Cooperativismo e a Produção Agropecuária

A essência do sistema cooperativista é a cooperação, isto é, uma união de esforços conjuntos no intuito de atingir objetivos comuns. Valendo-se do capitalismo como base de sustentação e do socialismo como base de equilíbrio harmonioso de distribuição da riqueza, o cooperativismo propugna por uma sociedade mais justa, mais humana e mais comprometida consigo mesma. Seu princípio fundamental é a igualdade de direitos. Ninguém é melhor ou maior que o outro. Na Sociedade Cooperativa todos os seus membros têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações.

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A essência do sistema cooperativista é a cooperação, isto é, uma união de esforços conjuntos no intuito de atingir objetivos comuns. Valendo-se do capitalismo como base de sustentação e do socialismo como base de equilíbrio harmonioso de distribuição da riqueza, o cooperativismo propugna por uma sociedade mais justa, mais humana e mais comprometida consigo mesma. Seu princípio fundamental é a igualdade de direitos. Ninguém é melhor ou maior que o outro. Na Sociedade Cooperativa todos os seus membros têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações.

O homem vale pelo que é. Vale pelo que produz. O capital é um instrumento-meio e não um instrumento-fim. Ele não dita normas, não determina situações. O equilíbrio se concentra na produção: quem mais produz, mais ganha. O Sistema Cooperativista se vale do Sistema Capitalista como poder monetário, se vale do Sistema Socialista como poder social e igualitário, mas, independentemente de ambos, se alicerça única e exclusivamente no homem. O homem não é remunerado pelo que tem. O homem não é remunerado pelo que representa na sociedade. O homem é entendido e remunerado de acordo com sua energia produtiva. No Sistema Cooperativista, quem mais tem se torna sócio de quem menos tem e ambos passam a ter um convívio de igualdade e de cooperação mútua.

O cooperativismo é uma forma de arquitetura organizacional regida por princípios doutrinários estabelecidos em 1844, quando se estabeleceu a primeira cooperativa na forma atual.

A sociedade cooperativa é regulada pela Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, modificada parcialmente pela Lei nº 6.981, de 30/03/82, que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas.
Vale dizer que a legislação cooperativista tem respaldo em vários dispositivos de nossa Constituição Federal e Estadual. O artigo 3º, da Lei nº 5.764/71, conceitua a cooperativa como sendo o "tipo de sociedade celebrada por pessoas que se obrigam reciprocamente a contribuir com bens e serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum e sem objetivo de lucro. "O cooperado é ao mesmo tempo dono e usuário da cooperativa: enquanto dono ele administra a empresa, e enquanto usuário utilizará os seus serviços".

As cooperativas se distinguem das demais sociedades pelas seguintes características: número ilimitado de associados; variabilidade do capital social, representado por quotas-partes; limitação do número de quotas-partes do capital social para cada associado; impossibilidade de cessão de quotas-partes do capital social a terceiros, estranhos à sociedade; singularidade de voto; quórum para realização da assembleia geral; retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado; existência de fundos de reserva para assistência técnica educacional e social; neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial, social e de gênero; prestação de assistência aos associados e, se previsto no estatuto, extensível aos empregados; área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços.

Os princípios do cooperativismo são linhas orientadoras através das quais as cooperativas põem seus objetivos em prática. De acordo com a Aliança Cooperativa Internacional - ACI são sete os princípios cooperativos: 1º - Adesão voluntária e livre; 2º - Gestão democrática pelos membros; 3º - Participação econômica dos membros; 4º - Autonomia e independência da cooperativa; 5º - Educação, formação e informação; 6º - Intercooperação; 7º - Interesse pela comunidade.

Ainda de acordo com a Aliança Cooperativa Internacional - ACI e da Organização das Cooperativas da América - OCA, são 13 os ramos de cooperativas: Agropecuário, Consumo, Crédito, Educacional, Especial, Habitacional, Infra-Estrutura, Mineral, Produção, Saúde, Trabalho, Transporte, Turismo e Lazer.

Referindo-se especificamente ao ramo Agropecuário, a atividade agropecuária no Brasil, nos últimos anos, passou por uma intensa transformação, o que era uma atividade de subsistência tornou-se uma atividade empresarial e demandante de estruturas eficientes para fornecimentos de insumos e processamento da produção.
A partir da década de 70, com a publicação da lei 5.764/71 e com a criação OCB - Organização das Cooperativas Brasileiras; entidade nacional de representação das cooperativas, houve um grande surto de desenvolvimento desse ramo de cooperativas por todo o território nacional.

As cooperativas de produção formam, hoje, o ramo economicamente mais forte do Cooperativismo Brasileiro. O leque de atividades econômicas abrangidas por esse ramo é enorme e sua participação no PIB em quase todos os países é significativa.
A cooperativa de produtores agropecuários é constituída por produtores ou criadores que atuam na atividade rural de produção vegetal, criação animal ou, ainda, na pesca, sendo os meios de produção propriedade dos cooperados.

É o ramo cooperativo de maior expressão numérica em todo o mundo. Mais de 50% das cooperativas existentes são de produtores agropecuários, abrangendo todas as atividades econômicas do setor primário.

