agroindustrial leiteiro é caracterizado como oligopólio, em que a concorrência é imperfeita, havendo excesso de fornecedores de insumo (leite) em relação às indústrias que compram a matéria-prima (BICALHO et al., 2008). A estrutura de mercado é considerada atomizada devido à pulverização da produção nas diferentes regiões do país com participação de pequenos, médios e grandes produtores (Barros et al., 2010). O presidente de uma associação de produtores de leite da região de Juiz de Fora em Minas Gerais relatou que 90% dos associados eram pequenos pecuaristas com produção de leite diária variando de 50 a 80 litros (BICALHO et al., 2008).
A Ania - Associação Nacional de Importadores de Alimentos e Bebidas - levantou alguns dados mostrando que a polêmica da importação de leite - em pauta no Congresso - tem um outro lado. Segundo a Associação, a importação vinda da Argentina e Uruguai representa um impacto de apenas 1,31%, sem prejudicar os produtores nacional. Segundo Herculano Gonçalves Filho, presidente da Associação, a importação controla o preço do leite e puxa para cima a qualidade da produção brasileira. O leite, por ser um commoditie importante, precisa ter o preço estável porque a sua alta influencia até na alta da inflação.
O sistema agroindustrial leiteiro é caracterizado como oligopólio, em que a concorrência é imperfeita, havendo excesso de fornecedores de insumo (leite) em relação às indústrias que compram a matéria-prima. A estrutura de mercado é considerada atomizada devido à pulverização da produção nas diferentes regiões do país com participação de pequenos, médios e grandes produtores.
O monte de palha que tiramos da cana antes de ser picada para as vacas queima de forma instantânea, mal se encosta nele a chama do fósforo. As labaredas crepitam, a fumaça corre meio deitada no rumo do Sol ainda alto, levada pelo pouco de vento do começo de tarde. Em questão de segundos fica sobre o chão apenas pequeno monte de cinza, fumegando. O ceu, para os lados do oriente, está opaco, tomado por um cinza escurecido com uns toques meio avermelhados, tudo efeito do ar tomado por partículas as mais diversas, sólidas, nem é preciso dizer, que irritam os olhos, a garganta e até a boca.
Nos últimos dois anos, em razão de compromissos profissionais, tenho me dedicado, com especial atenção, à pecuária de leite capixaba. Esta incursão sobre o tema me forçou a buscar uma compreensão mais ampla da cadeia do leite, alcançando realidades setorial e tributária de vários estados, além do Espírito Santo.
Funcionam no Brasil, estranhamente, dois Ministérios da Agricultura. Um se dedica ao agronegócio e o outro, ao produtor familiar. Uma invencionice política difícil de entender. Parece jabuticaba, só existe aqui. Uma safra, dois planos. Em Ribeirão Preto (SP), o governo anunciou as regras do financiamento da safra para a agricultura chamada empresarial. Semanas depois, foi a vez do plano da agricultura dita familiar, lançado em Francisco Beltrão (PR). Uma agricultura, dois discursos. No palanque paulista, as lideranças ruralistas aplaudiam Wagner Rossi, ministro da Agricultura e Abastecimento. No Paraná, os camponeses reverenciavam Afonso Florense, ministro do Desenvolvimento Agrário. Presente em ambos os eventos, a presidente Dilma Rousseff seguiu o roteiro lulista, naquele estilo ambíguo que agrada a gregos e troianos.
Leite praticamente não está representado no movimento Sou Agro. Porque? Veja Espaço Aberto escrito pelo produtor de leite e jornalista Emerson Gonçalves
A falta de uma prévia e profunda avaliação da situação da produção do país para a elaboração da Instrução Normativa 51 (IN 51) é a responsável pela situação de hoje. Seu objetivo de atender novos mercados, através da implantação de um controle da qualidade do leite dando a este um padrão de qualidade internacional e a perspectiva de pagamento por qualidade que beneficiasse o produtor com melhores preços pelo produto, foram os grandes motivos para a proposição desta normativa.
Apesar de ser considerado um país em desenvolvimento, o consumo de proteína animal no Brasil, apresenta distinções quando comparado com outros países. Para a proteína carne, o consumo situa-se nos patamares observados nas nações mais ricas, superando a cifra de 80 quilos por habitante por ano (Carvalho, 2007). Em contrapartida, para o leite, o consumo nacional está muito abaixo se comparado mundialmente, e até mesmo se encontra abaixo do determinado pelo Ministério da Saúde brasileiro.
Nos dias de hoje, é muito fácil produzirmos uma vez que o acesso a tecnologia é mais fácil que antigamente. Lembro-me muito bem, que nossos avôs andavam algumas horas para chegar até a cidade, para trocar muitas vezes alimentos básicos como feijão, arroz e milho por produtos manufaturados dentre eles vestimentas e artefatos metálicos para aplicarem, primeiramente em casa, mais muitas vezes o leite produzido pelas vaquinhas "Mimosas" era essencial, e, desta forma, o que era pra casa "virava" para a vaca.
A essência do sistema cooperativista é a cooperação, isto é, uma união de esforços conjuntos no intuito de atingir objetivos comuns. Valendo-se do capitalismo como base de sustentação e do socialismo como base de equilíbrio harmonioso de distribuição da riqueza, o cooperativismo propugna por uma sociedade mais justa, mais humana e mais comprometida consigo mesma. Seu princípio fundamental é a igualdade de direitos. Ninguém é melhor ou maior que o outro. Na Sociedade Cooperativa todos os seus membros têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações.
Explorar o mercado de lácteos chinês é algo que temos plenas condições de realizar. Desde que consigamos resolver aspectos ligados à logística e ao custo com transporte, além de habilitar laticínios brasileiros para exportar para a China. Pode não ser uma tarefa fácil considerando o nível de exigência da legislação chinesa. No entanto, o Brasil já exporta hoje 11 bilhões de dólares de produtos agrícolas para aquele país - a soja é o nosso principal produto (7 bilhões de dólares). Se outras cadeias produtivas conseguiram conquistar aquele importante mercado, a cadeia do leite também pode. Basta querermos, demonstrando com habilidade o nosso potencial e a qualidade de nossos produtos.