Desde aí então, buscavam-se melhorias em tecnologia. A mais básica era comprar uma vaca melhor não se preocupando com comida para esta vaca. Assim sendo, quanto maior o número de vacas, maior e mais importante era o produtor, caracterizando desta forma um "status". Criava-se então a nomenclatura de grandes fazendeiros e não, produtores de leite.
É um excelente momento para citarmos o fator eficiência. É um ponto interessante pois nos perguntamos por exemplo, que automóvel seria mais eficiente, uma carreta que transporta 25 mil quilos, consumindo por volta de um litro de diesel para cada dois km rodado, ou um carro popular, de 1000 cilindradas consumindo, 1 litro de gasolina para cada 18 km rodados? Diga-se de passagem, uma interessante pergunta. Com certeza - a carreta - pois ela carrega 25000 kg de carga. Deve-se pensar muito nisso.
No entanto, produzir leite nos dias de hoje é uma tarefa muito difícil, pois ao longo dos anos, segundo os sites de pesquisa especializados no assunto, os preços do leite vem caindo, e os custos subindo. Ainda, dentro da produção leiteira, temos a estacionalidade de produção de forragem, que mexe com os preços do leite ao longo do ano, em função principalmente da escassez de forragem, influenciando diretamente a produção leiteira.
Segundo o IBGE, das propriedades rurais que produzem leite, incrivelmente 80% apresentam média diária por animal menor que 6,0 kg; ainda, 15% com médias entre 6,1 e 8 kg e apenas 5% acima de 8 kg. Para tanto, imagina-se que existam propriedades muito grandes e desenvolvidas com média por animal de 40 kg/dia e ainda, propriedades que não produzem leite e sim tiram leite das vacas quase que de forma "extrativista" com produção por animal/dia de 2 a 3 litros. Mas por ventura, participam e exercem sistemas diferentes, com mão de obras diferentes (em termos de qualificação e número) e tecnologias diferentes.
Para tanto, é preciso caracterizar estes sistemas que são basicamente três: intensivo confinado, intensivo em pasto e extensivo ou os famosos tiradores de leite. Os primeiros, extremamentes produtivos com vacas com média diária de 40 litros de leite, com mão de obra muitas vezes atualizada por meio de cursos e técnicos diariamente orientando sobre os possíveis problemas da propriedade. O segundo tipo, o intensivo em pasto, este utilizando como volumoso, o pasto, com vacas com produção até 25 a 30 kg de leite diários e que utiliza o ambiente como "estadia" das vacas, com sombra natural e artificial por meio de sombrites se necessário e suplementação com concentrado em função da produção diária da vaca. O terceiro, vacas sem levantamento zootécnico, ou seja, sem a preocupação com números, ou ainda, produção por vaca, sendo a mão de obra, em muitos casos, não especializada.
A partir deste ponto, o efeito "recursos humanos" é sentido diretamente na produção. Mas por quê? Porque o homem é quem tira o leite da vaca - sabe-se que se utiliza da ordenhadeira - mas é ele quem a coloca, é ele que tem que estar bem para olhar para o animal, e é ele quem decide na maioria dos casos.
Outro fator interessante para ser citado é que nos diversos países no mundo, tratam seus ordenhadores de forma diferente, não somente na relação proprietário e funcionário mas pelo afrouxamento da relação por um fator muito simples - o subsídio. Este, nada mais é que um incentivo que muitos países fazem para manter o homem no campo e premiar aquele que produz, ou seja, paga-se para produzir leite e ainda os produtores podem vender este produto. Sendo assim, o custo por litro de leite cai, ou ainda necessita-se de menos leite produzido para se pagar este funcionário (Tabela 1), não só pelo subsídio mas ainda por outro fator que se difere a cada país e a cada sistema sendo o custo desta mão de obra.
Nos diversos sistemas produtivos, a produção de leite é aquela que demanda maior empenho e consequentemente caracteriza-se por possuir maiores entraves. Por se tratar de um sistema de dedicação intensiva (365 dias por ano), sem feriados e dias santos, a produção de leite infere grande apego e também jogo de cintura para driblar os fatores novos a cada momento que aparecem constantemente. Assim, se considerarmos que os todos os sistemas são maleáveis, a produção de leite caracteriza-se por ser extremamente flexível.
Na hora da ordenha, diga-se de passagem, uma ou duas por dia ou até mesmo três em alguns sistemas, depende inteiramente do ordenhador e de sua paciência, respeito e com certeza dedicação exclusiva. O número de ordenhas é bastante influenciado pelas condições da propriedade ou pelo grau de desempenho produtivo do rebanho. Dados na literatura comprovam que se aumentarmos de uma ordenha para duas haverá um aumento de 30 % na produção, e de duas para três há um ganho de 15 % no total, porém cabe ressaltar que normalmente são duas vezes o padrão de números de ordenha no mundo. Portanto, para alcançar estes objetivos, o ordenhador é peça fundamental.
Tabela 1. Produtividade (L/Homem/dia) e custo da mão de obra (MO) em fazendas de leite dos principais países produtores

Assim, todo e qualquer fator antes desta ordenha, implica diretamente na produção de leite por interferir na vaca a qual é extremamente sensível a mudanças. Hoje, no entanto, temos em média funcionários mais adaptados e por conseguinte mas atualizados. Antigamente, o produtor rural se locomovia de carroça movida muitas vezes "a boi" . Hoje, as caminhonetes dominam e as distâncias são agilizadas até por meio de caminhões com ar condicionados e bancos com mínimo impactos.
Ainda, nas propriedades leiteiras, a preocupação pelo conforto do funcionário e seu bem estar é fator fundamental. No entanto, é complicado e de difícil acordo, pois às vezes o patrão proporciona de tudo e mais um pouco para ele e quando parece estar tudo resolvido, ele sai da propriedade por alguns reais a mais na folha de pagamento, levando consigo uma imensa bagagem de atualizações e conselhos. Com certeza, a preocupação em arrumar novas pessoas e ainda mais, preocupar-se em adaptar as vacas a este novo manejo, interfere diretamente no humor do patrão que interfere na compra de insumos, que gera menos produção e ainda desinteresse na atividade, um dos fatores responsáveis pela desestruturação do sistema leiteiro no Brasil. Cabe ressaltar, que a outra parte do recurso humano (patrão) também tem culpa e responsabilidade pelo mau humor do funcionário ou até mesmo incompetência deste. É preciso observar os dois lados da moeda.
Em resumo, a unidade produtora de leite (VACA) merece dedicação exclusiva e por conseguinte, merece um respeito grande em função de proporcionar a ela, boas condições para produzir. No entanto, o recurso humano que a conduz tem que estar adaptado ao sistema e também com intuito inovador. Entrar em uma sala de ordenha simplesmente por entrar não acrescenta a ninguém. Todo aquele ser humano que desenvolve benfeitorias seja ela qual for, acrescenta no sistema, o enriquece e o coloca em destaque.