Na produção de leite - bem como nas demais atividades econômicas -, os retornos aos investimentos devem ser atrativos o suficiente para compensar esse custo de oportunidade.
O Gráfico 1 mostra a diferença entre a margem bruta (renda obtida com leite e com a venda de animais no ano menos os Custos Operacionais Efetivos - COE) por hectare agricultável entre janeiro e julho de 2011 e o valor do arrendamento para a principal atividade alternativa (custo de oportunidade) nas regiões onde o Cepea, com o apoio da CNA, fez painéis de custo de produção leiteira.
As pesquisas mostram que, no Sul do País, a margem bruta da pecuária leiteira supera, pelo menos, em quase três vezes o valor do arrendamento da terra para outra atividade. "Evidencia-se nessa região o potencial de crescimento da produção leiteira, tendo em vista sua rentabilidade frente à das principais opções", interpreta a pesquisadora Aline Barrozo Ferro, do Cepea.
Em Goiás, duas das três regiões pesquisadas apontaram vantagem para a pecuária leiteira em relação ao arrendamento. Apenas em Piranhas, no noroeste goiano, a margem bruta com leite ficou 45% abaixo do valor médio de arrendamento da região.
Em Minas Gerais, duas das cinco regiões analisadas apresentaram desvantagem na produção leiteira frente ao arrendamento da terra para a principal atividade alternativa.
Por outro lado, em todas as regiões de São Paulo (Fernandópolis, Guaratinguetá e Mococa), a margem bruta com a pecuária leiteira ficou abaixo do valor do arrendamento para a principal atividade alternativa; na média, a desvantagem foi de 64%, informa a equipe Cepea.
Gráfico 1 - Diferença entre renda bruta obtida pelo produtor de leite entre janeiro e julho/11 e o custo de oportunidade em cada região (valor do arrendamento da terra para a principal atividade alternativa), em percentual.
Fonte: Cepea/CNA. Elaborado pelo Cepea.
Conforme as pesquisas, o maior valor do arrendamento para a principal atividade alternativa - considerado-se, nesta análise, o maior custo de oportunidade - é observado no estado de São Paulo, justamente onde a produção de leite vem caindo nos últimos anos. Na principal bacia leiteira do estado (mesorregião de São José do Rio Preto), a produção de leite caiu 5% entre 1999 e 2009, segundo dados do IBGE. No Vale do Paraíba Paulista, a queda chegou a 17% no período. Entre os motivos para o maior valor do arrendamento, conforme pesquisadores do Cepea, está o elevado grau de infraestrutura, que valoriza a terra nesse estado, além do avanço dos canaviais e da instalações de usinas sucroalcooleiras, que acabam competindo por mão-de-obra e por terra.
No estado paulista, o valor do arrendamento da terra para cana-de-açúcar, segundo dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola), aumentou, em média, 3% ao ano entre 2000 e 2010, enquanto o preço do leite cresceu 2% ao ano, conforme dados do Cepea. Essas taxas são reais, ou seja, representam aumentos acima da inflação do período. De 2008 a 2010, entretanto, enquanto o valor do arrendamento para cana aumentou 12% em termos reais, o preço médio do leite caiu 7%.
Conforme os pesquisadores do Cepea, em regiões mais desenvolvidas em termos de infraestrutura, com maior número de agroindústrias e mais próximas de grandes centros consumidores (especialmente no Sudeste e Sul do País), tende a haver maior demanda por terras e, consequentemente, valorização deste ativo. Diante disso, destacam os pesquisadores, é preciso que haja um maior grau de eficiência produtiva para que a atividade leiteira seja sustentável e competitiva nessas regiões, já que o custo de oportunidade é elevado.
Observação: Essas análises constam da edição especial do Boletim do Leite nº 200.