Lácteos registram queda nas importações e nas exportações em abril

O mês de abril foi marcado por retração no volume total das importações e das exportações, que somaram 212,9 milhões de litros em equivalente-leite e 3,9 milhões de litros em equivalente-leite, respectivamente.

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O mês de abril foi marcado por retração no volume total das importações e das exportações, que somaram 212,9 milhões de litros em equivalente-leite e 3,9 milhões de litros em equivalente-leite, respectivamente. 

Apesar do recuo frente a março, os volumes importados permanecem em patamares relevantes, refletindo a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais. A recente queda do dólar também contribui para favorecer a entrada de lácteos no país, ao tornar os preços dos produtos externos mais atrativos.

Em relação ao saldo total, o mês registrou déficit de 209 milhões de litros em equivalente-leite na balança comercial de lácteos. Embora o saldo seja negativo, o resultado foi menos deficitário do que o observado em março, acompanhando a redução no volume total importado no período.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As importações registraram queda de 10% em relação ao mês anterior, porém na comparação anual, houve aumento de 34,3%. Ou seja, as importações seguem em linha crescente quando observado num longo período. 

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Os principais movimentos observados nas importações foram:

  • Queijos: apresentaram avanço expressivo, com alta de 49% no volume importado frente a março;

    • Entre os queijos, a muçarela se destacou como o principal produto negociado. O mês de abril registrou um aumento de 98% da importação total de muçarela em relação ao mês de março.

  • Leite em pó integral (LPI): produto de maior relevância na cesta de importação, apresentou queda de 16% no volume frente ao mês anterior;

  • Leite em pó desnatado (LPD): registrou retração de 38% em relação a março.

Já em relação às exportações, houve queda tanto na comparação mensal quanto anual, abril registrou queda de 19% em relação a março, e -13,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. O movimento reforça a baixa competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Nas exportações de março, foram observados movimentos distintos entre os principais produtos:

  • Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou queda de 7% no volume embarcado frente a março, representando 35% da cesta de exportações;

  • Cremes de leite: registraram avanço de 36% no período;

  • Manteiga: apresentou forte retração, com queda de 51% nos embarques em relação ao mês anterior;

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de março de 2026 e abril de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em abril de 2026

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em março de 2026

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

Em abril, tanto as importações quanto as exportações apresentaram queda em relação ao mês anterior. No caso das importações, apesar da retração mensal, os volumes ainda permanecem em níveis elevados, sustentados pela competitividade dos produtos externos frente às observadas vistas no mercado nacional causada pela sazonalidade e pelo câmbio mais favorável, com a recente queda do dólar contribuindo para tornar os lácteos importados mais atrativos no mercado brasileiro.

No curto prazo, caso o câmbio permaneça em níveis mais baixos e os preços internacionais sigam competitivos frente aos produtos nacionais, as importações tendem a se manter em patamares relevantes. Esse cenário pode favorecer a entrada de derivados no país.

Diante desse contexto, os próximos meses exigem atenção à evolução dos preços internacionais, ao comportamento do câmbio e à resposta da produção doméstica. Há também necessidade de atenção às políticas internas, com as ações antidumping para o leite em pó vindo do Mercosul no foco das negociações. A combinação desses fatores será decisiva para definir o ritmo das importações, o espaço dos produtos brasileiros no mercado externo e os possíveis efeitos sobre a formação de preços no mercado interno.

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Material escrito por:

Lucas Eduardo de Paula Rodrigues

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