Para mostrar essa realidade, a Dairy Management Inc. (DMI) lançou a campanha Retratos da Produção Leiteira Moderna, que reúne histórias de sete mulheres de seis fazendas leiteiras dos Estados Unidos. A iniciativa foi lançada em 12 de outubro, em parceria com o programa Good Morning America, e coincide com o Dia Nacional do Agricultor e o Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pelas Nações Unidas.
“Os consumidores querem saber mais sobre a origem dos seus alimentos, mas a maioria nunca terá a oportunidade de passar um tempo em uma fazenda leiteira”, afirma Caroline Krajewski, vice-presidente sênior de Comunicação da DMI. Segundo ela, a campanha aproxima o público da realidade das propriedades e mostra o cuidado e as decisões envolvidos na produção.
Tradição familiar e novas tecnologias
Kyndra Brown cresceu ajudando nas atividades da Moo-View Dairy, fazenda leiteira da família no Texas. Produtora de quarta geração e caçula de quatro irmãs, ela se afastou da propriedade por um período antes de decidir retornar. Hoje, acompanha de perto o comportamento das vacas, observando o consumo de alimentos e água, o descanso e possíveis alterações na saúde dos animais. Também utiliza o celular para consultar dados do rebanho, enquanto seu pai, Joe, ainda registra boa parte das informações em um caderno.
Kyndra atribui ao pai sua paixão pelas vacas e à mãe, Debra, o cuidado com os detalhes da propriedade. Agora, criando o filho de quatro anos na fazenda, espera transmitir às novas gerações o orgulho pelo trabalho realizado. “Se este é o lugar onde adoro vir trabalhar e estes são os animais que amo, quero que ele reflita esse amor”, diz. Ela também participará da Conferência de Negócios da MILK deste ano, nos Estados Unidos, no painel “Liderando o caminho: mulheres impulsionando o setor lácteo”, sobre as contribuições e os desafios das mulheres na atividade.
Uma história construída ao longo de gerações
Na Way-Har Farms, no sudeste da Pensilvânia, Lolly e William Lesher dedicaram quase 75 anos à construção de um negócio que combina produção leiteira e relacionamento com a comunidade. A filha do casal, Jaylene, representa a próxima geração.
Depois de crescer ordenhando vacas, criando bezerros e trabalhando na loja da família, Jaylene estudou, atuou em outra fazenda leiteira e retornou à propriedade. Atualmente, contribui para o programa de genética e melhoramento do rebanho, que conta com cerca de 350 vacas e linhagens que remontam a quase 20 gerações. “É um estilo de vida, mas também é a nossa carreira. É o que escolhemos fazer profissionalmente”, afirma Lolly.
Em 1970, a família abriu uma loja para vender leite, sorvetes e produtos de panificação. O estabelecimento conquistou clientes fiéis e mantém vínculos com a comunidade, inclusive por meio de funcionários que retornaram ao trabalho ou levaram os próprios filhos para integrar a equipe. Agora, os Leshers planejam construir uma nova sala de ordenha e continuar investindo em genética, conciliando a modernização da operação com a preservação de suas raízes.
Sustentabilidade e planejamento para o futuro
Na Long Green Farms, em Rising Sun, Maryland, Alice Crothers combina sua experiência em administração, estratégia de negócios e operações à gestão de uma fazenda familiar de oitava geração. Seu marido, Caleb, retornou à propriedade em 2015.
Em atividade desde 1759, a fazenda possui 160 vacas leiteiras e cerca de 235 hectares. Entre as práticas ambientais estão o uso de um biodigestor de metano para gerar eletricidade renovável, o cultivo de plantas de cobertura e o manejo de dejetos para proteger a água na bacia hidrográfica da Baía de Chesapeake. A propriedade também recicla mais de 90% da areia utilizada nas camas dos animais. “Embora sejamos donos da fazenda, nos vemos como cuidadores, pensando nas gerações futuras e nos nossos filhos”, afirma Alice.
A tecnologia apoia as decisões de gestão, e a família avalia a adoção da ordenha robotizada. Para Alice, porém, os equipamentos devem aprimorar a capacidade de decisão das pessoas, não substituí-la. “A tecnologia não substitui o ser humano. Ela aprimora nossa tomada de decisões”, diz.
Alice e Caleb têm três filhas, com interesses que vão de análise de negócios a atividades ao ar livre e cuidados com animais. Ela espera que as jovens possam escolher livremente se desejam seguir na produção leiteira. “Espero ver a próxima geração escolher essa vida, não por culpa, mas pelo estilo de vida que ela pode proporcionar”, afirma.
Saúde e bem-estar também fazem parte da atividade
Criada na pecuária leiteira da Pensilvânia, Emily Schaapman estudou administração de empresas agrícolas, mas levou algum tempo para encontrar seu espaço no setor. Depois de trabalhar em fazendas na Geórgia e na Flórida, decidiu unir seu interesse pela agricultura à preocupação com saúde e bem-estar.
Em 2018, criou a Dairy Girl Fitness, inicialmente como uma página no Instagram. O projeto cresceu e passou a oferecer treinamento físico e acompanhamento nutricional para mulheres que trabalham na agricultura. “Fazemos muito para ajudar a cuidar desses animais e alimentar o mundo, mas as mulheres também precisam garantir que estão cuidando de si mesmas”, afirma Emily, que também utiliza as redes sociais para comunicar a realidade da produção agropecuária.
