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Com alta demanda no inverno, como está se desenhando o cenário dos queijos na pandemia?

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

EM 08/06/2020

7 MIN DE LEITURA

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Dados baseados no Google Trends confirmam que quando há redução das temperaturas no meio do ano devido a chegada do inverno, as pesquisas por queijos apresentam alta expressiva nas buscas. Para quem não conhece, o Google Trends é uma plataforma do Google na qual é possível visualizar a tendência das buscas sobre determinado assunto.

 

Mas, deixando essa curiosidade de lado, como vem se desenhando o cenário dos queijos neste ano em tempos de pandemia?

Segundo Lutz Lima Viana Rodrigues, Diretor de Operações da Laticínios Davaca, o mercado vem mudando de forma muito rápida nas últimas três semanas, saindo de um mês de abril de vendas muito estagnadas. “A queda no volume de leite em todo o país, seja pela seca e geada no sul ou pela entressafra de Minas Gerais, Goiás e Nordeste é o principal fator de enxugamento para o mercado na segunda quinzena de maio, trazendo uma valorização também nos queijos. O primeiro choque negativo de demanda sofrido em abril devido ao fechamento dos pontos de venda - pizzarias, restaurantes industriais, catering de aéreas, hotéis, lanchonetes - e o enfraquecimento do mercado institucional, foi equilibrado agora por essa queda de volume e migração do leite para outros produtos via mercado spot”.

“Esse processo equiparou a rentabilidade dos três principais produtos, leite em pó integral, longa vida e queijos, trazendo melhores preços para a matéria-prima no campo e reconstituindo a condição competitiva das queijarias”.  

Na mesma linha, Fábio Scarcelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), destacou que em um primeiro momento, foi muito difícil administrar os efeitos da pandemia e as dificuldades foram enormes nos meses de março e abril quanto aos estoques, recebimento de leite e forte redução nas vendas. A paralisia da demanda foi muito sentida, especialmente por laticínios com produtos destinados ao food service. Altos estoques e vendas muito abaixo dos custos foram as tônicas. 

“No momento, a indústria de queijo tem procurado adequar seus estoques e feito esforços para que não falte produtos nos pontos de venda, o que de fato vem ocorrendo. Não houve ruptura no fornecimento de uma maneira geral.  O setor suportou, inclusive, grandes pressões de estoque no início da pandemia quando praticamente parou o consumo e as previsões de venda estavam muito obscuras. No curto prazo, com a entrada do inverno, a demanda deve se manter contida, mas presente. Fica a expectativa sobre com que velocidade ocorrerá efetivamente a flexibilização da quarentena nas diversas regiões do País, como a renda das famílias será recomposta e como o consumidor voltará aos ?seus hábitos de compra. Acreditamos que, neste ano, o consumo de queijos e também a produção nacional deverão ser menores do que em 2019”.

Ainda segundo ele, tradicionalmente com a chegada do outono e inverno a demanda por queijos é maior até porque há muitas promoções de inverno. Nesse ano, contudo, ele afirma que o aumento nos preços ocorrerá devido a forte valorização do leite, e queda da produção no campo, fatores que obrigarão as indústrias a repassar o respectivo aumento em algumas linhas de produtos.

De acordo com Lutz, a demanda de queijo no inverno será sustentada pelos repasses do auxílio emergencial do governo federal, o que, junto com as parcelas ainda correntes do seguro desemprego, mantém aceso o consumo dos bens de primeira necessidade das famílias brasileiras, aí inclusas as proteínas animais.

“Acreditamos em um mercado firme pelo menos nos próximos 90 dias devido à expectativa de aprofundamento da entressafra e da manutenção do auxílio emergencial, seja ela total ou parcial, e das demais políticas acertadas de renda mínima nesse período tão incerto. O único ponto de atenção é uma possível entrada de grandes volumes importados da Argentina e Uruguai, caso tenhamos uma dinâmica cambial desfavorável para o país”.

Para ele, caso o dólar recue novamente para patamares de R$ 4,50 - 4,70 poderemos assistir novamente uma invasão dos importados do Mercosul, de forma muito semelhante ao ocorrido em anos anteriores. “É preciso colocar no radar essa ameaça, pois a Covid-19 derrubou o consumo de lácteos destes dois países, gerando um saldo exportável considerável que será desovado no mercado em algum momento. O voo pode ser interrompido nesse cenário e novamente veríamos as políticas de transferência de renda do Brasil, efetivamente todo o esforço do gasto público do governo brasileiro, transferido sem cerimônia nenhuma para o produtor rural argentino e uruguaio. Nós já vimos esse filme antes”, afirma.

