[Vídeo], halloween do leite: burocracia e acesso ao mercado assombram pequenos produtores de leite

Em participação no especial do MilkPoint, Mariana Poletto, do Sítio Paraíso, destaca os desafios da inspeção sanitária, da concorrência por preço e da conquista de espaço para produtos lácteos artesanais.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Neste Halloween, a série especial do MilkPoint aborda os desafios enfrentados por produtores de leite. Mariana Poletto, do Sítio Paraíso, destaca a dificuldade na regularização sanitária e na concorrência de preços, que afeta pequenos e médios produtores. Ela enfatiza a importância de atender às exigências de qualidade sem inviabilizar os negócios. Mariana propõe a eliminação das barreiras à inspeção e ao mercado para facilitar a comercialização. A estratégia do Sítio Paraíso inclui diversificação e valorização da experiência do consumidor.
O que mais assombra quem vive a produção de leite? Neste Halloween, o MilkPoint segue ouvindo produtores e profissionais do setor para descobrir quais são os desafios que mais preocupam quem está no campo e na transformação do leite em produtos de valor agregado.

Ao longo de outubro, a série especial Halloween do Leite reúne diferentes perspectivas sobre os obstáculos da atividade, dando voz a quem enfrenta essas dificuldades no dia a dia e compartilha estratégias para superá-las.

Nesta edição, Mariana Poletto, do Sítio Paraíso, chama a atenção para um desafio que vai além da produção: as barreiras para a regularização sanitária e a comercialização de produtos lácteos. Para ela, a burocracia e os custos envolvidos na inspeção, somados à dificuldade de competir por preço e conquistar espaço nas prateleiras, podem desestimular pequenos e médios produtores que buscam atuar na formalidade.

Mariana Poletto, do Sítio Paraíso

O fantasma da inspeção sanitária

Para Mariana, um dos principais desafios de quem beneficia o leite é a inspeção sanitária, seja pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), pelo Serviço de Inspeção Estadual (SISP) ou pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). Na avaliação da entrevistada, os custos e a burocracia envolvidos no processo podem tornar a regularização um caminho difícil para quem deseja trabalhar formalmente. O desafio é atender às exigências de qualidade e segurança dos alimentos sem que os obstáculos para a adequação inviabilizem o negócio.

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A questão ganha importância especialmente para os pequenos produtores, que precisam estruturar suas operações e cumprir os requisitos sanitários para comercializar seus produtos legalmente.

queijo artesanal Sítio Paraíso

O desafio de competir sem abrir mão da qualidade

Além da regularização, a concorrência por preço está entre as questões que mais preocupam Mariana. Investir em estrutura, inspeção sanitária, qualidade e segurança dos alimentos tem um custo que precisa ser considerado na formação do preço final. O problema, segundo ela, é fazer com que esses investimentos sejam reconhecidos pelo consumidor em um mercado no qual o preço muitas vezes pesa mais na decisão de compra.

Nesse cenário, produzir com qualidade é apenas parte do desafio. Também é preciso comunicar os diferenciais do produto e mostrar por que o trabalho envolvido em sua fabricação agrega valor.

Um bom produto nem sempre encontra espaço no mercado

Para quem está fora da atividade, a dificuldade de transformar um produto de qualidade em um negócio viável pode passar despercebida. Mariana destaca que os pequenos produtores precisam superar etapas que vão além da fabricação: regularizar a produção, conquistar pontos de venda e disputar a atenção dos consumidores com marcas já consolidadas.

“Não basta produzir um queijo de qualidade”, resume a realidade apresentada pela entrevistada. É necessário encontrar canais de comercialização capazes de dar visibilidade ao produto e aproximá-lo de novos compradores.

Muitas vezes, mesmo com um bom produto em mãos, o produtor não consegue acessar os estabelecimentos em que teria maior exposição e potencial para ampliar as vendas. A conquista de mercado, portanto, é tão importante quanto a qualidade daquilo que se produz.

Sítio Paraíso

O que Mariana espantaria de uma vez por todas?

Se pudesse eliminar um dos principais fantasmas da atividade, Mariana acabaria com as barreiras que dificultam o crescimento dos pequenos e médios produtores, principalmente no acesso à inspeção sanitária e ao mercado.

A proposta, ressalta, não é flexibilizar os cuidados com a qualidade e a segurança dos alimentos, mas tornar o caminho para a regularização mais acessível e criar oportunidades reais para que esses empreendedores comercializem seus produtos legalmente. A mudança ajudaria a aproximar duas pontas importantes da cadeia: produtores que buscam se profissionalizar e consumidores que poderiam ter acesso a uma variedade maior de produtos lácteos.

Diversificar para conquistar novas oportunidades

Diante desses desafios, a estratégia do Sítio Paraíso é diversificar a produção, agregar valor e fortalecer a relação direta com o consumidor. O empreendimento vem ampliando seu portfólio e investindo em novas experiências, como o café da manhã rural, para aproximar o público da propriedade e mostrar o que existe por trás da produção.

A iniciativa também busca fortalecer a marca e criar novas oportunidades de mercado, valorizando não apenas o produto final, mas toda a experiência associada à sua origem. A visão de Mariana resume um desafio importante para os pequenos negócios do setor: produzir com qualidade é fundamental, mas conseguir comunicar esse valor e transformar o reconhecimento em oportunidades comerciais também faz parte da sustentabilidade do empreendimento.

Confira o vídeo abaixo: 

O Halloween do Leite continua ao longo de outubro, com novas histórias de produtores e profissionais que compartilham os desafios que mais os preocupam e as estratégias que adotam para enfrentá-los.

Quer participar do especial? O MilkPoint convida produtores e profissionais do setor a contar o que mais assombra a produção de leite. Para participar das próximas publicações, entre em contato pelo e-mail contato@milkpoint.com.br.

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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