Nessa nova dinâmica, a Arla passará a fornecer relatórios anuais com dados primários sobre a pegada de carbono associada diretamente aos volumes de leite entregues. Esse nível de rastreabilidade permite que a Barry Callebaut abandone as estimativas genéricas da indústria e passe a monitorar com precisão cirúrgica o impacto ambiental da sua matéria-prima. Com isso, a empresa consegue acelerar a redução de suas emissões e expandir projetos de sustentabilidade diretamente nas propriedades rurais.
De acordo com Tilmann Silber, chefe da área de Net Zero na Barry Callebaut, a descarbonização dos laticínios é uma peça fundamental para reduzir a pegada ecológica global da organização. A iniciativa representa um marco decisivo na estratégia de sustentabilidade da companhia e fortalece seu portfólio de soluções de chocolate com pegada neutra de carbono, auxiliando clientes a reduzirem o impacto ambiental de seus próprios produtos finais.
O setor lácteo é amplamente reconhecido como uma das categorias mais complexas para a redução de emissões. Ao contrário de indústrias em que a energia é o principal gargalo, na pecuária de leite grande parte do impacto deriva de processos biológicos, como a fermentação entérica do gado e o manejo de esterco, além da produção de ração e do transporte da matéria-prima. Por essa razão, a obtenção de dados reais ao nível das fazendas torna-se indispensável para mapear pontos críticos, direcionar investimentos corretos e mensurar progressos de forma confiável.
Para engajar a ponta da cadeia, o acordo prevê incentivos financeiros diretos aos produtores rurais que implementarem práticas agrícolas inteligentes em relação ao clima. Entre as ações valorizadas estão a melhoria da eficiência alimentar do rebanho, a otimização no tratamento de dejetos, a transição para fontes renováveis de energia e a adoção de técnicas agrícolas de baixo carbono. A estratégia complementa os programas de sustentabilidade que a Arla já mantém com sua rede de cooperados, consolidando a cooperativa como uma parceira estratégica em suprimentos sustentáveis.
Do lado da Arla, a diretora sênior de inovação e desenvolvimento em sustentabilidade, Cathrine Konge Varming, destaca que a parceria fortalece o empenho dos produtores em gerar laticínios de alta qualidade e eficiência, ao mesmo tempo em que fornece os dados essenciais para os relatórios ambientais da parceira. Embora metas quantitativas específicas de redução não tenham sido abertas ao público, parcerias diretas com fornecedores tornaram-se a ferramenta mais eficaz para empresas de alimentos que buscam cumprir metas climáticas rigorosas.
Este modelo pode servir de exemplo e estabelecer um novo padrão para todo o mercado alimentício global. Com a demanda crescente por transparência e ingredientes de menor impacto, a pressão sobre as empresas para utilizarem dados primários em vez de médias do setor tende a aumentar. Se bem-sucedida, a fórmula deve inspirar iniciativas semelhantes em outras cadeias agrícolas complexas, acelerando a transição sustentável onde ela é mais desafiadora.
Para a Barry Callebaut, a descarbonização do leite é apenas o começo de uma transformação mais ampla. A empresa já mapeia novas oportunidades para cortar emissões ao longo de sua cadeia global, priorizando avanços no cultivo do cacau, na otimização logística, na redução do uso de fertilizantes sintéticos e na adoção de embalagens e ingredientes de menor pegada ecológica.
As informações são do Dairy Reporter, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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