Apesar do cenário de instabilidade econômica na Argentina, país que hoje responde por 80% do faturamento global do grupo, a Lucciano’s registrou, de janeiro a julho, um crescimento de 13,6% acima da inflação nas vendas de lojas maduras. Ao contabilizar as novas aberturas, o crescimento total no período atingiu 52%. A fábrica central em Mar del Plata registra uma produção anual de 3,6 milhões de quilos de sorvete, 4 milhões de picolés e 5,7 milhões de alfajores. Para abastecer essa estrutura, a empresa importa 65 mil quilos de chocolate de alta qualidade por ano, o equivalente a cerca de metade de todo o chocolate importado pela Argentina, além de utilizar 90 mil quilos de pistache nacional vindo da província de San Juan.
Foto: Forbes Argentina
Do total de 123 lojas ativas, 102 estão localizadas na Argentina e 21 no exterior, cobrindo países como Estados Unidos, Espanha, Itália, Uruguai, Chile e Marrocos. Metade das unidades internacionais funciona sob o regime de franquia, proporção semelhante à adotada no mercado argentino. O modelo de negócios exige um investimento inicial médio de US$ 250 mil por loja e taxa de franquia de US$ 35 mil. Com faturamento médio anual de US$ 1,2 milhão por unidade e margem EBITDA entre 25% e 35%, o prazo de retorno do capital varia de 10 a 16 meses na Argentina, enquanto no mercado norte-americano se estende para três a quatro anos.
A entrada nos Estados Unidos exigiu readequações de planejamento. O custo de abertura de uma loja principal no país varia entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões, valor até dez vezes superior ao exigido na Argentina e três vezes maior do que na Europa. Exigências de códigos de obras municipais, instalações hidráulicas pesadas e entraves operacionais com sindicatos locais estenderam o prazo de retorno do investimento. A meta da empresa para os próximos cinco anos é inverter a composição da receita, fazendo com que o mercado internacional passe a responder por 75% do faturamento total, com expansão concentrada no Brasil, México e Oriente Médio.
Foto: Forbes Argentina
Para sustentar o plano de internacionalização, a família Otero vendeu 25% do capital da empresa para a investidora suíça Renata Jacobs, acionista da gigante do setor de cacau Barry Callebaut. A operação resultou na profissionalização dos processos internos, na criação de comitês de gestão e na adoção de auditorias trimestrais de padrão internacional, mantendo 95% do controle operacional nas mãos dos fundadores.
As informações são da Forbes, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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