Queijos artesanais ajudam pequenos produtores de leite do RS a permanecer na atividade

Com agregação de valor e resgate de receitas tradicionais, queijarias ganham espaço em um estado que perdeu mais de 55 mil produtores de leite entre 2015 e 2025.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 2

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
A produção de queijos artesanais no Rio Grande do Sul tem se consolidado como alternativa para pequenos produtores de leite, diante da perda de mais de 55 mil produtores entre 2015 e 2025. Iniciativas como as de Igor Valsoler e Eloiza Debona mostram como o processamento do leite agrega valor e garante a continuidade da produção. O mercado de queijarias artesanais cresceu, impulsionado pelo interesse do consumidor. A valorização regional e a atualização de normas são essenciais para o desenvolvimento do setor.
A produção de queijos artesanais tem se consolidado como uma alternativa para pequenos produtores de leite do Rio Grande do Sul enfrentarem as oscilações de mercado, os custos elevados e as margens apertadas da atividade. Entre 2015 e 2025, o estado perdeu mais de 55 mil produtores de leite, uma redução de 65%, segundo dados da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Continua depois da publicidade

O cenário tem estimulado famílias a investir no processamento do próprio leite, agregando valor à produção sem depender exclusivamente da venda de matéria-prima para laticínios. É o caso de Igor Valsoler, produtor de Jóia, no Noroeste gaúcho, vencedor do 4º Mundial do Queijo do Brasil. Desde que começou a produzir leite, em 2007, ele e a família optaram por investir na fabricação de queijos como estratégia para permanecer na atividade. “Se não fosse essa decisão, acho que estaríamos vivendo a mesma dificuldade que a maioria dos produtores de leite, enfrentando instabilidade de preço”, avalia.

produção de queijo artesanal no Rio Grande do Sul

Em Soledade, no norte do estado, Eloiza Debona também encontrou no queijo uma forma de dar continuidade à produção. Em 2016, após uma greve de caminhoneiros, ela começou a fabricar queijos para aproveitar cerca de 500 litros de leite que ficaram represados na propriedade. A iniciativa, baseada em uma receita de família, ganhou espaço no mercado. Atualmente, a produtora industrializa 95% do leite produzido na fazenda e já conquistou medalha de ouro no Mundial do Queijo do Brasil.

produção de queijo artesanal no Rio Grande do Sul

Segundo Aline Balbinoto, especialista em leite e derivados do Sebrae-RS, o mercado de queijarias artesanais cresceu no estado nos últimos cinco anos, impulsionado também pelo interesse dos consumidores em produtos diferenciados e de origem conhecida. O Sebrae atende cerca de 45 pequenas agroindústrias queijeiras gaúchas e apoia iniciativas de divulgação dos produtos em concursos e feiras pelo país.

A valorização da identidade regional também está entre as estratégias do setor. A Associação das Queijarias do Queijo Colonial da Serra Gaúcha, fundada neste ano, busca obter a Indicação Geográfica (IG) para o produto. O movimento segue o exemplo do queijo serrano, que recebeu o reconhecimento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2020, tornando-se o primeiro queijo artesanal brasileiro a conquistar uma IG.

Continua depois da publicidade

Para Allan Tormen, coordenador da Comissão do Leite e Derivados da Farsul, a produção artesanal representa uma oportunidade de manter pequenos pecuaristas no campo por meio da agregação de valor, sem exigir necessariamente o aumento da escala produtiva. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de leite do Brasil, responsável por 12,8% da captação nacional.

O avanço, porém, depende de condições que permitam aos pequenos negócios se desenvolver. Tormen defende a atualização das normas estaduais para a produção artesanal, considerando as diferenças de estrutura e capacidade de investimento entre pequenas queijarias e grandes indústrias. De acordo com Balbinoto, a implantação de uma agroindústria queijeira custa a partir de R$ 35 mil, podendo chegar a milhões de reais conforme o porte da estrutura.

A recomendação é começar com instalações compatíveis com a demanda atual e ampliar o negócio gradualmente. Assim, além de preservar receitas e tradições gaúchas, os queijos artesanais podem abrir novas oportunidades de renda e contribuir para a permanência de pequenos produtores na atividade leiteira.

As informações são do Globo Rural, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Vale a pena ler também: 

ES: Como a queijaria Hollunder expandiu a produção e conquistou premiações nacionais

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 2

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?