Nas últimas semanas, o Oceano Pacífico equatorial vinha registrando uma fase de neutralidade, o que significa que o clima estava funcionando dentro da normalidade, sem a influência do El Niño ou de seu fenômeno oposto, a La Niña. Os termômetros na superfície da água do mar na região central do oceano marcaram temperaturas muito próximas da média histórica. No entanto, as medições mais recentes já mostram um aquecimento gradual dessas águas, sinalizando que essa fase de estabilidade está chegando ao fim.
Pelo sexto mês seguido, a temperatura das águas profundas do Pacífico registrou uma elevação constante e espalhada por uma grande área. Além disso, os cientistas identificaram mudanças no comportamento dos ventos e na formação de nuvens de chuva na região da Indonésia e no centro do oceano. Juntos, esses fatores mostram que o oceano e a atmosfera começaram a se conectar para dar início ao fenômeno.
Os principais modelos de previsão concordam que o El Niño deve começar a se desenhar já no próximo mês. Apesar disso, os meteorologistas alertam que, embora a certeza sobre o surgimento do fenômeno tenha aumentado, ainda não é possível saber o quão forte ele será. Os dados estatísticos atuais mostram que nenhuma das categorias de intensidade, seja um El Niño fraco, moderado ou forte, tem mais do que 37% de chance de acontecer, o que deixa o cenário sobre a força do evento totalmente aberto.
Historicamente, os episódios mais intensos de El Niño dependem de uma combinação muito forte entre o calor do oceano e a reação dos ventos durante os meses de meados do ano, algo que os cientistas ainda precisam acompanhar de perto em 2026. Os especialistas lembram que a intensidade do fenômeno não determina diretamente a gravidade dos impactos em cada região. Um El Niño forte não significa necessariamente desastres automáticos, apenas aumenta as chances de que ocorram variações severas de chuva e temperatura pelo mundo.
As informações são da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), adaptadas pela equipe MilkPoint.
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