O contexto sinaliza possibilidade de avanço produtivo mesmo entre as propriedades gaúchas que se mantiveram na atividade depois de uma década marcada pelo abandono de 55,2 mil produtores da atividade, segundo a Emater. “Hoje, temos menos produtores, mas mais volume. É um cenário que mudou e ainda deve resultar em um futuro de grandes e mega produtores. Precisamos entender o que significa essa mudança”, frisou.
Na nova realidade da produção gaúcha, indica ele, a atividade deve se manter com viabilidade apenas em propriedades com produção acima de 500 litros/dia, volume que facilita a captação logística pelos laticínios. “As mudanças estão ocorrendo de forma mais rápida”, alerta. Wagner recomendou aos produtores que operem com propriedade com estruturas simples e enxutas em que as decisões sejam tomadas pensando no todo e em conjunto. “Os animais e as rotinas das pessoas têm que fluir naturalmente”.
Essa posição também foi compartilhada pelo assistente técnico estadual da Emater/RS, Jaime Ries. Segundo ele, a permanência na atividade leiteira depende de fatores que vão além da produtividade e da estrutura das propriedades. Um levantamento da Emater identificou que 66,4% das famílias citaram a penosidade da atividade, 61,3% a falta de mão de obra familiar e 37,8% o desinteresse dos filhos como fatores relacionados.
“Os resultados indicam que a saída da produção comercial de leite deve ser compreendida como um processo multifatorial de transformação das estratégias familiares, no qual se combinam condições econômicas da cadeia, organização do trabalho, disponibilidade de mão de obra familiar, dinâmica geracional, características produtivas e possibilidades alternativas de geração de renda”, assinala.
Mas a competitividade do leite brasileiro não depende apenas do volume produzido, mas principalmente da capacidade de controlar custos, melhorar a gestão e aproveitar o potencial produtivo das propriedades. Um desafio é elevar qualidade e rentabilidade por meio do valor de sólidos totais, característica que resulta em bonificações ao produtor. Enquanto o Rio Grande do Sul registra teor de gordura mais proteínas entre 6% e 7,5%, a média da Nova Zelândia chega a 9,17%.
Isso se reflete no custo de produção por quilo, estimado em US$ 5,82 no estado, ante US$ 3,33 a Nova Zelândia. Wagner Beskow entende que o Rio Grande do Sul tem potencial para avançar, com aproveitamento de vantagens como melhor eficiência por hectare nas forragens frente a outros players mundiais.
Frente à concorrência com Argentina e Uruguai, o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Glauco Carvalho, vê a disponibilidade de forragens e o forte envolvimento das famílias na atividade como diferenciais do leite gaúcho, características que ajudam a enfrentar um dos principais gargalos do setor: a escassez e o encarecimento da mão de obra. “Temos observado um movimento de consolidação e crescimento das propriedades, inclusive para melhorar a logística e a qualidade do leite evitando paradas em várias pequenas propriedades”. Por outro lado, a estrutura fundiária, predominante média e pequena, pode limitar a expansão prevista.
As informações são do Sindilat, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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