Mastigação de precisão: por que o verdadeiro segredo da produção está na vaca deitada?

O objetivo não é apenas fazer as vacas mastigarem mais, mas sim ajudá-las a passar mais tempo deitadas maximizando a saúde ruminal.

Publicado por: MilkPoint

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Uma nova abordagem sobre o tamanho da partícula da forragem sugere que o foco deve ser na eficiência alimentar das vacas, permitindo mais tempo para descanso e ruminação, essenciais para a saúde ruminal. Rick Grant propõe o "manejo de mastigação de precisão", visando equilibrar alimentação, descanso e ruminação. A postura das vacas ao ruminar é crucial, com benefícios para a saúde e produção do leite. O processamento dinâmico da forragem é recomendado, ajustando o tamanho de corte conforme as condições, para otimizar a saúde animal.
Uma nova visão sobre o tamanho da partícula da forragem sugere que o objetivo não é simplesmente fazer com que as vacas mastiguem mais. É ajudá-las a passar mais tempo onde a saúde ruminal pode se beneficiar mais: deitadas.

Quando pensamos no tamanho da partícula da forragem, a conversa geralmente se concentra na fibra efetiva, no enchimento ruminal e nos componentes do leite. Para Rick Grant, presidente do Miner Institute, o setor leiteiro pode estar fazendo a pergunta errada.

Em vez de se concentrar apenas em saber se uma dieta estimula a mastigação o suficiente, Grant argumenta que devemos considerar como o processamento da forragem molda a forma como as vacas passam o dia. Cada minuto extra dedicado à alimentação é um tempo indisponível para o descanso e a ruminação, dois comportamentos cada vez mais reconhecidos como fundamentais para a saúde do rúmen, o bem-estar e a produtividade.

Falando durante a série de palestras Real Science da Balchem, Grant apresentou o que ele chama de "manejo de mastigação de precisão", descrevendo-o como “atender com exatidão às necessidades da vaca para os três grandes comportamentos: comer, descansar e ruminar”. O conceito muda o foco do tamanho isolado da partícula da forragem para o orçamento de tempo diário da vaca. Se a alimentação se torna mais eficiente, as vacas ganham mais oportunidades para descansar e ruminar. Se a alimentação se torna excessivamente demorada, essas horas terão que ser subtraídas de algum outro lugar.

Um rúmen saudável começa com a vaca deitada

A ruminação é reconhecida há muito tempo como um indicador da função ruminal, mas a postura pode ser tão importante quanto a duração. Segundo Grant, “mais de 80% da ruminação, em um mundo ideal para a vaca, deveria ocorrer enquanto ela está deitada”.

Essa recomendação reflete mais do que apenas o conforto animal. Enquanto estão deitadas em decúbito esternal, as vacas produzem mais saliva durante a ruminação, ajudando a tamponar o conteúdo ruminal e, ao mesmo tempo, permitindo o descanso fisiológico que acompanha esse comportamento.

A ruminação em decúbito também tem sido associada a uma melhor saúde ruminal e produção. Observou-se que vacas que passam mais tempo ruminando enquanto estão deitadas mantêm um pH ruminal mais alto, consomem mais matéria seca e produzem leite com maiores porcentagens de gordura e proteína. Em um trabalho não publicado do Miner Institute, a ruminação com a vaca deitada mostra a correlação comportamental mais forte com a gordura do leite.

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As implicações vão muito além da nutrição. Claudicação, superlotação, conforto inadequado nas camas e estresse térmico reduzem as oportunidades de as vacas se deitarem, influenciando potencialmente um dos comportamentos mais intimamente associados à função do rúmen.

Quando a forragem grossa rouba o tempo de descanso

Se a ruminação com a vaca deitada é o objetivo, a próxima questão passa a ser se a formulação da dieta está ajudando ou impedindo as vacas de chegarem lá.

