Esse cenário não é ficção científica. Para Elifas de Vargas, representante da ABRASORVETE (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis) na NRF 2026, maior evento mundial de varejo em Nova York, a revolução no setor alimentício já começou, e o diferencial está em como pequenas sorveterias brasileiras podem aproveitar isso para crescer e encantar seus clientes.
A nova era da IA (inteligência artificial) no varejo, acessível para pequenos negócios
Segundo Elifas, após anos de uso exploratório, em 2026 a inteligência artificial deixou de ser apenas sugestiva e passou a ser executiva, habilitando jornadas completas de compra e operação que geram valor real para o varejo. A adoção de IA no varejo brasileiro já é significativa: 59% das varejistas utilizam a tecnologia em suas operações e 90% planejam ampliar esse uso em curto prazo, com foco em personalização, atendimento ao cliente e eficiência operacional segundo pesquisa da Central do Varejo em parceria com a Zucchetti Brasil.
“Não se trata mais de conversar com a IA, mas de deixá-la agir nos bastidores para favorecer o atendimento e a experiência do cliente”, explica Elifas. Ele destaca que a tecnologia já é acessível até para pequenos negócios, que podem implantar soluções inteligentes sem grandes orçamentos e usá-las para treinar equipes, organizar dados e automatizar processos internos.
Logística do frio e digital twins: o fim do sorvete cristalizado
Um dos maiores desafios do setor de sorvetes é a logística do frio, manter produtos congelados com qualidade custa caro e é operacionalmente complexo. Dados de tendências apresentadas na NRF mostram que o uso de digital twins (gêmeos digitais) pode aumentar a eficiência operacional em até 40%, otimizar rotas e prever demanda em microrregiões, reduzindo perdas por cristais de gelo e garantindo melhores experiências ao consumidor.
O retorno às comunidades: foco nas lojas menores e storytelling
Elifas observou no evento que uma das grandes tendências globais é o crescimento de lojas menores inseridas nas comunidades locais, um conceito que aproxima marcas de seus clientes e cria experiência única. Para o mercado de sorvetes, isso significa transformar a visita à loja em um momento especial, incorporando storytelling e humanização ao ambiente físico.
“O varejo físico está se tornando um hub de experiência e narrativa”, afirma Elifas, lembrando que o ato de ir à sorveteria virou um ‘luxo humano’, onde o cliente busca mais do que compras: quer conexão, história e memórias.
Dicas estratégicas para o empreendedor brasileiro
Com base nos insights trazidos da NRF 2026, Elifas de Vargas aponta três caminhos essenciais para que sorveterias se destaquem no novo varejo:
- Conteúdos reais vs. perfeição: o consumidor não quer filtros impecáveis: ele quer autenticidade. “Assuma sua verdade para criar conexões e construir comunidade”, recomenda Elifas.
- Confiança é o novo funil: o foco não está mais apenas em propaganda, mas em gerar confiança por meio de transparência sobre ingredientes, processos e valores da marca.
- A IA é aliada, não substituta: use tecnologia para liberar sua equipe para o atendimento humano. Deixe que algoritmos cuidem de dados, estoque e previsões, enquanto as pessoas cuidam das conexões reais com os clientes.
O varejo brasileiro em transformação
O panorama do varejo no Brasil reforça esse movimento de transformação tecnológica: um estudo recente mostrou que a maioria das varejistas já utiliza IA e planeja ampliar seu uso em áreas como marketing, atendimento e personalização, regiões nas quais o varejo de sorvetes pode competir de forma criativa e humana.
Seja através de análises de dados que prevêem o consumo local, recomendações personalizadas ou experiências híbridas entre o digital e o físico, o recado da NRF 2026 é claro: o futuro do varejo gelado combina alta tecnologia nos bastidores com experiências humanas genuínas no balcão.
As informações são da Revista Kdea 360, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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