De acordo com o relatório mensal de comércio exterior do Uruguay XXI, os lácteos representaram 6% das exportações do país no mês e ocuparam a quarta posição entre os principais produtos vendidos ao exterior, atrás da carne bovina, da celulose e da soja. O principal fator por trás da queda foi a Argélia, cujas compras despencaram 88% na comparação anual, passando de US$ 41 milhões em agosto de 2025 para apenas US$ 5 milhões no mesmo mês deste ano.
A diferença representa uma perda de US$ 36 milhões em apenas um ano e foi muito superior aos aumentos registrados conjuntamente em outros mercados que apresentaram maior dinamismo, como Brasil, México, Venezuela e Arábia Saudita.
Queda da Argélia reorganizou os principais destinos
As vendas de produtos lácteos para a África recuaram 64% em agosto na comparação anual, principalmente devido ao desempenho da Argélia e à interrupção das compras da Costa do Marfim, que havia importado US$ 2,2 milhões em produtos no mesmo mês do ano passado. Nesse contexto, o Brasil se consolidou como o principal comprador de lácteos uruguaios, com participação de 30%. As vendas alcançaram US$ 20 milhões, crescimento de 13% em relação a agosto de 2025.
O maior avanço ocorreu no México, que subiu para a segunda posição, com participação de 9%, após suas compras aumentarem 238% na comparação anual, chegando a US$ 6 milhões. A forte retração fez com que a Argélia caísse para a terceira posição, respondendo por apenas 8% das vendas, apesar da importância que historicamente mantém nas exportações do setor.
A Venezuela, por sua vez, ficou na quarta posição, com participação de 7%, após aumentar suas compras em 243%, para US$ 5 milhões. O crescimento volta a colocar o mercado venezuelano entre os destinos de maior dinamismo, depois de ter sido, anos atrás, o principal comprador de leite em pó uruguaio.
A Arábia Saudita completou a lista dos cinco principais destinos, também com participação de 7%, após ampliar suas compras em 57%, para US$ 4 milhões.
Em relação ao leite em pó integral, durante agosto foram exportadas quase 11 mil toneladas, a um valor médio de US$ 3.720 por tonelada, praticamente sem alterações em relação ao preço médio registrado em julho, quando os embarques haviam alcançado quase 18 mil toneladas.
Crescimento acumulado recua para 1%
O desempenho negativo de agosto também começou a se refletir no resultado anual. Entre janeiro e agosto, as exportações de produtos lácteos totalizaram US$ 575 milhões, apenas 1% acima do registrado no mesmo período de 2025. Apesar da forte queda em agosto, a Argélia se manteve como o segundo principal destino dos produtos lácteos uruguaios no acumulado do ano, com participação de 26%. O Brasil continuou liderando o ranking, concentrando 30% das vendas e acumulando exportações de US$ 173 milhões, valor 12% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Entre os mercados que apresentaram maior crescimento também aparecem México, Venezuela e Arábia Saudita, embora ainda com valores significativamente inferiores aos dos dois principais compradores. No acumulado do ano, esses países somaram US$ 30 milhões, US$ 22 milhões e US$ 21 milhões em compras, respectivamente.
As informações são do Ámbito, adaptadas pela equipe MilkPoint.
Vale a pena ler também:
Produtores de leite da Argentina e Uruguai relatam pressão nos preços pagos
La Serenísima reporta prejuízo em meio à queda do consumo de lácteos na Argentina