Gráfico 1: Preço médio leilão GDT
Fonte: Global Dairy Trade (GDT)
Entre os derivados, o leilão concentrou quedas nas cotações. A gordura anidra do leite registrou o recuo mais expressivo do evento, com queda de 9,6%, sendo negociada a USD 6.357/tonelada, indicando um ajuste após patamares mais elevados. A manteiga também apresentou retração relevante, de 7,9%, com preço médio de USD 5.702/tonelada.
Nos leites em pó, o comportamento foi misto. O leite em pó integral (LPI) registrou estabilidade, com leve recuo de 0,6%, cotado a USD 3.666/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) avançou 3,2%, atingindo USD 3.448/tonelada, refletindo dinâmicas distintas de oferta e demanda entre os produtos.
Gráfico 2. Preço médio LPI
Entre os queijos, a muçarela apresentou queda de 3,1%, sendo negociada a USD 3.850/tonelada, enquanto o cheddar registrou leve alta de 1,1%, com preço médio de USD 4.798/tonelada. Já a lactose se destacou positivamente, com valorização de 7,2%, atingindo USD 1.573/tonelada, sendo o derivado com maior avanço no leilão.
Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 21/04/2026
|
Produto |
Preço (tonelada) |
Variação |
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Leite em pó integral |
US$ 3.666 |
-0,6% |
|
Leite em pó desnatado |
US$ 3.448 |
3,2% |
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Cheddar |
US$ 4.798 |
1,1% |
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Muçarela |
US$ 3.850 |
-3,1% |
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Manteiga |
US$ 5.702 |
-7,9% |
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Gordura anidra do Leite |
US$ 6.357 |
-9,6% |
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Índice GDT |
US$ 4.143 |
-2,7% |
Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.
Em relação ao volume negociado, o leilão registrou retração frente à edição anterior, com queda de 9,1%, totalizando 14.993 toneladas comercializadas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume também foi inferior, com recuo de 10,3%, refletindo uma menor disponibilidade de produtos no mercado internacional e um cenário de negociações mais moderadas. Do lado da demanda, o número de participantes foi de 160 no último leilão para 147, mostrando uma certa desaceleração da demanda.
Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.
Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2026.
Impacto nos contratos futuros
Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) voltaram a se valorizar no final de abril. Os contratos com vencimento entre maio e julho apresentaram recuperação nos preços após os recuos observados nas últimas sessões.
Esse movimento reflete, por um lado, a continuidade de um cenário de oferta internacional mais ajustada, o que dá suporte às cotações. Por outro, a pressão no curto prazo vinha sendo influenciada por um ambiente global de maior incerteza, associado às tensões geopolíticas. Com sinais recentes de trégua entre os países envolvidos, observa-se uma redução dessa pressão, contribuindo para a retomada dos preços futuros.
Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)
Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2026.
E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
A sequência recente de recuos no GDT indica um momento de maior cautela no mercado internacional, após o ciclo de altas observado anteriormente. Esse movimento reduz a sustentação dos preços globais, especialmente para o leite em pó, e tende a aumentar a competitividade do produto importado no Mercosul, com reflexos nas negociações no Brasil.
No cenário global, a combinação entre ajuste sazonal da oferta em importantes regiões exportadoras e uma postura mais cautelosa dos compradores, em meio às incertezas geopolíticas, tem contribuído para um ambiente de preços mais pressionados. Ainda assim, os sinais observados nos contratos futuros indicam que esse movimento pode ser transitório, com possibilidade de recomposição no curto prazo.
No Brasil, os derivados começam a refletir esse contexto, com sinais de correção após semanas consecutivas de alta. Apesar disso, o mercado doméstico ainda encontra suporte na menor disponibilidade de leite típica da entressafra, o que tende a suavizar quedas mais intensas.
Por fim, o câmbio adiciona um fator relevante a essa dinâmica. Com o dólar em patamares mais baixos, a competitividade dos produtos importados aumenta, podendo reforçar o fluxo de importações e limitar avanços nos preços internos. Dessa forma, o mercado brasileiro deve seguir em um ambiente mais equilibrado no curto prazo, com movimentos condicionados à evolução do cenário internacional, da oferta doméstica e das condições de importação.
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