De acordo com Grant, à medida que a fibra fisicamente efetiva aumenta, as vacas passam dramaticamente mais tempo comendo. Em uma pesquisa conduzida recentemente, um aumento no tempo de alimentação de aproximadamente 107 minutos por dia resultou apenas em um aumento na ruminação de cerca de 35 minutos. O tempo total de mastigação aumentou em mais de duas horas, mas quase todo esse tempo adicional ocorreu às custas do descanso.

Por quê? Como Grant explica: “a vaca gasta tempo no cocho para reduzir o tamanho da partícula da dieta, seja ele qual for, antes de engoli-la”.

Em outras palavras, forragens excessivamente grossas exigem que as vacas realizem um trabalho que poderia ter sido feito mecanicamente antes mesmo de o alimento chegar ao cocho.

Tempos mais longos de alimentação não se traduzem necessariamente em uma ruminação mais saudável. Em vez disso, a alimentação prolongada pode simplesmente deixar menos horas disponíveis para o descanso e para a ruminação em decúbito.

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Grant sugere que o comportamento alimentar é mais eficiente quando as vacas consomem sua dieta diária em um período de cerca de três a cinco horas. Além desse ponto, o tempo adicional de alimentação começa a competir com comportamentos que apoiam a saúde ruminal e o bem-estar geral.

O rúmen começa no cocho de alimentação

Uma das mensagens práticas mais importantes de Grant é que as vacas criam naturalmente o tamanho de partícula de que precisam.

As vacas reduzem as partículas de forragem de forma substancial durante a alimentação, produzindo partículas de alimento deglutido que têm, em média, de 8 a 12 milímetros em uma ampla variedade de fontes de forragem. “Estamos realmente tentando imitar a vaca ao picar as forragens”, diz Grant.

Essa filosofia apoia uma abordagem mais dinâmica para o processamento de forragens. Em vez de depender de um tamanho teórico de corte fixo, Grant recomenda ajustar o tamanho de corte de acordo com a maturidade da forragem, o teor de umidade e as características da fibra indigestível. À medida que a uNDF240 (a quantidade de fibra em detergente neutro que permanece não digerida após 240 horas no rúmen de uma vaca) aumenta com a maturidade da forragem ou com as condições de cultivo, picar a forragem um pouco mais fina pode manter a eficiência da alimentação sem sacrificar a ruminação. Picar fino demais, no entanto, pode acelerar a taxa de passagem e reduzir a ruminação.

A nutrição de precisão torna-se medicina preventiva

O manejo de mastigação de precisão, em última análise, se estende para além da nutrição.

Grant enfatiza que o tamanho da partícula da forragem representa apenas um componente do sistema. Mesmo uma dieta bem balanceada não pode alcançar o efeito pretendido se a superlotação, o mau acesso ao cocho, o desconforto nas camas ou o estresse térmico impedirem que as vacas expressem seus comportamentos normais de alimentação e descanso.

Como ele resume, os produtores devem “otimizar o tamanho da partícula da forragem sob a perspectiva da vaca, porque essa é a única perspectiva que importa”.

Essa visão também aponta para o futuro. Grant prevê que o manejo de forragem se torne cada vez mais dinâmico, com o tamanho de corte sendo ajustado de acordo com a maturidade da forragem, umidade e fibra indigestível. Ele até sugere que, no futuro, os equipamentos de colheita poderão um dia ajustar o tamanho teórico de corte de forma automática, à medida que as características da lavoura mudarem no campo.

A mensagem mais ampla é que o comportamento de mastigação das vacas leiteiras merece maior atenção como uma métrica de saúde animal. Otimizar o tamanho da partícula da forragem não se trata simplesmente de processar o alimento. Trata-se de ajudar as vacas a passarem menos tempo comendo e mais tempo deitadas, criando, no fim das contas, as condições que sustentam um rúmen mais saudável.

Artigo escrito por Andrea Bedford, publicado no portal Dairy Herd, traduzido pela Equipe MilkPoint.

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