Em 2025, ela e o marido, Ruben, retornaram à Schaapman Holsteins, na Geórgia, fundada pelos pais dele após imigrarem da Holanda. A propriedade passou de cerca de 80 vacas, em 1995, para aproximadamente 1.200 vacas leiteiras.
Os familiares dividem as responsabilidades conforme suas especialidades: há integrantes dedicados à saúde do rebanho, aos bezerros, à manutenção, à gestão diária e à nutrição animal. Emily participa das atividades da fazenda e mantém seu trabalho de comunicação, enquanto cria o filho, Teddy, com Ruben. “Quando você para para pensar, percebe como é incrível poder participar do processo de alimentar o mundo”, diz.
Ao recordar sua trajetória, Emily destaca que os períodos de incerteza também foram importantes para encontrar uma atividade com a qual se identifica. “Tudo aquilo que talvez tenha parecido um não, uma porta fechada ou simplesmente a busca por respostas na vida foi o que nos trouxe até aqui”, afirma.
A escolha de permanecer na fazenda
Margaret Johnson cresceu em uma propriedade leiteira familiar no sudeste de Minnesota, onde eram ordenhadas 27 vacas. Depois de estudar comunicação agrícola e realizar um estágio, imaginava construir sua carreira fora da fazenda. A experiência em uma propriedade maior, durante a faculdade, mostrou que sentia falta da atividade. “Acho que uma das coisas que eu gostaria que as pessoas entendessem melhor é que os produtores de leite têm formação acadêmica, e muitos de nós tínhamos outras opções e oportunidades. Nós escolhemos ser produtores de leite”, afirma.
Hoje, Margaret trabalha na Trailside Holsteins com o marido, Michael, e o sogro, Jon. Seu mestrado em agronomia contribui para decisões sobre solo, cultivos e água.
A fazenda utiliza tecnologia monitoramento para acompanhar a atividade das vacas, câmeras nas áreas de alimentação e parto e sistemas automatizados de refrigeração do leite. Os dados ajudam a identificar animais que precisam de atenção e a aprimorar o manejo. “A tecnologia nos proporcionou tranquilidade, sabendo que cada vaca individualmente tem uma forma de se comunicar conosco”, diz Margaret.
A família também produz alimentos para o rebanho, cria novilhas e utiliza esterco como fonte de nutrientes para as lavouras. Como a propriedade fica em uma região de relevo cárstico, onde características geológicas podem facilitar a conexão entre a superfície e as águas subterrâneas, a proteção dos recursos hídricos é uma preocupação importante.
Margaret e Michael criam os filhos na fazenda. O mais velho, Sawyer, já reconhece as vacas individualmente e conhece detalhes sobre sua saúde e linhagem. “Criar meus filhos na nossa fazenda significa tudo para mim. É ter um nível diferente de responsabilidade que eles não teriam de outra forma”, afirma. Embora não espere que os filhos necessariamente sigam a mesma profissão, ela deseja que o setor leiteiro continue oferecendo oportunidades para as próximas gerações.
Tecnologia para conciliar trabalho e vida familiar
Na Hemsteads Holsteins, em Delphos, Ohio, Meagan Hempfling representa a sexta geração de uma família que trabalha com a terra desde 1862. Ela atua ao lado do avô, do pai e do irmão na gestão de cerca de 250 vacas da raça Holandesa.
A propriedade utiliza ordenha robotizada há aproximadamente 12 anos. Quatro robôs permitem que as vacas escolham quando serão ordenhadas, reduzindo o tempo dedicado à tarefa. Os equipamentos monitoram informações como produção de leite, velocidade de ordenha e temperatura corporal, auxiliando na identificação de possíveis problemas de saúde.
Um alimentador automático também mantém ração fresca disponível para o rebanho, reduzindo o trabalho físico e liberando tempo para outras atividades. “A tecnologia nos dá mais tempo para nos concentrarmos no que mais importa: cuidar das nossas vacas e da nossa família, criando a melhor vida possível”, afirma Meagan.
A automação também oferece flexibilidade para conciliar o trabalho no campo com os compromissos familiares. “Se estivermos fazendo alguma coisa no campo, ou se quisermos assistir aos jogos de futebol dos nossos filhos, podemos ajustar um pouco os horários”, conta.
Para ela, trabalhar com a família é um dos aspectos mais gratificantes da atividade. Enquanto se prepara para o casamento, Meagan também pensa no futuro da fazenda e em como a tecnologia poderá ajudar a próxima geração a melhorar o manejo e equilibrar a vida profissional e pessoal.
As pessoas por trás da produção leiteira
As histórias reunidas pela campanha mostram diferentes formas de contribuição das mulheres para a pecuária leiteira, da genética e do manejo à sustentabilidade ambiental, à gestão e à comunicação com os consumidores.
Para Marilyn Hershey, presidente da DMI, a iniciativa ajuda a mostrar como a atividade leiteira evoluiu e quais decisões fazem parte da rotina das propriedades. “Os produtores rurais sabem o quanto a produção leiteira mudou e o quanto pensamos nas decisões que tomamos todos os dias, mas os consumidores nem sempre têm a oportunidade de ver isso”, afirma. “Essa iniciativa nos permite abrir nossas portas de uma maneira diferente e mostrar às pessoas como é a produção leiteira de verdade hoje em dia.”
Ao dar visibilidade a essas produtoras, a campanha destaca uma atividade que combina experiência, inovação e planejamento. Mais do que preservar tradições, dar continuidade às fazendas leiteiras envolve aprimorar a gestão e criar condições para que as próximas gerações possam escolher se querem seguir esse caminho.
As informações são do Dairy Herd, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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