Cepea: a atividade leiteira é sustentável no longo prazo?
Nos painéis de custo de produção realizados pelo Cepea em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) em 2010 nos principais estados produtores de leite (GO, MG, PR, RS, SC e SP), contatou-se que: na maioria das regiões, a receita do produtor superou o Custo Operacional Efetivo (COE), que diz respeito ao desembolso correntes do produtor; entretanto, a renda total da atividade foi, em média, 10% menor que o COT, não sendo, portanto, suficiente para cobri-lo.
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Nos painéis de custo de produção realizados pelo Cepea em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) em 2010 nos principais estados produtores de leite (GO, MG, PR, RS, SC e SP), contatou-se que:
· na maioria das regiões, a receita do produtor superou o Custo Operacional Efetivo (COE), que diz respeito ao desembolso correntes do produtor;
· entretanto, a renda total da atividade foi, em média, 10% menor que o COT, não sendo, portanto, suficiente para cobri-lo.
O resultado dessa situação, destacam pesquisadores do Cepea, é o sucateamento dos bens de produção, ou seja, o produtor não consegue manter a capacidade produtiva da terra, reconstruir benfeitorias, renovar máquinas e equipamentos e manter o rebanho. Dessa forma, apesar de a atividade apresentar resultado econômico positivo no curto prazo, o balanço é negativo no médio e longo prazo.
Apesar disso, a pesquisadora Aline Ferro destaca assistência técnica de qualidade, que consiga aliar o conhecimento técnico-produtivo ao econômico, é possível que o produtor reverta essa situação. "Daí a importância de controlar os custos de produção da propriedade e seus índices zootécnicos", comenta.
De acordo com as informações coletados em campo, a pesquisadora infere que um dos principais problemas é a estruturação do rebanho, o que prejudica principalmente a reprodução. Segundo as pesquisas, o intervalo entre partos (IEP) de 14 meses e a idade ao primeiro parto (IPP) de 33 meses, médias dos indicadores obtidos em campo, estão mais altos que o considerado normal, 12 e 26 meses, respectivamente. Conforme as apurações, a proporção de vacas em lactação frente ao total de vacas está atualmente em 70%, quando deveria ser no mínimo de 83%. Problemas reprodutivos, por sua vez, são ocasionados principalmente pela alimentação deficiente.
Os indicadores de produtividade também são muito importantes, principalmente os que dizem respeito à produtividade por área, comenta Aline Ferro. Das regiões pesquisadas, as que estão nos três estados do Sul foram as que tiveram os melhores resultados quanto à produtividade por área, com média de 9.100 litros/ha/ano. Já Goiás, Minas Gerais e São Paulo ficaram com média de 2.300 litros/ha/ano. "O aumento da produtividade se faz necessário para que sejam diluídos os custos fixos como depreciação de benfeitorias, máquinas, forrageiras perenes, animais de serviço e o custo de oportunidade da terra" explica a pesquisadora.
Com base nos dados dos painéis, a equipe observou que as pastagens estão, em sua grande maioria, em algum nível de degradação. Somente 30% dos produtores fazem algum tipo de manutenção anual (controle de pragas e daninhas, calagem e adubação). Na média, o tempo de vida útil do pasto gira em torno de 13 anos, informa o Cepea. No entanto, como não é feita a manutenção adequada, cada vez mais as reformas estão sendo feitas num período menor, tornando-se inviável para o produtor economicamente. Nesse caso, medidas simples de manejo poderiam otimizar esse recurso e diminuir os custos com alimentação, sugerem os pesquisadores da equipe Leite/Cepea.
Na avaliação dos responsáveis por essa pesquisa, não há complicação para o produtor e/ou seus funcionários manter(em) anotadas as operações realizadas na propriedade e com o rebanho, os insumos e suas quantidades utilizadas bem como os custos dos produtos e das aplicações. Essa providência relativamente simples ajudaria o produtor a ter maior controle das atividades, dos gastos, ajudando-o a avaliar a eficiência das operações realizadas. "Com base nesses dados, seria possível direcionar a tomada de decisões de forma adequada e eficiente", comenta Aline Ferro. Nesse processo, completa, "fica clara a importância de se contar com mão-de-obra treinada, de modo que os funcionários saibam alocar os recursos existentes na propriedade adequadamente. Esse seria o caminho para se obter uma produção leiteira sustentável economicamente no longo prazo."
Observação: Essas análises constam da edição especial do Boletim do Leite nº 200.
Material escrito por:
Aline Barrozo Ferro
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isadora gonzalez gegollotte
Acessar todos os materiaisPaulo Moraes Ozaki
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CRUZEIRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/07/2012
Você naõ é dono do seu leite porque nem preço você poem nele as cooperativa e que manda no seu leite isto é uma vergonha para o produtor.

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 17/10/2011

CORONEL XAVIER CHAVES - MINAS GERAIS
EM 16/10/2011
Infelizmente, a conclusão dos pesquizadores já é conhecida na prática, pela maiorias dos produtores. Até quando suportaremos essa triste realidade que é o ponto.Resta-nos uma decisão pautada exclusivamente pela razão, levando-se em conta que no País do oportunismo barato, não há espaço para um sistema de produção de leite sustentável.

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/10/2011
Enquanto que em vários países, inclusive na América do Sul a realidade seja outra, ou seja, eles conseguem viver muito bem só com a renda do leite.
Incrível não é mesmo.

IPATINGA - MINAS GERAIS
EM 15/10/2011

GUAPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/10/2011
Principalmente a pecuaria de leite que somos na maioria pequenos.

PORTO FRANCO - MARANHÃO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 14/10/2011

LIMA DUARTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/10/2011
Se conseguir ter índices zootécnicos perfeitos, otimizar equipamentos e mão de obra, etc, vai perceber que com esta capacidade administrativa e de trabalho, terá melhor retorno em outras áreas.
Os pesquisadores deveriam se perguntar se o mau resultado é função de maus administradores ou vice e versa. Até onde uma atividade mal remunerada selecionou gente sem outras opções?
Isto não foi construído do dia para a noite, foram anos de cartéis, fraudes, etc. Quem sabe se as cabeças imediatistas se abrirem um pouco. Quem sabe se elas começarem a pensar no longo prazo? O problema é que, no Brasil, ainda de mentalidade e oportunidades coloniais, são os "espertos" de curto prazo que enchem os bolsos!

ITAIPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 14/10/2011
Ainda temos a carga tributária brasileira para ajudar para garantir a falta de renda perene.