A atuação da cooperativa abrange os três estágios do setor agropecuário: antes, durante e após o processo produtivo. Essa atuação é importante, inicialmente, para o fornecimento de bens de produção: sementes, fertilizantes, mecanização, planejamento e distribuição dos insumos. Assegura-se, durante a fase produtiva, assistência técnica, controle integrado e aplicação de insumos e, na pós-colheita, serviços de recebimento, de limpeza, de classificação, de acondicionamento e de armazenamento bem como a agroindustrialização, a comercialização e a exportação de produtos.

O cooperado é, ao mesmo tempo, dono, fornecedor e cliente da cooperativa. Na condição de dono, é responsável pelo capital social e pela administração da sociedade, que deve ser realizada de forma que ele tenha o máximo de retorno financeiro no momento da distribuição das sobras. Na condição de fornecedor, o cooperado entrega sua produção para ser transformada e comercializada, buscando obter o maior preço possível por seu produto. Finalmente, na condição de cliente, recebe os insumos e meios de produção necessários, pelos quais deseja pagar o menor preço possível pela melhor qualidade disponível. Essa "tríade" de interesses deve ser bem entendida pelo produtor. Caso contrário, a cooperativa terá constantes conflitos internos de difícil solução administrativa.

É importante que a cooperativa consolide sua ação na prestação de serviços, adquira experiência no mercado e, somente então, busque a agregação de valores aos produtos, para possibilitar a melhoria de renda aos cooperados, objetivo principal de sua existência.

A vocação da cooperativa agropecuária é a organização econômica dos cooperados, cujo resultado reverte-se em renda adicional e melhor qualidade de vida e bem-estar social do cooperado e de sua família.

Referências Bibliográficas

BIALOSKORSKI Neto, Sigismundo. Agribussiness cooperativo in: Economia e gestão dos negócios Agroalimentares. São Paulo: Pioneira. 2000

http://www.ocb.org.br
http://www.confebras.com.br
http://www.sebraemg.com.br
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maria de fatima vieira
MARIA DE FATIMA VIEIRA

EM 20/05/2015

Estou satisfeita com a publicação sobre o cooperativismo, sou da Guiné.Bissau, presidente duma cooperativa agropecuaria criada pelas mulheres denominada Mindjer Carrus que significa no crioulo mulheres resistentes e fortes. Estamos a procurar de parcerias e troca de experiências para dar inicio as nossas atividades.

A cooperativa possui grande extensão de terrenos aráveis no setor de Mansaba, região de Oio norte do Pais.

Sabemos que o Brasil em termos de cooperativismo está bem organizado, gostaríamos de aprender convosco. Obrigada  
Itamar Costa Melo
ITAMAR COSTA MELO

CHAPADA DOS GUIMARÃES - MATO GROSSO

EM 31/03/2012

Prezado Joâo Éder.

Extraordinário texto.Visâo clara e sistêmica para uma abordagem tão necessária e interessante como esta sobre o Cooperativismo.Acredito que este texto deve ser levado para leituras e discusões em sala de aula.É o que vou fazer na IES que trabalho aqui em Cuiabá.

Parabens nobre colega.

Professor Itamart Costa Melo

Chapada dos Guimarães -MT
Nei Antonio Kukla
NEI ANTONIO KUKLA

UNIÃO DA VITÓRIA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 07/08/2011

É com grande satisfação que encontro pessoas adeptas ao cooperativismo assim como eu. Neste mês, tive a oportunidade de também escrever sobre o tema no site Farmpoint. Sou cooperativista e vivi desde a infância dentro do sistema, quando minha família trabalhava na atividade leiteira e tinha em uma cooperativa o seu alicerce. Tudo o que conseguimos, foi por meio do sistema cooperativista.


Hoje, exerço minha profissão de Técnico Agrícola dentro de uma cooperativa de serviços, a Unitagri, com sede em Camboriú - SC, onde já fui suplente de Conselho Fiscal, hoje sou diretor secretário e coordenador regional da mesma. Posso dizer, que o sistema é perfeito, às vezes as pessoas não são, mas o sistema é magnífico. Uma só pessoa não decide nada, a participação dos associados é voluntária.


Realmente o cooperativismo é a participação de todos e gera, especialmente na agropecuária, numerários significantes para a economia nacional.
Elisson Araújo
ELISSON ARAÚJO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 29/06/2011

Prezado amigo cooperativista,





os pontos importantes acerca do cooperativismo que Você expõe com sabedoria nos remente a algumas reflexões. Sem dúvidas o cooperativismo é uma alternativa econômica e social para melhorar a qualidade de vida da pessoas e com esse fim foi fomentado a partir de Rochdalle, na Inglaterra.





No Brasil, a partir da Constituição da República de 1988, o cooperativismo tornou-se livre da ingerência o Estado. Uma vitória importante. Mas esse dispositivo deixou a cargo do quadro social das cooperativas a atribuição de fiscalizar seu funcionamento conforme os desejos dos cooperados que, na maior parte das vezes, deve ser de continuidade do negócio. Destarte, isso nem sempre ocorre, empobrecendo a evolução do sistema, que, por vezes, mostra-se "gradativa". A educação cooperativista, creio que ainda incipiente no país, seria uma alternativa interessante, pois, a partir dela, os cooperados tornam-se mais conscientes.





