No mesmo período, o grupo Managing — que precisa planejar as compras e controlar parte dos gastos para adquirir o que deseja ou necessita — recuou de 45% para 37%. Somados, os dois perfis representam 70% dos lares brasileiros, mas a composição indica uma piora: em apenas um ano, oito pontos percentuais migraram do grupo que ainda consegue administrar o orçamento para aquele que já não dispõe de sobra financeira.
O levantamento mostra que a pressão econômica também está acompanhada por uma deterioração na percepção de saúde. A parcela de brasileiros que considera saudável o próprio bem-estar físico caiu de 64% em 2024 para 57% em 2025 e 55% em 2026. O Brasil também aparece entre os mercados mais tensionados da região, com índices de 55% para bem-estar físico e 60% para bem-estar mental.
Busca por saúde resiste à pressão sobre o orçamento
Apesar do cenário financeiro, o cuidado com a saúde não perdeu relevância. Os chamados Health Actives, consumidores que adotam com frequência diferentes práticas relacionadas à alimentação e ao estilo de vida, passaram a representar 30% dos lares brasileiros, avanço de quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior. Na América Latina, esse grupo voltou a alcançar 38% dos domicílios em 2026, ante 34% em 2025. Outros 30% são classificados como Health Moderates, que seguem parte das práticas de saúde analisadas.
A mudança já aparece no direcionamento do consumo. Embora os produtos essenciais ainda concentrem 43% dos gastos com bens de consumo massivo na região, as categorias de autocuidado e bem-estar respondem por 19% do desembolso e cresceram 12% em relação ao ano anterior, três vezes o avanço registrado pelos itens essenciais, de 4%.
Ao mesmo tempo, a alta dos preços está levando as famílias a reduzir o tamanho do carrinho. O consumidor compra menos unidades por viagem e passa a selecionar com maior rigor onde manter, cortar ou elevar os gastos. Nesse ambiente, produtos premium e marcas próprias foram responsáveis por 85% do crescimento das unidades de bens de consumo massivo na América Latina, indicando que preço importa, mas não é o único critério de escolha.
GLP-1 ganha espaço entre consumidores das classes AB
Dados mais recentes da Worldpanel by Numerator mostram que os medicamentos GLP-1 já alcançam uma presença relevante entre os consumidores brasileiros de maior poder aquisitivo. Levantamento realizado entre julho e agosto de 2026 aponta que 12,9% dos domicílios pesquisados das classes A e B têm atualmente pelo menos um usuário desse tipo de medicamento. Outros 6,9% relatam uso no passado, enquanto 9,5% afirmam que alguém da casa considera iniciar o uso.
O conhecimento sobre a categoria também é praticamente universal nesse público: 96,7% dos consumidores das classes AB afirmam conhecer as canetas para perda de peso. Entre os domicílios que têm alguém considerando iniciar o uso, 58,2% classificam como alta ou muito alta a probabilidade de adesão nos próximos seis meses.
Os resultados oferecem um retrato recente de uma categoria que passa por rápida transformação no Brasil e mostram como o GLP-1 já alcança uma parcela expressiva dos consumidores de maior poder aquisitivo. Por se tratar de um público com maior capacidade de acesso, o comportamento das classes A e B também ajuda a observar tendências que podem ganhar novas dimensões à medida que esse mercado evolui.
A expansão da categoria reforça a importância de acompanhar não apenas a evolução do acesso e da intenção de uso, mas também seus possíveis reflexos sobre as escolhas de consumo. Para marcas e varejistas, trata-se de um movimento que pode contribuir para novas prioridades na relação dos consumidores com alimentação, saúde e bem-estar.
Quase metade dos lares brasileiros tenta reduzir açúcar
A redução do açúcar deixou de ser um comportamento restrito a pequenos grupos. No Brasil, 46% dos lares são classificados como Sugar Reducers, consumidores que procuram opções com menos açúcar e evitam produtos com açúcar adicionado. Outros 30% preferem o açúcar tradicional ou evitam adoçantes artificiais, enquanto 8% priorizam alternativas sem ou com poucas calorias.
Em toda a América Latina, mais de 80 milhões de domicílios buscam reduzir o consumo de açúcar. Entre as mudanças declaradas, 45% diminuíram o consumo de refrigerantes, 44% reduziram chocolates e outros doces e 44% cortaram alimentos ultraprocessados.
Os resultados indicam que a pressão financeira não elimina o interesse por saúde, mas torna as escolhas mais seletivas. Produtos que combinem benefício percebido, prevenção, conveniência, preço adequado e prazer têm maior possibilidade de permanecer na cesta, enquanto propostas que não demonstrem claramente sua entrega de valor tendem a perder espaço.
Para a Worldpanel by Numerator, a prevenção está deixando de ser uma aspiração para se tornar parte da rotina. O avanço do GLP-1, especialmente entre consumidores de maior poder aquisitivo, adiciona uma nova dimensão a esse cenário, enquanto a redução do açúcar se consolida como um dos principais símbolos dessa transformação do consumo.
As principais tendências de consumo para 2027 passam pelo Dairy Vision: no dia 27 de outubro, Rafael Couto, Commercial & Consumer Insights Director and Head of Advanced Analytics, na Worldpanel by Numerator falará sobre a economia do apetite e como a popularização dos GLP-1 pode transformar o consumo no Brasil. Não fique de fora, garanta já o seu ingresso clicando aqui.
As informações são da Worldpanel by Numerator, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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