Naquele momento, o cottage ganhou visibilidade em receitas no TikTok e em dietas ricas em proteína, surfando uma onda mais ampla de interesse por alimentação proteica. À primeira vista, parecia apenas mais uma moda passageira. Mas o cenário evoluiu de forma diferente.
Dados de vendas no varejo nos Estados Unidos mostram que o crescimento se manteve ao longo do tempo. Após atingir seu ponto mais baixo em 2022, com 534,6 milhões de potes (cerca de 253 mil toneladas), o volume avançou 9,4% em 2023, seguido por 12,5% em 2024 e mais 14,3% em 2025 — alcançando aproximadamente 746,6 milhões de potes (ou 353 mil toneladas).
Os dados de consumo per capita do USDA apontam na mesma direção. Depois de cair para 0,87 kg por pessoa em 2022, o consumo voltou a subir, chegando a cerca de 1,07 kg em 2024. Ainda distante dos níveis históricos, mas com uma inflexão clara na tendência. Para a indústria láctea, o movimento se parece menos com um pico isolado e mais com uma demanda estruturalmente mais forte, sustentada ao longo do tempo.
Observadores do setor destacam, inclusive, o caráter incomum dessa recuperação: a produção nos Estados Unidos retornou a níveis próximos aos observados pela última vez na década de 1980 — uma mudança relevante para uma categoria que passou décadas em trajetória oposta.
Uma mudança de percepção
Do ponto de vista do produto, pouco mudou dentro da categoria. A principal transformação ocorreu na forma como o consumidor enxerga o queijo cottage. Chris Ross, vice-presidente sênior de marketing e P&D da HP Hood, defende que os fundamentos do produto sempre foram sólidos. “Acho que o queijo cottage sempre foi um produto incrível. Ele tem muitas qualidades. É nutricionalmente completo, saboroso, flexível e versátil”, afirmou em episódio recente do The Dairy Download Podcast.
Ainda assim, por muito tempo, o produto carregou o estigma de “comida de dieta”, o que limitava seu apelo. “O impulso foi interrompido quando ele passou a ser visto apenas dessa forma”, diz Ross. “Isso o tornou menos dinâmico, menos vibrante”. Essa percepção contribuiu para desacelerar o crescimento, mesmo sem mudanças relevantes no produto em si.
Uma nova geração de consumidores
Mais recentemente, o crescimento tem sido impulsionado por consumidores que não carregam essas associações históricas. Para esse público, o cottage surge como um ingrediente versátil e naturalmente rico em proteína. “Uma nova geração descobriu o produto por conta própria e reagiu de forma diferente: ‘isso não é uma comida ultrapassada, é algo realmente interessante’”, afirma Ross.
As redes sociais ajudaram a reacender o interesse, mas, segundo ele, isso só foi possível porque o produto sustentou essa exposição. “As redes sociais podem ser uma bênção e um fardo, mas, nesse caso, permitiram que as qualidades do cottage fossem amplificadas”, diz. “E isso se conecta com o fato de que as pessoas gostam de criar — especialmente com comida — e o cottage se encaixa muito bem nisso. Se o queijo cottage não fosse bom, ninguém se importaria. Ele não se sustentaria. Os influenciadores amplificaram a mensagem, mas o produto entregou o resultado", completou.
Inovação em embalagem e consumo
As principais mudanças recentes não estão no produto em si, mas na forma como ele é apresentado e consumido. Segundo Ross, ainda há amplo espaço para inovação na categoria. “A superfície foi apenas levemente explorada em relação ao potencial do cottage”, afirma.
Até aqui, o desenvolvimento tem avançado sobretudo em conveniência e ocasiões de consumo: porções individuais, combinações prontas e formatos como dips. “Há oportunidades claras em frutas e também em opções salgadas, sempre com um benefício direto de praticidade para o consumidor”, acrescenta.
Essas inovações aparecem, em geral, em soluções simples para o dia a dia.
“Vemos versões individuais, algumas tradicionais e outras com compartimentos para adicionar frutas, itens salgados ou crocantes. Também começam a surgir extensões como pastas à base de cottage. Os consumidores gostam da praticidade, mas também valorizam a possibilidade de criar suas próprias combinações”, diz Ross. Dentro do portfólio da HP Hood, o queijo cottage deixou de ser um nicho e passou a ocupar um papel central.
“Hoje, é uma das nossas principais categorias e fundamental para a marca”, afirma Ross. "Vemos o cottage como nosso produto estrela junto aos varejistas — uma espécie de âncora para a marca. É um bom problema de se ter, mas a verdade é que não estamos conseguindo acompanhar a demanda”, diz.
No conjunto, os dados indicam que a categoria está menos associada a um fenômeno pontual e mais a uma curva de demanda reconstruída — impulsionada por uma mudança de percepção, amplificada pelas redes sociais e sustentada pela consistência do produto.
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As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas pela Equipe MilkPoint.