Outro ponto, seria o crescimento do microcrédito proporcionado pelas cooperativas, o que propocia a alavancagem dos negócios dos cooperados. Nos EUA, as cooperativas de crédito são grandes responsáveis pela sua expansão. No Brasil, talvez um pouco tímido.


Há que se destacar a importância do tratamento personalíssimo proporcionado pelas cooperativas aos cooperados, diferente, especial, cativante. É o cooperativismo em essência.





Também, o que muitos cooperados precisam se conscientizar, é que os resultados positivos das cooperativas não são as sobras, mas, principalmente, aquilo que são eficientes em oferecer, que outras organização não o fazem.





Cabe salientar, que em relação à alguns produtos, nos últimos anos, o crescimento da exportação das cooperativas mineiras foi acima dos índices de MG.





Parabéns pela forma lúcida, equilibrada, como Você vê e dissemina o cooperativismo, mostrando-se como um pensador que contribui para a melhoria do sistema.





Att.





Elisson Araújo


Luiz Carlos Fazza
LUIZ CARLOS FAZZA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS

EM 21/06/2011

Prezado João Eder,

O mundo atual tem por característica a globalização e o neoliberalismo. A lógica econômica em vigor estabelece que o valor econômico controle o valor político, resultando no esvaziamento da solidariedade social.

Assim, os perversos efeitos sociais são o desemprego, êxodo rural, exclusão, desigualdade social, fome, pobreza, criminalidade e fragilização da coesão comunitária.

O filosofo e teólogo Leonardo Boff afirma que "atualmente, o grande crime da humanidade é o da exclusão social. Por todas as partes reinam a fome crônica, aumento das doenças antes erradicadas, depredação dos recursos limitados da natureza..."

Ainda nessa linha de raciocínio, Melo Neto e Froes (2004) afirmam sobre o tempo e a sociedade atual: "é a prática do descuido, do abandono e do descaso. A vigência desta ética é geradora de ações que menosprezam e fragilizam valores centrais como solidariedade, sociabilidade, espiritualidade, generosidade e dignidade humana".

Meu caro João Eder, esse é o retrato da sociedade em que vivemos. A competição tornou-se a prática dominante e o individualismo é facilmente observável na obcecada corrida pelo dinheiro.

A saída para uma sociedade melhor, sustentável, mais justa e fraterna é, indubitavelmente, o COOPERATIVISMO, uma vez que as sociedades cooperativas têm a particularidade de apresentar um novo ethos nos negócios e a singularidade da cidadania econômica, que permite aos seus cooperados proverem a si mesmos.

Porém, lamenta-se que boa parte da nossa população ainda ignore o relevante papel das cooperativas como fator de desenvolvimento econômico, político e social. Por desconhecimento ou descaso político, a sociedade brasileira ainda não vivencia, em sua plenitude, os ideais cooperativistas, não usufruindo, pois, dos seus benefícios.

Por fim, caro amigo, foi gratificante ler o seu texto que, com muita propriedade e conhecimento, expôs de forma didática o Movimento Cooperativista. Receba os meus parabéns pela publicação, com os votos de que novas reflexões sobre o tema sejam formuladas.          

Saudações cooperativistas,

Luiz Carlos FAZZA - Delegado da COOPERFORTE(Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Funcionários de Instituições Financeiras Públicas Federais Ltda.)     Seccional Minas Gerais /Interior e Espírito Santo

Referência Bibliográfica:

MELO NETO, Francisco; FROES, César. Gestão da responsabilidade social corporativa: o caso brasileiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004.  


DANIEL OTAVIO ALVES PINTO
DANIEL OTAVIO ALVES PINTO

SANTA HELENA DE GOIÁS - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 21/06/2011

João Éder bom dia,

Lendo seu texto me recordei da frase do maior cooperativista brasileiro, e ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues, que disse "O Cooperativismo é a ponte que une o mercado à felicidade das pessoas."

Muito bom seu texto.

Parabéns!!

Daniel Otávio
Santa Helena-GO.
Sidney dos Santos
SIDNEY DOS SANTOS

RIO VERDE - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 20/06/2011

Bela abordagem João Eder, o cooperativismo é uma saída estratégica para muitos segmentos em meio a tanta turbulência capitalista. Só não deixemos esquecer de fato, dessa essência cooperativista retratada por você,  pois, algumas cooperativas perderam-se, passando a privilegiar o capitalismo com um grande foco na geração de lucros.

Abraço,

Sidney dos Santos
Rio Verde - GO
GENESIO DO ESP OLIVEIRA
GENESIO DO ESP OLIVEIRA

ARAPUTANGA - MATO GROSSO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 20/06/2011

Muito bom João Eder,

O impacto das cooperativas de produção no PIB é enorme mesmo, hein!

Grato,

Genesio do Esp Oliveira
Araputanga-MT
Qual a sua dúvida hoje?