Os governos eleitos em todas as esferas receberão uma minuta com as demandas do setor leiteiro. O propósito é impulsionar um dos principais setores da economia gaúcha, com foco em políticas públicas que fortaleçam a atividade e ampliem a competitividade.
A redação do documento segue nesta quinta-feira, 15 de outubro. “Chegamos [...] com o desafio de provocar os governos para que olhem mais a fundo para o setor leiteiro, esse que é um dos pilares da economia gaúcha e tem demandas urgentes para seguir vivo e crescendo”, assinalou Darlan Palharini, secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS).
Palharini também lembrou que os governos federal e estadual têm responsabilidades fundamentais na formulação e na execução de políticas públicas para o setor. “É evidente que precisamos de políticas estruturantes, que garantam competitividade, segurança e perspectivas de longo prazo para a produção leiteira”. Um trabalho que pode ser feito, garante ele, em conjunto com os municípios. “Conhecem a realidade dos seus produtores, suas dificuldades e suas potencialidades. E, a partir desse conhecimento, podem desenvolver programas, estabelecer parcerias, oferecer assistência e criar iniciativas que façam a diferença”, afirmou. Compromisso compartilhado com o prefeito de Ijuí, Andrei Cossetin: “o agro é um dos pilares da nossa economia. Que daqui saiam diretrizes e documentos para cobrar dos municípios, do estado e da união”.
Na avaliação do vice-presidente do Sindilat/RS, Alexandre Guerra, no aspecto da competitividade a pauta deve trazer a necessidade de investimentos em tecnologia, eficiência produtiva, infraestrutura, inovação e sanidade animal de olho no mercado internacional. “O Rio Grande do Sul tem condições de ampliar sua participação no mercado nacional e externo de lácteos, e precisamos trabalhar para que esse potencial se transforme em resultados”, afirmou o também representante da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Citando recentes levantamentos da Emater/RS que indicam a saída de produtores da atividade leiteira e o que avalia suas motivações, Claudinei Baldissera, enfatizou a necessidade de que as políticas públicas sejam integradas e vislumbrem a fixação na produção.
Em termos de políticas do governo RS, citou iniciativas relacionadas à irrigação e à recuperação dos solos, além da importância da extensão rural e da sucessão familiar. “A atuação conjunta entre municípios, governos estadual e federal, pesquisa e assistência técnica é essencial para enfrentar os desafios e criar condições para que os jovens encontrem oportunidades na atividade leiteira”, destacou.
Representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Milton Bernardes informou que há disposição para dialogar sobre o futuro do Programa Mais Leite Saudável, descontinuado pelas mudanças da Reforma Tributária, com efeito nos aportes no campo. Ele destacou que a união iniciou articulações para construir uma nova política nacional voltada ao setor leiteiro, reunindo entidades representativas, confederações, Embrapa Gado de Leite e representantes dos estados. “Que a gente consiga construir políticas para estancar essa redução de produtores no campo além de recuperar os patamares superiores de produção no RS”, afirmou.
Já o secretário-adjunto de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Alexandre Scheifler, defendeu investimentos e o fortalecimento de programas como o Pronaf e o Bônus Mais Leite. Segundo o representante do executivo gaúcho, essas iniciativas criam condições para investir nas propriedades e melhorar a eficiência produtiva. O secretário estadual da Agricultura, Márcio Madalena, por sua vez, chamou a atenção para os desafios comerciais, incluindo impactos para o leite devido ao acordo do Mercosul. Ele defendeu políticas de proteção ao produtor e o fortalecimento da presença dos lácteos gaúchos nos mercados.
“Um dos grandes desafios é transformar o leite em um ativo de exportação”, afirmou Madalena. Para ele, ampliar a participação comercial exige investimentos em tecnologia, atenção à sanidade e condições para manter as famílias na atividade.
Foto: Ike Fabrin
As informações são do Sindilat.
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