Ao longo de outubro, a série especial Halloween do Leite reúne diferentes perspectivas sobre os obstáculos da atividade, dando voz a quem enfrenta essas dificuldades no dia a dia e compartilha estratégias para superá-las.
Nesta edição, Mariana Poletto, do Sítio Paraíso, chama a atenção para um desafio que vai além da produção: as barreiras para a regularização sanitária e a comercialização de produtos lácteos. Para ela, a burocracia e os custos envolvidos na inspeção, somados à dificuldade de competir por preço e conquistar espaço nas prateleiras, podem desestimular pequenos e médios produtores que buscam atuar na formalidade.
O fantasma da inspeção sanitária
Para Mariana, um dos principais desafios de quem beneficia o leite é a inspeção sanitária, seja pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), pelo Serviço de Inspeção Estadual (SISP) ou pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). Na avaliação da entrevistada, os custos e a burocracia envolvidos no processo podem tornar a regularização um caminho difícil para quem deseja trabalhar formalmente. O desafio é atender às exigências de qualidade e segurança dos alimentos sem que os obstáculos para a adequação inviabilizem o negócio.
A questão ganha importância especialmente para os pequenos produtores, que precisam estruturar suas operações e cumprir os requisitos sanitários para comercializar seus produtos legalmente.
O desafio de competir sem abrir mão da qualidade
Além da regularização, a concorrência por preço está entre as questões que mais preocupam Mariana. Investir em estrutura, inspeção sanitária, qualidade e segurança dos alimentos tem um custo que precisa ser considerado na formação do preço final. O problema, segundo ela, é fazer com que esses investimentos sejam reconhecidos pelo consumidor em um mercado no qual o preço muitas vezes pesa mais na decisão de compra.
Nesse cenário, produzir com qualidade é apenas parte do desafio. Também é preciso comunicar os diferenciais do produto e mostrar por que o trabalho envolvido em sua fabricação agrega valor.
Um bom produto nem sempre encontra espaço no mercado
Para quem está fora da atividade, a dificuldade de transformar um produto de qualidade em um negócio viável pode passar despercebida. Mariana destaca que os pequenos produtores precisam superar etapas que vão além da fabricação: regularizar a produção, conquistar pontos de venda e disputar a atenção dos consumidores com marcas já consolidadas.
“Não basta produzir um queijo de qualidade”, resume a realidade apresentada pela entrevistada. É necessário encontrar canais de comercialização capazes de dar visibilidade ao produto e aproximá-lo de novos compradores.
Muitas vezes, mesmo com um bom produto em mãos, o produtor não consegue acessar os estabelecimentos em que teria maior exposição e potencial para ampliar as vendas. A conquista de mercado, portanto, é tão importante quanto a qualidade daquilo que se produz.
O que Mariana espantaria de uma vez por todas?
Se pudesse eliminar um dos principais fantasmas da atividade, Mariana acabaria com as barreiras que dificultam o crescimento dos pequenos e médios produtores, principalmente no acesso à inspeção sanitária e ao mercado.
A proposta, ressalta, não é flexibilizar os cuidados com a qualidade e a segurança dos alimentos, mas tornar o caminho para a regularização mais acessível e criar oportunidades reais para que esses empreendedores comercializem seus produtos legalmente. A mudança ajudaria a aproximar duas pontas importantes da cadeia: produtores que buscam se profissionalizar e consumidores que poderiam ter acesso a uma variedade maior de produtos lácteos.
Diversificar para conquistar novas oportunidades
Diante desses desafios, a estratégia do Sítio Paraíso é diversificar a produção, agregar valor e fortalecer a relação direta com o consumidor. O empreendimento vem ampliando seu portfólio e investindo em novas experiências, como o café da manhã rural, para aproximar o público da propriedade e mostrar o que existe por trás da produção.
A iniciativa também busca fortalecer a marca e criar novas oportunidades de mercado, valorizando não apenas o produto final, mas toda a experiência associada à sua origem. A visão de Mariana resume um desafio importante para os pequenos negócios do setor: produzir com qualidade é fundamental, mas conseguir comunicar esse valor e transformar o reconhecimento em oportunidades comerciais também faz parte da sustentabilidade do empreendimento.
Confira o vídeo abaixo:
O Halloween do Leite continua ao longo de outubro, com novas histórias de produtores e profissionais que compartilham os desafios que mais os preocupam e as estratégias que adotam para enfrentá-los.
Quer participar do especial? O MilkPoint convida produtores e profissionais do setor a contar o que mais assombra a produção de leite. Para participar das próximas publicações, entre em contato pelo e-mail contato@milkpoint.com.br.