Na Argentina, um levantamento do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) mostra que, nos últimos 31 meses, o preço médio recebido pelo produtor acumulou uma atualização 21,4 pontos percentuais inferior à evolução do valor de saída de fábrica da indústria. No Uruguai, a pressão aparece diretamente no preço recebido pelas fazendas. Em julho, o litro de leite foi pago, em média, a 16,7 pesos uruguaios, queda de 5,2% em relação ao mesmo mês de 2025. Em dólares, o valor chegou a US$ 0,41 por litro, o menor desde dezembro de 2024.
Na Argentina, preço ao produtor fica atrás da indústria
A análise do OCLA mostra que, desde o início do atual governo argentino, o faturamento da indústria de laticínios avançou em ritmo mais acelerado do que o valor pago aos produtores pelo leite. Nos últimos 31 meses, o preço médio recebido pelo produtor, segundo o SIGLeA, acumulou uma atualização 21,4 pontos percentuais abaixo da registrada pelo valor de saída de fábrica, indicador que considera as vendas da indústria destinadas tanto ao mercado interno quanto às exportações.
Segundo a análise, essa diferença está relacionada principalmente à pressão exercida pelos custos de conversão, que englobam as despesas necessárias para transformar o leite cru em produtos finais. Os custos fixos e variáveis do processamento absorveram uma parcela importante das receitas brutas das indústrias. Entre eles estão os gastos com mão de obra, além de aumentos acima da média em eletricidade e gás e custos maiores de logística para coleta e distribuição, pressionados por combustíveis e manutenção. Com isso, embora os valores de venda da indústria tenham avançado, a capacidade de transformar essa melhora em preços maiores para o produtor ficou limitada.
Consumo também limita os preços na Argentina
O mercado doméstico argentino é outro componente desse cenário. Segundo a análise do OCLA, a perda de poder aquisitivo dos consumidores limitou a capacidade das indústrias de estabelecer preços mais elevados para seus produtos.
As exportações, por sua vez, contribuíram para a liquidez das empresas e para sustentar a presença dos produtos lácteos argentinos no mercado internacional. No entanto, a diferença cambial e as variações nas retenções — impostos aplicados às exportações argentinas — afetaram o retorno líquido obtido pelas indústrias por cada litro destinado ao exterior. O OCLA aponta que a dificuldade de transferir integralmente a evolução dos valores no atacado para o preço do leite pode desacelerar os investimentos em tecnologia nas propriedades e a expansão do rebanho leiteiro argentino.
No Uruguai, preço cai enquanto produção aumenta
No Uruguai, os dados divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (Inale) mostram uma queda mais recente na remuneração. Em julho, além da redução de 5,2% no preço em pesos na comparação anual, o valor em dólares recuou 5,1% frente a julho de 2025 e 2,6% em relação a dezembro. Na comparação com junho, o preço por litro caiu 1,4% em pesos e 1,3% em dólares.
O valor pago por quilo de sólidos ficou em 209,2 pesos uruguaios, com quedas de 4,9% em relação a dezembro e de 6,9% na comparação anual. O movimento ocorre em um momento de forte crescimento da produção. Segundo a matéria, a remessa de leite às indústrias aumentou 10% no primeiro semestre. Esse aumento da oferta, combinado à queda dos preços internacionais, já levou uma indústria a mudar sua política de pagamento para os próximos meses.
Excedente terá preço menor em uma das indústrias
A Claldy informou aos seus fornecedores que adotará um sistema de preços diferenciados entre agosto e novembro. O volume de leite entregue dentro da média individual de cada produtor registrada entre abril e julho continuará sendo remunerado pelo preço-base. Já o volume que superar esse patamar será pago a 80% do preço-base. A empresa justificou a decisão pelo crescimento recorde das remessas no primeiro semestre e pela queda dos preços internacionais, que aumenta a necessidade de exportar o excedente da produção da primavera com prejuízo.
A Conaprole, maior cooperativa do setor, adotou uma estratégia diferente. Segundo Gabriel Fernández, presidente da companhia, a cooperativa deverá encerrar o exercício de agosto de 2025 a julho de 2026 com lucro e pretende utilizar esse resultado para sustentar o preço recebido pelos produtores nos próximos meses, em vez de realizar pagamentos adicionais referentes ao exercício anterior.
“Preferimos utilizar o que restar do exercício para dar estabilidade e não ter que baixar o preço”, afirmou. A cooperativa já decidiu não alterar os valores em agosto e setembro. A intenção é manter essa estabilidade pelo maior período possível, eventualmente até o final do ano, embora Fernández tenha ressaltado que isso não pode ser garantido.
As informações são da Revista Chacra e do Tardáguila Agromercados.
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