Sou médico-veterinário, natural de Palmeira das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, uma região com forte tradição em pecuária leiteira. Durante a pandemia, em 2020, conheci Mato Grosso e me encantei com o seu potencial. Nove meses depois, estava me mudando de mala e cuia para cá.
A realidade que encontrei foi bem diferente da que estava acostumado: menos tecnificação, desafios na qualidade do leite e na assistência técnica, mas também muitas oportunidades que poucos enxergam.
Mato Grosso tem produção leiteira espalhada em quatro regiões principais — Sul, Norte, Leste e Oeste — com características bem particulares. As distâncias aqui são um desafio à parte: é comum ter 50 km entre um produtor e outro. Aprendi rápido que nunca se sai para o campo com pouco combustível ou sem água no carro.
A maioria das propriedades produz menos de 150 litros/dia, muitas delas em assentamentos do INCRA, e ainda há grande presença de tanques comunitários. As cooperativas são peças fundamentais nesse cenário — tanto na comercialização quanto no apoio técnico, mesmo enfrentando os mesmos desafios logísticos.
Mas o que realmente me fez acreditar no potencial do MT foram algumas vantagens competitivas claras:
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Terra com preços ainda acessíveis, seja para compra ou arrendamento;
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Clima bem definido entre seca e águas, o que facilita o planejamento forrageiro e reprodutivo;
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E, principalmente, o custo da alimentação animal, um dos principais diferenciais quando comparado a outras regiões do Brasil.
Nos estados do Sul (RS, SC, PR), o custo do milho e da soja frequentemente encarece demais uma dieta mais energética ou proteica. Já aqui no MT, por estarmos próximos dos polos de produção agrícola, temos acesso facilitado e mais barato a insumos como:
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DDG (grãos secos de destilaria), subproduto da produção de etanol, com excelente custo-benefício como fonte de proteína bruta;
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Caroço de algodão, que fornece energia e fibra efetiva;
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Milho e soja, com menor custo logístico de aquisição.
Na prática, isso faz com que o custo de aquisição de alimentos concentrados no MT seja 15 a 20% menor em comparação com outras regiões produtoras. Esse diferencial pesa muito no bolso, já que a alimentação representa o maior custo da atividade leiteira.
Se você está pensando em crescer na atividade, faz sentido investir onde sua margem de lucro será maior. No MT, isso é viável e palpável — principalmente para quem sabe trabalhar com nutrição de forma estratégica.
Claro que existem desafios. A baixa tecnificação exige paciência e trabalho contínuo da assistência técnica. A logística é complexa e exige planejamento. Mas são obstáculos contornáveis — e, com visão de longo prazo, superáveis.
Depois de quatro anos aqui, posso dizer com segurança: Mato Grosso é um estado com enorme potencial para a produção leiteira. O custo de produção tende a ser menor que no Sul, o mercado está em crescimento, e há espaço real para quem quer começar com investimento controlado e foco em rentabilidade.
Para quem está disposto a aprender, adaptar-se à realidade local e encarar as distâncias como parte do jogo, as oportunidades são reais.
Quem quiser trocar ideias sobre os desafios e oportunidades, vamos conversar aqui nos comentários!
Afinal, quando se trata de pecuária leiteira, Mato Grosso ainda é uma fronteira cheia de possibilidades.
