No 387º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado em 2 de setembro, o preço médio dos produtos negociados recuou para US$ 4.043 por tonelada. O evento foi marcado por fortes quedas nas cotações, apesar do volume significativamente maior de vendas.
Gráfico 1. Preço médio leilão GDT
O leite em pó integral (LPI), principal referência do mercado, registrou queda de 5,3%, cotado a US$ 3.809 por tonelada, após dois meses sem registros de recuos. O leite em pó desnatado (LPD) seguiu a mesma tendência, com retração de 5,8%, fechando a US$ 2.620 por tonelada, ampliando a queda já observada no segundo leilão de agosto.
Gráfico 2. Preço médio LPI
O Cheddar, que vinha acumulando cinco quedas consecutivas, destoou do comportamento geral do leilão e foi o único produto a apresentar valorização. Seu preço subiu 3,6%, alcançando US$ 4.709 por tonelada.
Em contrapartida, todos os demais produtos registraram retração. A gordura anidra do leite, que havia se mantido estável ao longo de agosto, recuou 2,6% neste primeiro evento de setembro. A manteiga prolongou sua sequência negativa, chegando à quinta queda consecutiva, desta vez de 2,5%. Já a muçarela manteve a mesma tendência baixista, acumulando a sexta queda seguida, com desvalorização de -4,6%.
A lactose seguiu não sendo negociada neste evento.
A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.
Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 02/09/2025.
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Produto |
Preço (tonelada) |
Variação |
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Leite em pó integral |
US$ 3.809 |
- 5,3% |
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Leite em pó desnatado |
US$ 2.620 |
- 5,8% |
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Cheddar |
US$ 4.709 |
3,6% |
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Manteiga |
US$ 6.969 |
- 2,5% |
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Mozzarela |
US$ 4.244 |
- 4,6% |
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Índice GDT |
US$ 4.043 |
- 4,3% |
Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.
Volume negociado mostra certo padrão
O volume negociado neste leilão somou 41,4 mil toneladas, um aumento significativo de 13,4% em relação ao último evento. Já em relação ao evento correspondente no ano passado, o aumento é de 8,1%. Este é o maior volume desde novembro de 2018.
Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.
Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.
Impacto nos contratos futuros
Os contratos futuros de leite em pó na NZX registraram nova queda nos preços projetados para os próximos meses, com a tendência baixista se estendendo até dezembro de 2025. As cotações apontam para uma recuperação nos preços apenas a partir de janeiro, período em que, historicamente, a produção começa a recuar na Nova Zelândia, resultando em uma oferta mais restrita.
Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).
Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2025.
E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
A forte queda nos preços do GDT tem relação com o início da safra de leite na Nova Zelândia, principal player do comércio internacional do setor. Historicamente, entre julho e agosto, a produção no país cresce em média 350%, ampliando de forma expressiva a oferta global e pressionando a relação entre oferta e demanda. Esse movimento se soma a outros fatores relevantes: nos Estados Unidos, onde tradicionalmente a produção recua em agosto, há sinais de reversão da tendência, com possibilidade de aumento neste ano; já na União Europeia, a disponibilidade de leite também segue elevada, reforçando o cenário de maior oferta no mercado internacional.
Esses fatores podem influenciar o mercado brasileiro, uma vez que os principais parceiros comerciais, Argentina e Uruguai, tendem a seguir a tendência do GDT, e também estão em período de maior produção de leite, reduzindo preços e impactando a competitividade dos produtos nacionais. Em contrapartida, os volumes de leite em pó do Mercosul destinados ao leilão ONIL, da Argélia, contribuíram para a redução da oferta regional, devido aos menores volumes em estoques. Internamente, o aumento da captação formal de leite também pressiona os preços, o que pode balancear a competitividade dos produtos brasileiros.
Outro elemento a ser monitorado é a taxa de câmbio: caso o dólar permaneça próximo a R$ 5,40, os produtos importados tendem a ser favorecidos, ampliando a concorrência no mercado interno.