Arla e Barry Callebaut: a aliança que pretende descarbonizar o chocolate

Arla Foods e Barry Callebaut unem forças em uma parceria de três anos para cortar emissões no setor lácteo por meio de dados reais de fazendas e incentivos a produtores.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
O Barry Callebaut Group e a Arla Foods firmaram uma colaboração de três anos para descarbonizar a cadeia de laticínios da fabricante de chocolate, começando com o leite em pó desnatado. A Arla fornecerá relatórios anuais sobre a pegada de carbono do leite, permitindo monitoramento preciso do impacto ambiental. A parceria inclui incentivos financeiros a produtores que adotarem práticas sustentáveis, visando fortalecer a eficiência na produção de laticínios e estabelecer um novo padrão no setor alimentício.
A busca por uma cadeia de suprimentos mais sustentável acaba de ganhar um novo capítulo na indústria de alimentos. O Barry Callebaut Group, maior fabricante mundial de produtos de cacau e chocolate de alta qualidade, formalizou uma colaboração estratégica de três anos com a Arla Foods. O objetivo principal dessa aliança é descarbonizar a cadeia de laticínios da gigante do chocolate, começando pelo leite em pó desnatado fornecido pela cooperativa dinamarquesa.

Nessa nova dinâmica, a Arla passará a fornecer relatórios anuais com dados primários sobre a pegada de carbono associada diretamente aos volumes de leite entregues. Esse nível de rastreabilidade permite que a Barry Callebaut abandone as estimativas genéricas da indústria e passe a monitorar com precisão cirúrgica o impacto ambiental da sua matéria-prima. Com isso, a empresa consegue acelerar a redução de suas emissões e expandir projetos de sustentabilidade diretamente nas propriedades rurais.

De acordo com Tilmann Silber, chefe da área de Net Zero na Barry Callebaut, a descarbonização dos laticínios é uma peça fundamental para reduzir a pegada ecológica global da organização. A iniciativa representa um marco decisivo na estratégia de sustentabilidade da companhia e fortalece seu portfólio de soluções de chocolate com pegada neutra de carbono, auxiliando clientes a reduzirem o impacto ambiental de seus próprios produtos finais.

Continua depois da publicidade

O setor lácteo é amplamente reconhecido como uma das categorias mais complexas para a redução de emissões. Ao contrário de indústrias em que a energia é o principal gargalo, na pecuária de leite grande parte do impacto deriva de processos biológicos, como a fermentação entérica do gado e o manejo de esterco, além da produção de ração e do transporte da matéria-prima. Por essa razão, a obtenção de dados reais ao nível das fazendas torna-se indispensável para mapear pontos críticos, direcionar investimentos corretos e mensurar progressos de forma confiável.

Para engajar a ponta da cadeia, o acordo prevê incentivos financeiros diretos aos produtores rurais que implementarem práticas agrícolas inteligentes em relação ao clima. Entre as ações valorizadas estão a melhoria da eficiência alimentar do rebanho, a otimização no tratamento de dejetos, a transição para fontes renováveis de energia e a adoção de técnicas agrícolas de baixo carbono. A estratégia complementa os programas de sustentabilidade que a Arla já mantém com sua rede de cooperados, consolidando a cooperativa como uma parceira estratégica em suprimentos sustentáveis.

Do lado da Arla, a diretora sênior de inovação e desenvolvimento em sustentabilidade, Cathrine Konge Varming, destaca que a parceria fortalece o empenho dos produtores em gerar laticínios de alta qualidade e eficiência, ao mesmo tempo em que fornece os dados essenciais para os relatórios ambientais da parceira. Embora metas quantitativas específicas de redução não tenham sido abertas ao público, parcerias diretas com fornecedores tornaram-se a ferramenta mais eficaz para empresas de alimentos que buscam cumprir metas climáticas rigorosas.

Este modelo pode servir de exemplo e estabelecer um novo padrão para todo o mercado alimentício global. Com a demanda crescente por transparência e ingredientes de menor impacto, a pressão sobre as empresas para utilizarem dados primários em vez de médias do setor tende a aumentar. Se bem-sucedida, a fórmula deve inspirar iniciativas semelhantes em outras cadeias agrícolas complexas, acelerando a transição sustentável onde ela é mais desafiadora.

Para a Barry Callebaut, a descarbonização do leite é apenas o começo de uma transformação mais ampla. A empresa já mapeia novas oportunidades para cortar emissões ao longo de sua cadeia global, priorizando avanços no cultivo do cacau, na otimização logística, na redução do uso de fertilizantes sintéticos e na adoção de embalagens e ingredientes de menor pegada ecológica.

As informações são do Dairy Reporter, adaptadas pela equipe MilkPoint.

Vale a pena ler também:

Pressão financeira faz 52% dos brasileiros mudar pedidos de fast-food

Sorveteria argentina Lucciano's fatura US$ 100 milhões e acelera expansão global

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?