Especial Leite por Elas, Jamile Casarotto: "é na fazenda que deposito os meus planos futuros e onde construí a minha identidade profissional"

Diferente de muitas histórias que começam na infância, a trajetória de Jamile na pecuária leiteira é recente. Ela chegou à fazenda em 2019. Até então, morava na cidade e tinha pouquíssimo contato com o meio rural. Tudo o que sabe hoje foi aprendido na prática, no enfrentamento da rotina e na busca constante por conhecimento.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 4
Ícone para curtir artigo 12

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
O texto apresenta a história de Jamile Casarotto, produtora da Agropecuária São Matheus em Eugênio de Castro (RS), que, após se mudar para a fazenda em 2019, se dedicou à atividade leiteira. Jamile, junto com sua sogra Susana, implementou mudanças no plantel, focando em reprodução e genética. Através de aprendizado prático e observação, ela se tornou responsável por diversas operações na fazenda. Jamile enfatiza a importância da força feminina no campo sem perder a feminilidade e destaca seu amor pela atividade e compromisso com resultados.
Dando sequência ao Especial Leite por Elas, o MilkPoint apresenta a história de Jamile Casarotto, produtora à frente da Agropecuária São Matheus, localizada em Eugênio de Castro (RS). Ao lado da sogra, Susana Gubert Voigt, Jamile integra a gestão da atividade leiteira e constrói, diariamente, seu espaço na produção.

Figura 1
Susana e Jamile

Diferente de muitas histórias que começam na infância, a trajetória de Jamile na pecuária leiteira é recente. Ela chegou à fazenda em 2019. Até então, morava na cidade e tinha pouquíssimo contato com o meio rural. Tudo o que sabe hoje foi aprendido na prática, no enfrentamento da rotina e na busca constante por conhecimento.

Aprender fazendo — e insistindo

Quando decidiu permanecer na fazenda e investir na atividade, Jamile também assumiu um compromisso pessoal: estudar e se atualizar, especialmente nas áreas de reprodução, genética e criação de bezerras, que na visão dela, são os principais pontos para um plantel saudável no futuro. Naquele momento, o rebanho era composto majoritariamente por vacas mais velhas, e a necessidade de renovação era evidente.

A troca de plantel tornou-se uma das principais estratégias para mudar o cenário produtivo. O processo, no entanto, esteve longe de ser simples. Houve perdas de animais, frustrações e dificuldades reprodutivas — inclusive vacas que não emprenhavam mesmo com protocolos de IATF (inseminação artificial em tempo fixo). No início, a presença de um touro de corte ajudou a evitar resultados ainda mais críticos.

Continua depois da publicidade

A virada começou a se consolidar apenas no final de 2024, com a entrada de novilhas e bezerras mais jovens no sistema. A partir daí, os primeiros reflexos positivos começaram a aparecer. O que hoje se apresenta como estabilidade foi construído com persistência, ajustes constantes e decisões técnicas baseadas em aprendizado contínuo.

Figura 2
Jamile e uma das vacas que foi o xodó da Agropecuária São Matheus, Paquita 
 

Duas mulheres à frente da produção

Enquanto Susana permanece responsável pela parte financeira das vacas e pela nutrição, Jamile assumiu as demais frentes operacionais. Ela atua diretamente no manejo reprodutivo, na aplicação e acompanhamento de protocolos, na identificação de sinais comportamentais das vacas, na administração de medicamentos e até no preparo da ração. Segundo ela, grande parte do aprendizado veio da observação atenta do rebanho.

Continua depois da publicidade

“Aprendi a interpretar o que a vaca ‘diz’ pelas atitudes. A perceber quando ela está bem, quando não está, quando algo precisa ser ajustado”, relata. Para Jamile, o processo de aprendizado é permanente. Sempre que surge uma dúvida ou uma dificuldade, a resposta é buscar informação. O objetivo é claro: melhorar os resultados da fazenda.

Figura 3
Agropecuária São Matheus 

Ser mulher no campo — sem abrir mão de si mesma

Ao falar sobre sua trajetória, Jamile destaca que a força feminina no campo não exige que a mulher abandone sua identidade.

Ela defende que é possível realizar um trabalho duro, técnico e exigente sem abrir mão da feminilidade. “Podemos ser fortes e delicadas ao mesmo tempo. Podemos nos maquiar, nos perfumar, pintar as unhas. Trabalho é uma coisa; autoestima é outra.”

Para ela, o autocuidado não diminui a competência — pelo contrário, fortalece a confiança e a presença na atividade.

Figura 4

Amor pela atividade, compromisso com o resultado

Apesar de não ter crescido na pecuária leiteira, Jamile afirma ter se encontrado na atividade. Foi na fazenda que construiu sua identidade profissional e onde deposita seus planos para o futuro.

O amor pelas vacas é evidente, mas ele caminha ao lado da responsabilidade e da busca por evolução. A mudança do perfil do rebanho, os ajustes reprodutivos e a estabilidade produtiva atual são reflexo de uma decisão clara tomada em 2019: permanecer, aprender e insistir.

O Especial Leite por Elas segue mostrando que a presença feminina na produção leiteira brasileira não é apenas simbólica — ela está na gestão, na técnica, nas decisões e nos resultados dentro da porteira.

