Aumento do volume de leite na Europa pressiona mercados globais

O avanço da produção de leite nos Estados Unidos e na Europa tem ampliado a oferta global e pressionado os preços internacionais. Entenda como o movimento aumenta a competitividade entre exportadores e ajuda a explicar os desafios e reflexos desse cenário para o mercado brasileiro.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O mercado global de lácteos enfrenta forte pressão devido à alta oferta de leite, principalmente nos EUA e na Europa. A produção nos EUA cresceu 4,1% a 5,3% de julho a outubro de 2025, enquanto a União Europeia viu aumentos de até 6,8% em outubro. Essa abundância resultou em queda significativa nos preços internacionais, com retrações de até 44% na manteiga. A intensa competição entre exportadores, principalmente EUA e Europa, afeta o mercado brasileiro, que pode enfrentar maior pressão competitiva e desafios para os produtores locais.

O mercado global de lácteos atravessa um período de forte pressão, marcado por uma alta oferta de leite nos principais países produtores, inclusive nos Estados Unidos e na Europa. 

Dados recentes mostram que a produção alcançou níveis excepcionalmente altos em 2025, derrubando preços e intensificando a competição internacional por mercados.

Aumento de oferta nos Estados Unidos

Nos EUA, a produção de leite cresceu de forma constante ao longo do segundo semestre de 2025, registrando avanços expressivos em relação ao mesmo mês no ano anterior:

  • +4,1% em julho,
  • +3,4% em agosto,
  • +3,8% em setembro,
  • +3,7% em outubro.

Esse foi o maior crescimento médio trimestral desde 2012, evidenciando não apenas maior produtividade, mas também uma expansão da oferta em praticamente todos os principais estados produtores. 

Com esse volume adicional, o país mantém alguns dos produtos lácteos mais competitivos do mundo, fator determinante para sustentar as exportações diante do cenário global desafiador.
 

Europa acelera e registra crescimentos históricos

Na outra ponta do Atlântico, a União Europeia teve um início de ano moderado, mas a curva mudou completamente a partir do outono europeu (a partir de setembro). De janeiro a agosto, a produção andou próxima aos números de 2024, porém setembro mostrou alta de 4,2% e outubro atingiu impressionantes 5,3%. Quando se inclui o Reino Unido, o avanço chega a 5,5% na comparação anual.

A expansão se reúne nas principais bacias leiteiras (Para outubro/2025):

  • Alemanha: +6,8%,
  • França: +5,3%,
  • Reino Unido: +6,8%,
  • Holanda: +7,8%,
  • Polônia: +4,4%.

Enquanto os produtores entregam mais leite, a indústria europeia trabalha a todo vapor para absorver o excedente. De janeiro a setembro, a produção de manteiga cresceu 4,7% e a de queijos aumentou 1,6%. Já o leite em pó desnatado (SMP), estável na maior parte do ano, ganhou força com o aumento súbito da produção de leite, elevando a atividade das empresas que secam leite nos últimos meses.

O efeito imediato: preços derretem

A consequência direta desse excedente global foi um choque negativo nos preços internacionais. Na Europa, a retração é significativa:

  • Manteiga: –44% em 12 meses,
  • Queijos: –30% desde dezembro de 2024,
  • SMP: –22% no mesmo período.

A forte competição, especialmente entre exportadores europeus e norte-americanos, intensifica a pressão para que os preços permaneçam baixos — e possivelmente caiam ainda mais — à medida que comerciantes europeus buscam reconquistar mercados perdidos em 2024 e 2025.

No mercado norte-americano, o quadro também revela impactos da oferta abundante. Em novembro de 2025, os preços de referência fecharam em:

  • Classe III: US$17,18/cwt,
  • Classe IV: US$ 13,89/cwt,

Ambos estão em patamares que refletem a dificuldade em sustentar margens diante da pressão internacional.

Competição intensa no mercado internacional

Com produtos mais baratos, os Estados Unidos seguem bem posicionados para abastecer mercados importadores. Porém, a estratégia americana depende da capacidade de manter preços baixos, já que a Europa demonstra clara intenção de recuperar espaço, especialmente em categorias como manteiga, SMP e queijos.

Essa disputa acirrada cria um ambiente altamente competitivo para exportadores globais, com impactos diretos sobre destinos como América Latina, África do Norte, Sudeste Asiático e Oriente Médio — regiões sensíveis a variações de preço e que costumam ajustar fornecedores conforme o momento.

O que esse cenário significa para o mercado brasileiro?

Embora o relatório não trate diretamente do Brasil, seus efeitos são inevitáveis. Entre os desdobramentos esperados estão:

  1. Risco de maior pressão competitiva externa, já que o avanço dos EUA e da Europa em outros mercados pode levar Argentina e Uruguai — também com oferta elevada e sem barreiras tarifárias — a voltar a mirar o Brasil. Isso ocorre mesmo com a nossa oferta interna já bastante alta, que até aqui vinha reduzindo o interesse desses países pelo mercado brasileiro.

  2. Pressão sobre os preços internos, especialmente de lácteos industrializados e derivados de leite em pó.

  3. Desafios para produtores brasileiros, cuja rentabilidade já é afetada por custos elevados.

O ano de 2025 se encaminha para ser marcado por uma das maiores expansões simultâneas de oferta láctea, seja no Brasil, na América do Sul, nos EUA e na Europa dos últimos anos. Com um verdadeiro “tsunami” de leite inundando o mercado, os preços internacionais desabam e a disputa pelo consumidor global se intensifica.

Para países como o Brasil, entender esse movimento é fundamental para tomar decisões estratégicas, seja na gestão da produção, na política de importações ou na competitividade da indústria local.

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Material escrito por:

Stephanie Gonsales

Stephanie Gonsales

Zootecnista formada pela Universidade Estadual de Maringá e pós-graduada em Gestão do Agronegócio. Responsável pela Equipe de Conteúdo do MilkPoint.

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