Especial Leite por Elas, Ana Carolina Lana: "é mais importante ser um bom administrador do que apenas um amante de vacas"

Há menos de um mês para o Dia Internacional das Mulheres, comemorado em 8 de março, o MilkPoint inicia o Especial Leite por Elas, uma série de matérias que dá visibilidade a mulheres que são referência na produção leiteira brasileira, a partir de decisões, experiências e aprendizados construídos no dia a dia da atividade.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O MilkPoint inicia o Especial Leite por Elas, destacando mulheres na produção leiteira brasileira. A primeira entrevistada é Ana Carolina Oliveira Lana, médica-veterinária e gestora da Fazenda São Miguel, em MG, com história familiar na pecuária desde 1945. Ana prioriza a qualidade do leite e manejo das bezerras, implementando protocolos rigorosos. Ela enfatiza a importância da gestão eficiente na atividade e incentiva a presença feminina no setor, apesar de desafios enfrentados. O especial busca novas histórias de mulheres no setor leiteiro.
Há menos de um mês para o Dia Internacional das Mulheres, comemorado em 8 de março, o MilkPoint inicia o Especial Leite por Elas, uma série de matérias que dá visibilidade a mulheres que são referência na produção leiteira brasileira, a partir de decisões, experiências e aprendizados construídos no dia a dia da atividade.

Abrindo o especial, a entrevistada é Ana Carolina Oliveira Lana, médica-veterinária e produtora de leite à frente da gestão da Fazenda São Miguel, localizada em Piranga (MG), na Zona da Mata Mineira. Hoje, Ana administra a propriedade ao lado do pai, Cristiano José Silva Lana, dando continuidade a uma história que atravessa gerações na pecuária leiteira.

Ana Carolina Lana
Ana Carolina Lana, produtora de leite da Fazenda São Miguel

A atividade teve início em 1945, quando o bisavô de Ana Carolina adquiriu a fazenda. Com o passar dos anos, a condução da propriedade passou para o avô, Geraldo Teixeira Lana, até chegar ao pai, Cristiano, que assumiu a liderança em 1989. Foi a partir desse momento que a fazenda iniciou um processo mais consistente de evolução técnica, com a adoção da inseminação artificial e o acompanhamento mensal de médicos-veterinários, o que levou a um rápido melhoramento genético do rebanho.

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Em 2016, Ana Carolina passou a atuar diretamente na rotina da fazenda e, ao longo dos anos, assumiu a gestão da atividade. Desde então, decisões técnicas e administrativas passaram a caminhar juntas, moldando o modelo produtivo atual da Fazenda São Miguel. 

Figura 2
Ana Carolina e seu pai Cristiano

A qualidade começa no nascimento das bezerras

Desde que assumiu a gestão, uma decisão se tornou prioridade: a qualidade do leite e o cuidado rigoroso com o manejo das bezerras. Na Fazenda São Miguel, todo o manejo inicial das fêmeas recém-nascidas segue protocolos bem definidos, com controle da qualidade do colostro, cura de umbigo, atenção ao conforto dos animais, entre outros.

A fazenda trabalha com um colostro de no mínimo 30% no refratômetro de Brix, conta com banco de colostro e, em algumas situações, utiliza colostro em pó. Quando necessário, ele é enriquecido e fornecido por sonda ou mamadeira, de acordo com cada situação.

Os resultados são percebidos no dia a dia: animais mais sadios, menor incidência de doenças, melhor ganho de peso e evolução significativa na recria, refletindo diretamente no desempenho futuro do rebanho.

Bezerras da Fazenda São Miguel

Qualidade do leite é saúde para o rebanho

O mesmo olhar atento se estende à produção de leite. A intensificação do foco em qualidade veio, especialmente, com a entrada do laticínio CCPR (Cooperativa Central dos Produtores Rurais) na região, o que passou a demandar padrões mais elevados. A Fazenda São Miguel já recebia por qualidade, mas, com o apoio da cooperativa, avançou ainda mais nos processos e no controle.

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Atualmente, é realizada a coleta mensal de CCS (Contagem de Células Somáticas) individual de todos os animais, além de acompanhamento contínuo e cultura microbiológica feita dentro da própria fazenda. O manejo de secagem também segue critérios rigorosos, sempre com foco na saúde dos animais.

Para Ana Carolina, a relação é direta: quando a qualidade do leite melhora, a saúde do animal melhora junto. Isso permite que os animais expressem melhor seu potencial produtivo, aumentando a produtividade, reduzindo o uso de antibióticos e gerando economia para a propriedade. A realização de cultura na fazenda possibilita decisões mais precisas sobre quando, de fato, o uso de antibióticos é necessário.

Produção de leite é gestão

Entre rotina, imprevistos e decisões diárias, um aprendizado se consolidou ao longo dos anos. Segundo Ana, “é mais importante ser um bom administrador do que apenas um amante de vacas”. Gostar da atividade é fundamental, mas, sem gestão, não há resultado.

Para ela, a fazenda deve ser tratada como uma empresa — seja ela familiar ou de maior escala. Sem administração eficiente, controle e foco em lucro, a atividade não se sustenta no longo prazo.

Resultado fala mais alto

Quando o tema é a presença feminina na produção de leite, o conselho é direto: não se importar com o que os outros vão dizer. Independentemente de aparência, estilo ou escolhas pessoais, o que realmente importa é o resultado gerado para a fazenda. Mesmo após mais de dez anos de atuação, Ana Carolina reconhece que ainda enfrenta olhares de desconfiança e situações difíceis. Ainda assim, segue fazendo o trabalho do seu jeito, mostrando, na prática, que competência, consistência e resultado são as ferramentas mais fortes para ocupar espaço na atividade.

O Especial Leite por Elas segue aberto para novas histórias. Você conhece uma mulher que faz a diferença na produção leiteira, na gestão ou na técnica dentro da porteira?

Indique nos comentários ou entre em contato com a equipe do MilkPoint e ajude a ampliar as vozes femininas no setor.

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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Sergio
SERGIO

FRANCA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/02/2026

As mulheres estão fazendo a diferença no agro
Raquel Maria Cury Rodrigues
RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

SÃO CARLOS - SÃO PAULO

EM 12/02/2026

Concordo contigo Sérgio. Acredito que as mulheres tenham uma sensibilidade interessante que pode agregar - e muito - na produção leiteira. Obrigada por seu comentário.
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