Rebanho leiteiro no Uruguai cresce, mas queda de novilhas ameaça 2027

O rebanho leiteiro do Uruguai apresentou aumento no número de vacas em lactação em 2026, mas a redução na quantidade de novilhas levanta dúvidas sobre a capacidade de expansão da produção de leite no próximo ano.

Publicado por: MilkPoint

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O rebanho leiteiro do Uruguai teve um aumento de 2,6% nas vacas em lactação em 2026, totalizando 307.449, mas houve uma queda de 15,6% nas novilhas com mais de dois anos. Apesar disso, a produtividade por vaca cresceu quase 10%, com um nível de cerca de 6 mil litros por animal. Especialistas apontam que a reposição do rebanho deve ser estável em 2027, mas há pouco espaço para expansão da produção devido à necessidade de substituir vacas em produção.
O rebanho leiteiro do Uruguai apresentou aumento no número de vacas em lactação em 2026, mas a redução na quantidade de novilhas levanta dúvidas sobre a capacidade de expansão da produção de leite no próximo ano.

Segundo dados preliminares das declarações oficiais de rebanho (Dicose), referentes a 30 de junho de 2026, o país contabilizou 307.449 vacas em lactação, crescimento de 2,6% em relação às 299.616 registradas em 2025. Já o número de vacas secas caiu 3,5%, passando de 90.482 para 87.336 animais.

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As mudanças mais expressivas, entretanto, ocorreram entre as novilhas. O número de fêmeas com mais de dois anos que ainda não haviam sido cobertas caiu 15,6%, de 24.718 para 20.867 cabeças. Entre as novilhas de um a dois anos, a redução foi de 2%, totalizando 87.503 animais, contra 89.284 no ano anterior. Por outro lado, o número de bezerras com menos de um ano cresceu 2%, passando de 118.287 para 120.823 cabeças.

Por que o número de novilhas está diminuindo?

Apesar da redução, a queda no número de novilhas mais velhas não significa necessariamente uma piora na reposição do rebanho. Segundo Ana Pedemonte, analista do Instituto Nacional do Leite do Uruguai (INALE), parte dessa diminuição está relacionada aos avanços no manejo das fêmeas jovens, que permitem que as novilhas se tornem vacas em idades menores. “A queda das novilhas com mais de dois anos sem cobertura responde, em grande parte, a melhorias na criação e recria, que fazem com que elas se tornem vacas mais jovens. Por outro lado, há também uma parcela de novilhas exportadas que influencia essa redução”, explicou a especialista ao programa Conexión Agropecuaria.

Pedemonte destacou ainda que os ganhos de produtividade por vaca têm permitido aumentar a produção total de leite mesmo com um crescimento muito pequeno no número de animais. Para ela, os dados indicam que o rebanho de vacas deverá permanecer relativamente estável em 2027.

Produtividade cresceu, mas avanço pode perder força em 2027

Justino Zavala, dirigente da Associação de Produtores de Leite de Canelones e integrante do conselho diretivo do INALE, também vê poucas possibilidades de expansão do rebanho leiteiro no próximo ano. Segundo ele, uma parcela significativa das novilhas disponíveis será necessária apenas para substituir as vacas que deixam o sistema produtivo. “É necessária uma porcentagem muito importante das novilhas para conseguir cobrir as necessidades de reposição. Ou seja, a perspectiva de aumento do rebanho em produção é praticamente nula”, afirmou.

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Zavala destacou que a produtividade por vaca registrou um crescimento expressivo, próximo de 10%, mas considera pouco provável que esse ritmo seja mantido em 2027. O dirigente também citou um nível de produtividade de aproximadamente 6 mil litros por vaca, considerado elevado para as condições da produção uruguaia. “A tendência seria que no próximo ano não houvesse um grande crescimento na produção de leite, na medida em que temos as mesmas vacas e já estamos em um nível de produtividade da ordem de 6 mil litros por vaca, o que, para o Uruguai, é bastante”, avaliou.

As informações são do Blasina y Asociados.

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