 

consumo de queijos no outono inverno

Hábitos de consumo na pandemia

Sobre o que vem se notando com relação aos hábitos das pessoas que se encontram mais tempo em suas casas, Scarcelli aponta que o consumo doméstico cresceu e que não poderia ocorrer de outra forma, já que todos estão ‘compensando’ a alimentação fora do lar. “A versatilidade dos queijos na culinária permitiu essa compensação de consumo no lar, com crescimento em todas as famílias de queijos, destacando-se os cotidianos como muçarela, requeijão, frescos e queijo ralado.  Agora com o inverno, a expectativa é que se registrará um consumo ligeiramente maior dos queijos tradicionais da época, como os fondues e os destinados para as tábuas de frios, como brie, gorgonzola, gruyère, gouda, entre outros.

fondue de queijo

O diretor da Laticínios Davaca comentou que produtos básicos como muçarela e manteiga têm um crescimento mais destacado, uma vez que são impactados de forma mais geral pela renda do auxílio emergencial e seguro desemprego.  “O básico agora é o que importa, e isso todos nós estamos vivendo na nossa casa. Refeições balanceadas, as pequenas alegrias de um bolo em família, café da manhã todos os dias e uma rotina realmente familiar são fatores que ajudam na demanda de lácteos e porque não, na nossa saúde física e mental nestes momentos de incerteza”, completou, frisando que com redistribuição do leite entre os produtos e com a efetiva redução no volume nacional, ele enxerga um cenário positivo.

Impactos da pandemia

Questionado sobre o impacto da pandemia na Laticínios Davaca de uma maneira geral, Lutz comentou que além da redução de vendas do mês de abril, já estabilizadas em maio e com perspectivas positivas para junho, há naturalmente um esforço muito grande na proteção dos colaboradores e na manutenção da frota de coleta de leite e entrega de produtos finais.

“Mesmo com a definição acertada dos serviços de manutenção e logística como essenciais, juntamente com a indústria de alimentos, higiene e combustíveis, existem algumas restrições na disponibilidade de peças-chave nas plantas industriais. Principalmente para laticínios localizados no interior do país, há também dificuldade no deslocamento de técnicos qualificados para manutenções preventivas e corretivas nas plantas. O risco de uma parada certamente aumentou em todos os laticínios nacionais e já tivemos relatos de algumas plantas estagnadas por períodos consideráveis devido a dificuldades na manutenção”.

Para ele, junto aos colaboradores, a chave é a comunicação. “É necessária a comunicação aberta para o afastamento de funcionários com sintomas gripais, mesmo considerando que no inverno a imensa maioria destes afastamentos não são confirmados como positivos para Covid-19. O trabalho junto às secretarias de saúde também é muito importante no suporte à política de testar, rastrear e isolar, e junto à administração pública, dar todo o suporte ao real diagnóstico do vírus e no isolamento dos eventuais positivos e contatos diretos. Isso gera custos naturalmente, mas é necessário colaboração total, informação e isolamento efetivo dos contatos diretos para passarmos por esse período de incertezas abastecendo plenamente a população brasileira. Essa interface entre a indústria e as prefeituras, administradoras da saúde pública em cada município é importantíssima neste momento”.

Comunicação com os consumidores

Com as mudanças na vida das pessoas devido a pandemia – como por exemplo, com o isolamento social -, a comunicação também pode ser diferente e criativa. Nessa linha, Lutz apontou que as mídias sociais online, desde que identificados os formadores de opinião que realmente têm afinidade com o produto e o público, são opções viáveis, até porque, considera que a mídia tradicional tem custos muito altos.

“O velho e bom rádio e as lives também estão sendo usadas pela empresa como opção, uma vez que na nossa opinião, dão um retorno considerável dentro de uma realidade orçamentária mais restrita. Mídias como outdoor, banners em locais públicos, traseiras de ônibus, tudo isso naturalmente vai ficar para depois. No contexto atual, a nossa análise é que a TV ficou cara demais e a internet vem ganhando espaço, com uma dificuldade adicional de identificar qual canal online gera mais movimento. Medir o sucesso da campanha online também é mais fácil, porque é possível avaliar quem gerou mais visualizações de uma forma muito direta. Dá para medir o tamanho da fofoca”.

Já a ABIQ está disponibilizando dicas e referências cientificamente comprovadas em relação ao consumo de queijos e seus benefícios sobre a saúde, especialmente, no momento, relacionadas à imunidade. “Muitos dos nossos associados se utilizaram dessas informações em suas redes sociais e aumentaram seus esforços de comunicação nesses meios de comunicação para compensar o distanciamento dos consumidores, com os quais interagem fortemente nos pontos de venda”, finalizou.

Vale a pena ler também > Com crise do coronavírus, aumenta a procura de informação sobre leite e derivados no Google

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CARLOS HUMBERTO MENDES DE CARVALHO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/06/2020

EXCELENTE ARTIGO PARABENS
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