Os trabalhos integram um projeto liderado pelo pesquisador Carlos Frederico Martins, do Centro de Tecnologia de Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL), da Embrapa Cerrados, que busca desenvolver ferramentas para melhorar geneticamente o Sindi Leiteiro. Também participam da iniciativa o analista Adriano Mesquita e os pesquisadores Isabel Cristina Ferreira e Claudio Magnabosco, da Embrapa Cerrados, além de Ludmilla Brunes, da Embrapa Caprinos e Ovinos.
O 1º lugar ficou com José Ricardo Sobral da Silva, estudante de Medicina Veterinária do Uniceplac, pelo trabalho “Primeiro estudo de predição genômica para produção de leite, intervalo entre partos e teor de gordura no leite em bovinos Sindi”. A pesquisa avaliou diferentes formas de utilizar informações do DNA dos animais para estimar seu potencial para características importantes da produção leiteira, como volume de leite, reprodução e teor de gordura.
Segundo José Ricardo, os resultados podem contribuir para a escolha de animais mais produtivos e adaptados aos sistemas de produção. “O estudo busca contribuir para a seleção de animais Sindi com maior rusticidade, produção de leite e qualidade da composição do leite. A expectativa é que os resultados sejam especialmente relevantes para pequenos produtores de leite, considerando a capacidade de adaptação e a eficiência alimentar da raça”, explicou.
Entre os métodos avaliados, os melhores resultados foram obtidos quando a análise considerou uma característica isoladamente ou duas características relacionadas. Segundo Carlos Frederico Martins, isso pode ajudar a identificar mais cedo e com maior precisão os animais com maior potencial para determinadas características. “Na prática, esse tipo de ferramenta pode contribuir para identificar mais cedo e com maior confiabilidade os animais com maior potencial genético, tornando a seleção do rebanho mais eficiente. Esse avanço é importante para o melhoramento da raça Sindi, reconhecida pela rusticidade e adaptação às condições tropicais, mas que ainda conta com menor volume de informações genéticas e genômicas quando comparada a raças leiteiras de maior população”, explicou.
Para Ludmilla Brunes, o uso de informações do DNA amplia a capacidade de identificar os animais que apresentam maior potencial para contribuir com as próximas gerações. “Ao incorporar informações do DNA às avaliações já realizadas com dados de desempenho e parentesco, conseguimos avançar na capacidade de identificar geneticamente os melhores animais. É um passo adiante para tornar o programa de melhoramento do Sindi cada vez mais eficiente”, afirmou.
Produção de leite e reprodução
O 3º lugar ficou com Júlia Carvalho de Melo, estudante de Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (UnB), pelo trabalho “Efeito de parâmetros genéticos para características de produção, reprodução e gordura do leite em bovinos Sindi”.
O estudo analisou características relacionadas à produção de leite, reprodução e qualidade do produto para identificar quanto das diferenças observadas entre os animais está relacionado à genética e pode ser transmitido às gerações seguintes.
Os resultados apontaram possibilidade de avanço na raça, principalmente em produção e teor de gordura do leite. A pesquisa também identificou um ponto de atenção para a seleção dos animais: priorizar apenas o volume de leite pode gerar efeitos desfavoráveis sobre características reprodutivas e sobre o teor de gordura.
Na prática, os dados indicam que o aumento da produção de leite precisa ser acompanhado de outras características para evitar que ganhos em uma frente comprometam o desempenho do rebanho em outras.
Para Carlos Frederico Martins, a continuidade das avaliações é necessária para transformar os resultados das pesquisas em ganhos efetivos nos rebanhos. “O melhoramento genético é um processo contínuo. Precisamos manter a avaliação dos rebanhos, gerar informações ao longo das gerações e, ao mesmo tempo, multiplicar e disponibilizar a genética dos animais superiores. É essa continuidade que permite transformar os resultados da pesquisa em ganho genético efetivo e fazer com que essa genética adaptada chegue cada vez mais aos sistemas de produção de leite”, destacou.
Base de 2.441 animais
Os dois trabalhos são complementares e utilizam uma mesma base de informações sobre bovinos Sindi. O conjunto reúne dados de aproximadamente 2.441 animais, incluindo o rebanho do CTZL e participantes da Prova a Pasto conduzida pelo Centro.
Também fazem parte da base animais de propriedades participantes do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ-Leite), coordenado pela ABCZ, e de um rebanho da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer-PB). O projeto conta com apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).
A premiação dos dois estudos também evidencia a participação de estudantes e instituições de pesquisa na geração de informações para o melhoramento do Sindi. A expectativa dos pesquisadores é ampliar o conhecimento disponível sobre a raça e contribuir para a seleção de animais adaptados às condições tropicais, com melhor desempenho na produção de leite.
As informações são do O Presente Rural, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
Vale a pena ler também:
Potencial da raça Sindi para a produção de queijos no semiárido brasileiro