A operação faz parte do ecossistema da marca Kureiji, que hoje reúne quatro unidades na região da Liberdade, sendo três docerias e uma sorveteria. O negócio emprega cerca de 23 pessoas e aposta em sobremesas temáticas inspiradas na cultura pop japonesa. O caso mostra como produtos simples e visualmente chamativos conseguem ganhar força nas redes sociais e gerar impacto direto nas vendas.
Viralização como chave para o sucesso
A mudança no desempenho da loja aconteceu depois que um vídeo nas redes sociais mostrou o preparo do sorvete servido dentro de frutas como melão e maracujá. O conteúdo rapidamente ganhou visibilidade e atraiu curiosidade de consumidores que visitam a Liberdade. Em poucos dias, um dos vídeos publicados ultrapassou 260 mil visualizações, aumentando o movimento na loja.
O formato visual da sobremesa, que mistura cores fortes das frutas com o creme do sorvete servido diretamente na casca, favorece conteúdos curtos e compartilháveis em plataformas como Instagram e TikTok.
Segundo o empreendedor, o crescimento nas vendas aconteceu logo depois da repercussão nas redes.
“Acabou sendo uma consequência. A gente não tem parceria paga. É muito raro a gente fazer isso. A maioria são pessoas que são influenciadoras, veem uma oportunidade e acabam criando um formato de vídeo”, afirmou Danilo Miki em entrevista ao portal Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
A repercussão digital se reflete no movimento da loja, já que muitos clientes afirmam ter conhecido o produto justamente por meio de vídeos que circularam nas redes. Esse tipo de exposição espontânea tem sido cada vez mais relevante para pequenos negócios do setor de alimentação, especialmente em bairros turísticos de grandes cidades.
De acordo com o empresário, o faturamento da unidade cresceu cerca de 700% em aproximadamente dois meses. O tíquete médio é de cerca de R$ 20, com o sorvete na fruta sendo vendido por R$ 19,99.
A inovação surgiu da observação do movimento local
A proposta nasceu da observação do fluxo intenso de pessoas na região da Liberdade, um dos principais polos gastronômicos e turísticos da capital paulista. O bairro reúne restaurantes, lojas e docerias que recebem visitantes durante todo o ano, especialmente nos fins de semana. Dentro desse cenário, Miki buscava um produto refrescante, rápido de preparar e que chamasse atenção de quem passa pela rua.
“Como na Liberdade, naquele miolo, aquele calor, aquele monte de gente… eu conseguiria trazer um produto que agrade o público?”, contou o empreendedor em entrevista ao portal Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
A inspiração veio de experiências observadas em viagens internacionais, incluindo sobremesas servidas dentro de frutas em destinos turísticos europeus. A ideia foi adaptada para ingredientes comuns no mercado brasileiro.
“Eu tentei criar algo que fosse mais sustentável e gostoso. Pensei em usar a própria polpa da fruta sem industrialização e usar a fruta como se fosse a casquinha”, explicou Miki na mesma entrevista.
A operação da sorveteria combina fornecimento de base pronta com finalização no ponto de venda. A base cremosa utilizada no sorvete é produzida por uma gelateria parceira e enviada para a loja. No momento do preparo, a mistura é combinada com a polpa da fruta e é servida diretamente na casca.
Esse modelo permite manter padronização do produto e simplificar o processo dentro da loja, o que ajuda no atendimento de um fluxo grande de clientes.
Além do sorvete servido na fruta, a marca também vende sobremesas moldadas em formatos de animais, como ursinhos e capivaras. Os produtos reforçam o posicionamento visual da marca e costumam chamar atenção de quem passa pela região.
Um público alvo mais amplo do que o esperado
Embora a proposta inicial tivesse foco em crianças, o perfil do público acabou sendo mais amplo do que o esperado. Famílias e grupos de turistas aparecem com frequência entre os clientes, mas a loja também recebe adultos e pessoas mais velhas.
“A gente fez algo com acessibilidade pensando em cadeirante, em mãe com carrinho de bebê. Vemos muita família vindo, mas também um público mais velho, com mais de 60 anos”, relatou Miki ao portal Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
Próximos passos
Para os próximos meses, o empreendedor pretende ampliar o portfólio da marca com novos sabores inspirados na culinária japonesa. A empresa também trabalha no desenvolvimento de uma loja maior na região da Liberdade, com cerca de mil metros quadrados, pensada para testar novos produtos e experiências.
“A ideia é estabilizar todas as unidades da Liberdade e entender cada vez melhor o público antes de expandir”, disse Miki em entrevista ao portal Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
O crescimento da Kureiji Ice mostra como experiências gastronômicas criativas continuam ganhando espaço no varejo de sobremesas, especialmente em regiões com grande circulação de turistas e forte presença nas redes sociais. Produtos com apelo visual seguem desempenhando um papel importante na atração de consumidores e na divulgação espontânea das marcas.
As informações são do Pequenas Empresas & Grandes Negócios, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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