Cepea: Onde a atividade está ganhando e onde está perdendo espaço?

A produção de leite no Brasil cresceu, em média, 4% ao ano entre 1999 e 2009, de acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Algumas bacias leiteiras, entretanto, estão "disparando". Entre as cem maiores mesorregiões produtoras, o centro-sul paranaense obteve o maior crescimento médio, de 18% ao ano, seguido pelo oeste maranhense, com 14% a.a., sertão pernambucano, agreste pernambucano e sudoeste paranaense, os três com 13% a.a.

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A produção de leite no Brasil cresceu, em média, 4% ao ano entre 1999 e 2009, de acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Algumas bacias leiteiras, entretanto, estão "disparando". Entre as cem maiores mesorregiões produtoras, o centro-sul paranaense obteve o maior crescimento médio, de 18% ao ano, seguido pelo oeste maranhense, com 14% a.a., sertão pernambucano, agreste pernambucano e sudoeste paranaense, os três com 13% a.a.

Por outro lado, em algumas regiões antes tradicionais, a produção leiteira vem perdendo espaço, como é o caso de Ribeirão Preto (SP), que registra queda de 4% ao ano na produção de leite entre 1999 e 2009, Campinas e Vale do Paraíba Paulista, ambos com recuo de 2% a.a. A principal questão é: o que vem ocorrendo nessas regiões para impulsionar ou retrair a atividade leiteira?

Em alguns casos, o avanço de determinada cultura acaba proporcionando aumento da demanda por terra, insumos e mão-de-obra, tornando os custos mais elevados de uma forma geral. Nesse sentido, o produtor de leite que não for eficiente acaba deixando a atividade. Este cenário vem sendo observado nos últimos anos no estado de São Paulo, especialmente com a expansão da cana-de-açúcar. Entre 1999 e 2009, houve recuo de 17% da produção leiteira paulista.

No Sul do País, a situação é diferente. Enquanto a produção brasileira aumentou 53%, a do Sul avançou expressivos 95% no período em análise. Os ganhos de produtividade têm proporcionado rentabilidade favorável ao pecuarista leiteiro, resultando em avanço da atividade na região. Desde 2007, a principal mesorregião produtora de leite do País é o noroeste rio-grandense, que representou 8% da produção nacional em 2009, segundo o IBGE, e teve crescimento médio de 7% ao ano no período analisado. Outro avanço considerável é visto no oeste catarinense, que passou de 7º maior produtor em 1999 para 3º em 2009, com incremento médio de 12% a.a.

No Norte e no Nordeste do Brasil, o impulso da renda per capita - e com isso da demanda - tem atraído diversas indústrias do setor leiteiro para as regiões. O Nordeste foi a segunda região onde a produção leiteira mais cresceu entre 1999 e 2009 (87%), seguido pelo Norte (75%), ambos acima do aumento nacional. Na região Norte, o destaque é Rondônia. A mesorregião leste rondoniense já é a décima principal bacia leiteira do País.

O mapa abaixo mostra as principais mesorregiões produtoras de leite e algumas onde a produção vem crescendo de forma acelerada, bem acima do ritmo da produção nacional. Nota-se que as mesorregiões com maior crescimento da produção leiteira estão no Sul e em algumas regiões de fronteira, que vêm obtendo cada vez mais expressividade na produção de leite.

Por outro lado, algumas mesorregiões de Minas Gerais e Goiás apresentaram crescimento abaixo ou próximo à média nacional (4% ao ano). Já em São Paulo, as principais bacias leiteiras apresentaram, em média, taxa nula ou negativa na produção de leite. Os quadros abaixo mostram a comparação do ritmo de crescimento da produção leiteira com as principais atividades de cada mesorregião.

Figura 1

Fonte: IBGE (Pesquisa da Pecuária Municipal)/Elaborado pelo Cepea.

Nota:
As 16 mesorregiões apresentadas representaram 50% da produção brasileira de leite em 2009.

Figura 2

Fonte: IBGE / Elaborado pelo Cepea.

* O percentual refere-se à participação do leite de cada mesorregião no total produzido pelo Brasil em 2009.

Notas:

1- O número ao lado de cada região refere-se à sua posição no mapa acima;

2- O ritmo de crescimento da produção de café considera as somas a cada dois anos, devido à bienalidade da cafeicultura.

Observação: Essas análises constam da edição especial do Boletim do Leite nº 200.
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Material escrito por:

Aline Barrozo Ferro

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Americo de Souza
AMERICO DE SOUZA

SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 21/01/2017

Bom dia, tem como ter esse mapa de informações atualizados para 2015?

Att,

Américo
Guilherme Alves de Mello Franco
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/10/2011

Prezada Aline: Apesar de ter cresci mentoapenas próximo à média nacional, entendo como alviçareiro este aumento de demanda produtiva em minha região (Sul-Sudoeste de Minas Gerais, item 9 do Mapa), já que a bacia leiteira, que já foi uma das maiores do Brasil, encontrava-se, praticamente, desativada. Muito deste estado deve-se ao implante de novas tecnologias, aplicação de sistemas mais viáveis economico-financeiramente e volta para a genética de ponta. Creio eu que a semente do desenvolvimento, que irá fazer com que ocorra a ressucitação da antiga Bacia Leiteira, já está em terra fértil e que, daqui a alguns anos, alcançar-se-á, novamente, a posição de destaque merecida.


Parabéns pela análise.


Um abraço,








GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA -OLARIA - MG
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