Na ocasião, a associação do queijo suíço lançou um livro em homenagem ao casamento de gruyère e café, com degustação, em uma programação que incluiu palestra sobre os benefícios dos queijos de leite cru por Arnaud Sperat Czar, da Fundação Leite Cru, encontro com todos os curadores oficiais da região de Gruyère, esculturas de queijo, degustação e jantar de gala. "Você é brasileira? Eu amo o Brasil, tem uns dos melhores cafés do mundo", me disse o australiano Paul Arnephy, que dirigiu a degustação ao lado do francês François Robin. Ambos têm o título de Meilleur Ouvrier de France (MOF), o primeiro em café e o segundo em queijo.
Foto: Débora Pereira/Carpe Caseus
"Café e queijos tem muitos pontos em comum" disse François, "a qualidade da matéria prima, ou seja, cada terroir tem seu perfil aromático que reflete no resultado final. Não dá para trapacear, achando que qualquer carro vermelho vai ser uma Ferrari. Queijo é leite concentrado, não adianta chamar de gruyère um queijo feito fora da zona protegida na Suíça, ou cujo rebanho come silagem fermentada, comida proibida para as vacas que dão leite para o verdadeiro gruyère" lembrou François.
As dúvidas do público eram inocentes. "Posso comer a casca?". "Teste e veja o que ela acrescenta no seu paladar", respondeu François. Cascas de queijos de massa dura, em geral, vão secar a boca e pedem algo que favorise a produção de saliva, o que vai ser o caso do café. Comi todas.
O primeiro gruyère foi acompanhado de um café da Guatemala, na fronteira com México, uma mistura de grãos de variedade Arábica (caturra, catuai e san Ramon). Na boca, uma sensação quente e salgada derretendo junto com o queijo de 8 meses, que começa a mostrar seu poder.
O segundo gruyère, um queijo do verão de 2025, foi harmonizado com um café gelado, o tal do cold brew, uma infusão prolongada em água fria que demora um dia inteiro para extrair os sabores. O queijo frutado, generoso, amanteigado e levemente picante combinou justo com as notas mentoladas do café, deu vontade de morder mais, de beber mais , indo e vindo no contraste do frescor e do calor.
O terceiro café acompanhou o queijo mais velho, de massa super amarela. O queijo era uma explosão de sabores na boca, umami, fruta fermentada, salgado, quase um pedaço de picanha de tão encorpado. O café era fruto da globalização: 15% de grãos da Etiópia e 80% brasileiro, sendo 60% de café da Mantiqueira de Minas e 25% do Daterra, de denominação de origem protegida do Cerrado. Servido com leite, potencializou as notas lácteas do queijo e terminou a sessão na doçura.
Foto: Débora Pereira/Carpe Caseus
Método para criar alianças
Para quem quer tentar degustações em casa, o melhor é provar primeiro cada um, queijo e café, separadamente. Anote as sensações, os pontos fortes, as palavras e memórias que surgem. Depois prove os dois juntos e veja se eles se dão bem, como dois velhos amigos. Se tem um que fala mais alto que o outro, acontece nos piores casais, talvez não seja uma boa combinação. Como no amor, o ideal é que um potencialize o outro, evidenciando as complexidades, sem massacres sensoriais.
François, que é mestre em esculturas queijeiras, ensinou os lojistas a fazer uma forma geométrica de gruyère. "O ideal é usar um queijo mais jovem, que é mais flexível e não se despedaça, sempre cortando com uma lira", aconselhou.
As informações são do artigo de Débora Pereira do Estadão.
Vale a pena ler também:
Leite de cabra: produtor paraibano conquista ouro com queijo de mofo azul na ExpoQueijo Brasil
Pecuária no nordeste: Festa do Boi avalia gordura e proteína do leite para aumentar rendimento