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DDG: qual a qualidade nutricional do coproduto que utilizo na minha propriedade?

POR DANIEL MONTANHER POLIZEL

E LETÍCIA CAROLINA BORTOLANZA SOARES

ESALQLAB

EM 03/03/2021

3 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 02/03/2021

O DDG (dry distillers grains) é um coproduto da indústria de etanol de milho, utilizado há muito tempo por pecuaristas em países como Estados Unidos, Argentina e Paraguai. Com a expansão do mercado do etanol de milho no Brasil, em especial na região centro-oeste, o DDG começou a ganhar espaço no mercado nacional, com importância relevante principalmente devido as suas características proteicas e energéticas.

De maneira simplificada o DDG pode ser formado em dois tipos de processamento do milho para produção de etanol: o convencional ou com extração da fibra antes da fermentação.

O processo convencional se inicia com a moagem e cozimento do milho, seguido de fermentação e destilação. Do resíduo da fermentação e destilação são produzidos três outros coprodutos: óleo, solúveis e o WDG. Os solúveis podem ou não ser incorporados ao WDG e, ao acrescentá-los, origina-se o WDGS. O WDG e o WDGS podem ser comercializados ou ainda passar por um processo de secagem, dando origem do DDG e DDGS.

O segundo processo, com extração da fibra, as etapas iniciais são semelhantes nos dois métodos (moagem e cozimento), havendo a diferenciação antes da etapa de fermentação, em que ocorre a separação da fibra do grão (casca). Após a retirada da fibra, o material que sobra tem maior concentração de amido e proteína, e passa pelo processo de fermentação e destilação, originando o etanol e um resíduo. 

Para cada tonelada de milho processada são produzidos, em média, 300 kg de DDG, 430 litros de etanol e 15 litros de óleo, variando de acordo com a eficiência do processo. No cenário de expansão da produção de etanol de milho no Brasil, como consequência, existe maior disponibilidade de DDG no mercado a ser utilizada por nutricionais para as formulações de dietas para bovinos.

O DDG é caracterizado por possuir elevado teor de proteína bruta, sendo boa parte dessa fração PNDR (proteína não degradada no rúmen). Nutricionalmente, esse pode ser considerado um dos grandes diferenciais do DDG quando comparado aos farelos proteicos tradicionalmente utilizados no Brasil (ex: farelo de soja e farelo de algodão).

Outro ponto a ser levantado é que o DDG também possui características energéticas, em especial, por apresentar maiores concentrações de extrato etéreo (dependendo do processo de extração do óleo). Ponto importante a se levantar é que existem muitos fatores relacionados ao processo de produção que afetam diretamente a composição química do DDG, portanto, os níveis de inclusão desse coproduto na dieta podem ser alterados em grande proporção devido a essas variações. 

Nos últimos anos aumentou o número de amostras de DDG recebidas pela ESALQLab, e pudemos constatar que a variação nos resultados entre as amostras é muito grande. Na Tabela 1 apresentamos os resultados dessas análises.

Interessante notar que apesar de apresentar um baixo coeficiente de variação, existiram algumas amostras com valores extremos de proteína bruta (55,7 vs. 15,50). A variável que apresentou maior variação dos dados foi o extrato etéreo (C.V. 46,56%), isso devido a extração ou não do óleo durante o processo produtivo.

Outra variável que apresentou grande variação foi o carboidrato não fibroso (C.V. 31.62%), sendo essa variação muito relacionada a eficiência do processo de fermentação (produção do etanol) e incorporação dos solúveis. O fato é que essas variações na composição resultam em alterações importantes na formulação das dietas para que não haja falta ou excesso de nutrientes, o que pode resultar em queda na produtividade e na eficiência produtiva dos animais.

Tabela 1 - Valores médios, máximos e mínimos (% na MS) observados para a composição química de DDG analisadas pela ESALQLab.

Na tabela 2 apresentamos os valores médios da composição do DDG recebido pelo laboratório nos últimos 3 anos. Esse banco de dados permite observar que existem variações pontuais na composição e que podem estar associados as alterações no processo produtivo ao longo dos anos. Em especial destaca-se a maior concentração de extrato etéreo nas amostras recebidas nos últimos dois anos.

Tabela 2 - Composição do DDG durante os últimos três anos de análises na ESALQLab.

As flutuações nos valores dos ingredientes das dietas, assim como o valor dos produtos finais, fazem com que o produtor tenha que utilizar de maneira cada vez mais racional os insumos, de maneira a fazer o que denominamos de “ajuste fino” nas dietas para que possa obter excelência produtiva com retorno financeiro para se manter e prosperar no setor.

O monitoramento da qualidade nutricional dos insumos é de suma importante para isso, otimizando a utilização de nutrientes e a capacidade produtiva dos animais.

Por isso nós perguntamos, você tem monitorado a qualidade do DDG utilizado em sua propriedade?

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DANIEL MONTANHER POLIZEL

LETÍCIA CAROLINA BORTOLANZA SOARES

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ELAINE ALMEIDA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/03/2021

Excelente artigo, parabéns!
Gostaria de saber se o DDG posso usar na formulação de ração para aves de postura.
Vejo que a PB é bastante interessante talvez não poderia substituir pelo farelo de soja?

Elaine Almeida
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/03/2021

Excelente artigo!
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