Vale a pena ler também: Especial Leite por Elas, Ana Carolina Lana: "é mais importante ser um bom administrador do que apenas um amante de vacas"

Referências bibliográficas

Dando sequência ao Especial Leite por Elas, o MilkPoint apresenta a história de Jamile Casarotto, produtora à frente da Agropecuária São Matheus, localizada em Eugênio de Castro (RS). Ao lado da sogra, Susana Gubert Voigt, Jamile integra a gestão da atividade leiteira e constrói, diariamente, seu espaço na produção.

Diferente de muitas histórias que começam na infância, a trajetória de Jamile na pecuária leiteira é recente. Ela chegou à fazenda em 2019. Até então, morava na cidade e tinha pouquíssimo contato com o meio rural. Tudo o que sabe hoje foi aprendido na prática, no enfrentamento da rotina e na busca constante por conhecimento.

Aprender fazendo — e insistindo

Quando decidiu permanecer na fazenda e investir na atividade, Jamile também assumiu um compromisso pessoal: estudar e se atualizar, especialmente nas áreas de reprodução, genética e criação de bezerras, que na visão de Jamile, são os principais pontos para um plantel saudável no futuro. Naquele momento, o rebanho era composto majoritariamente por vacas mais velhas, e a necessidade de renovação era evidente.

A troca de plantel tornou-se uma das principais estratégias para mudar o cenário produtivo. O processo, no entanto, esteve longe de ser simples. Houve perdas de animais, frustrações e dificuldades reprodutivas — inclusive vacas que não emprenhavam mesmo com protocolos de IATF. No início, a presença de um touro de corte ajudou a evitar resultados ainda mais críticos.

A virada começou a se consolidar apenas no final de 2024, com a entrada de novilhas e bezerras mais jovens no sistema. A partir daí, os primeiros reflexos positivos começaram a aparecer. O que hoje se apresenta como estabilidade foi construído com persistência, ajustes constantes e decisões técnicas baseadas em aprendizado contínuo.

Duas mulheres à frente da produção

Na Agropecuária São Matheus, a condução da atividade leiteira é feita por duas mulheres. Enquanto Susana Gubert Voigt permanece responsável pela parte financeira das vacas e pela nutrição, Jamile assumiu as demais frentes operacionais.

Ela atua diretamente no manejo reprodutivo, na aplicação e acompanhamento de protocolos, na identificação de sinais comportamentais das vacas, na administração de medicamentos e até no preparo da ração. Segundo ela, grande parte do aprendizado veio da observação atenta do rebanho.

“Aprendi a interpretar o que a vaca ‘diz’ pelas atitudes. A perceber quando ela está bem, quando não está, quando algo precisa ser ajustado”, relata.

Para Jamile, o processo de aprendizado é permanente. Sempre que surge uma dúvida ou uma dificuldade, a resposta é buscar informação. O objetivo é claro: melhorar os resultados da fazenda.

Ser mulher no campo — sem abrir mão de si mesma

Ao falar sobre sua trajetória, Jamile destaca que a força feminina no campo não exige que a mulher abandone sua identidade.

Ela defende que é possível realizar um trabalho duro, técnico e exigente sem abrir mão da feminilidade. “Podemos ser fortes e delicadas ao mesmo tempo. Podemos nos maquiar, nos perfumar, pintar as unhas. Trabalho é uma coisa; autoestima é outra.”

Para ela, o autocuidado não diminui a competência — pelo contrário, fortalece a confiança e a presença na atividade.

Amor pela atividade, compromisso com o resultado

Apesar de não ter crescido na pecuária leiteira, Jamile afirma ter se encontrado na atividade. Foi na fazenda que construiu sua identidade profissional e onde deposita seus planos para o futuro.

O amor pelas vacas é evidente, mas ele caminha ao lado da responsabilidade e da busca por evolução. A mudança do perfil do rebanho, os ajustes reprodutivos e a estabilidade produtiva atual são reflexo de uma decisão clara tomada em 2019: permanecer, aprender e insistir.

O Especial Leite por Elas segue mostrando que a presença feminina na produção leiteira brasileira não é apenas simbólica — ela está na gestão, na técnica, nas decisões e nos resultados dentro da porteira.

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 4
Ícone para curtir artigo 12

Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

ANDRE LUIZ COSTA
ANDRE LUIZ COSTA

ESMERALDAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/02/2026

Oi Jamili parabéns muitas vezes é bom saber que jovem acredita na pecuaria de leite.
susanavoigt23@gmail.com
SUSANAVOIGT23@GMAIL.COM

EUGÊNIO DE CASTRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/02/2026

É um grande orgulho ver nosso crescimento sendo reconhecido e principalmente a dedicação da Jamile e seu comprometimento em sempre melhorar e procurar soluções. GRATIDÃO
Jadir
JADIR

JÓIA - RIO GRANDE DO SUL

EM 19/02/2026

Parabéns filha, que Deus te abençoe, você muito forte, continue uma guerreira um beijo.
jamicasarotto1309@gmail.com
JAMICASAROTTO1309@GMAIL.COM

EUGÊNIO DE CASTRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/02/2026

Grata por contarem um pouco da minha história!!
Nós mulheres estamos ganhando cada vez mais espaço no meio, mas nunca devemos esquecer nossa feminilidade!
Qual a sua dúvida hoje?