É essa trajetória que o Doce de Leite Senador, marca do Laticínios Sérvulo, vem construindo há mais de 50 anos. Com origem na cidade de Senador Firmino e forte atuação em Minas Gerais, o produto conquistou consumidores ao longo das gerações e, mais recentemente, ganhou um reconhecimento de alcance internacional: foi eleito o melhor doce de leite do mundo em 2025 e repetiu o feito em 2026, tornando-se bicampeão em um concurso mundial de lácteos.
Para Maria Eduarda Alves, Gerente de Produção do Laticínios Sérvulo, o resultado é consequência de uma construção que começou muito antes das premiações. “A longevidade do Doce de Leite Senador está relacionada principalmente à combinação entre tradição, qualidade e proximidade com o consumidor”, explica.
Segundo ela, ao longo de mais de cinco décadas, o produto construiu uma identidade própria e passou a ser reconhecido por consumidores que encontram no Senador características de um doce de leite tradicional, com sabor e atributos preservados ao longo do tempo. Mas há um ponto importante nessa história: tradição, sozinha, não garante a permanência de uma marca.
O resultado também reforça uma ambição que vai além das fronteiras mineiras: mostrar que uma marca construída a partir de uma tradição regional pode alcançar reconhecimento em mercados e avaliações de alcance internacional. E, justamente por isso, a premiação chega em um momento estratégico para o Senador.
Mais de 50 anos sem ficar parado no tempo
O desafio do Laticínios Sérvulo foi justamente preservar aquilo que tornou o Senador reconhecido sem deixar que a tradição se transformasse em imobilismo. “É preciso acompanhar as transformações do mercado e as novas necessidades dos consumidores”, afirma Maria Eduarda.
Foi nesse equilíbrio que a marca encontrou espaço para ampliar seu portfólio. O doce de leite tradicional continua sendo o centro da categoria, mas passou a dividir espaço com versões como café, coco, raspas de limão e cacau com avelã, além da linha duplo zero.
A lógica, segundo a gerente de produção, não é simplesmente lançar novos produtos para aumentar o número de itens disponíveis. É criar novas possibilidades de consumo e alcançar públicos diferentes. “O objetivo não é simplesmente aumentar o número de produtos, mas ampliar as ocasiões de consumo e aproximar a marca de diferentes perfis de consumidores”, destaca. Essa estratégia ajuda a explicar como uma marca com mais de cinco décadas consegue conversar, ao mesmo tempo, com quem procura o sabor tradicional e com consumidores interessados em novas experiências.
O doce de leite começa antes da indústria
Por trás de um produto que chega pronto à mesa existe uma cadeia de cuidados que começa ainda na propriedade rural.
Atualmente, o Laticínios Sérvulo trabalha com cerca de 4 mil litros de leite destinados à fabricação do doce de leite. Para Maria Eduarda, porém, a qualidade do produto não começa dentro da fábrica — e sim muito antes de o leite chegar ao laticínio.
O controle tem início na própria fazenda, desde a ordenha. A empresa conta com o acompanhamento de uma médica veterinária que realiza visitas aos fornecedores para verificar as condições de produção e avaliar se os procedimentos estão de acordo com os padrões estabelecidos.
Depois, quando a matéria-prima chega à indústria, passa por diferentes análises realizadas no laboratório do próprio laticínio. O objetivo é assegurar que o leite esteja dentro dos parâmetros necessários para a fabricação. O controle ainda é complementado por análises realizadas em laboratório externo.
Esse acompanhamento em diferentes etapas é, para a empresa, uma das bases para garantir a padronização do produto final. A lógica é simples, mas exige consistência: se a qualidade começa no leite, o controle precisa começar antes mesmo de ele chegar à indústria.
Do varejo ao food service: ampliar as ocasiões de consumo
A expansão do Senador também passa pela diversificação dos canais de venda. O Laticínios Sérvulo atua tanto no varejo quanto em canais profissionais, incluindo o food service. Isso significa que os produtos não chegam apenas às gôndolas para o consumidor final, mas também podem fazer parte da rotina de estabelecimentos ligados à alimentação, confeitaria, panificação e outras aplicações profissionais.
Minas Gerais continua sendo a origem e uma das principais forças da empresa, mas os planos vão além do mercado regional. Ampliar a distribuição e levar o Senador a novos mercados está entre os caminhos considerados pela empresa para aumentar o alcance da marca — especialmente depois dos recentes reconhecimentos internacionais. E existe uma característica do próprio produto que favorece esse movimento: a versatilidade.
“O mercado de doce de leite ainda possui muito espaço para crescer, principalmente porque é um produto muito versátil”, avalia Maria Eduarda. Ele pode ser consumido diretamente, mas também pode entrar em receitas, sobremesas, preparações de confeitaria e panificação. Essa multiplicidade abre espaço para diferentes momentos e formatos de consumo.
Crescer sem perder a essência
O Laticínios Sérvulo possui atualmente um portfólio com mais de 70 produtos. Administrar essa diversidade é, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um desafio. Cada produto tem características próprias e exige controle em diferentes etapas, desde a matéria-prima até o produto final. Por isso, crescer não significa apenas produzir ou distribuir mais. Significa construir estrutura para sustentar esse crescimento.
Processos, controle de qualidade, desenvolvimento de produtos, estrutura produtiva e capacidade de atender novos mercados estão entre os pontos que demandam investimentos contínuos. A inovação também aparece como peça central dessa equação.
O consumidor muda, novas necessidades surgem e novas experiências passam a disputar espaço no mercado. Para uma empresa com décadas de história, o desafio está em acompanhar esse movimento sem descaracterizar aquilo que construiu sua reputação. “Um dos nossos principais desafios é crescer sem perder o padrão de qualidade que sempre foi uma característica do Laticínios Sérvulo”, resume Maria Eduarda. É uma equação que parece simples, mas que se torna cada vez mais complexa à medida que o portfólio cresce e novos mercados entram no radar.
O futuro começa com aquilo que já deu certo
A história do Senador mostra que tradição e inovação não precisam ocupar lados opostos. De um lado, existe um produto com mais de 50 anos de história, construído a partir de uma identidade reconhecida pelos consumidores. Do outro, uma marca que aposta em novos sabores, versões para diferentes necessidades, food service, expansão geográfica e desenvolvimento contínuo.
O desafio daqui para frente será transformar o reconhecimento conquistado em crescimento sustentável. Para isso, o Laticínios Sérvulo pretende fortalecer a presença do Senador em novos mercados e, ao mesmo tempo, preservar as características que fizeram a marca chegar até aqui. “As premiações recentes, especialmente o bicampeonato mundial, também nos dão ainda mais confiança para levar o produto para novos consumidores e mercados”, afirma Maria Eduarda.
No fim, talvez seja justamente essa capacidade de olhar para frente sem abandonar as próprias raízes que explique a trajetória do Senador.
Mais de cinco décadas depois de sua criação, o doce de leite continua sendo tradicional — mas a marca já não pensa apenas em preservar o passado. Pensa em como transformar esse passado em ponto de partida para o próximo capítulo.
E, depois de conquistar duas vezes o título de melhor doce de leite do mundo, o Senador parece ter encontrado uma maneira particularmente doce de fazer isso.