O projeto é resultado de uma década de pesquisas e reúne recomendações sobre gramíneas perenes, gramíneas anuais, palma forrageira e leguminosas adaptadas às diferentes condições do Semiárido. O objetivo é orientar pequenos e médios produtores na escolha das forrageiras mais adequadas para cada região, aumentando a disponibilidade de alimento para o rebanho, reduzindo custos e fortalecendo a rentabilidade da atividade.
Durante o lançamento, o presidente da CNA, João Martins, afirmou que a iniciativa pode contribuir para que o Semiárido volte a ganhar protagonismo na produção de leite brasileira, desde que haja maior apoio aos pequenos e médios produtores.
Segundo ele, a produção leiteira mundial é sustentada majoritariamente por propriedades familiares, com rebanhos entre 50 e 60 animais, responsáveis pela geração de renda de milhares de famílias rurais. "Esses produtores precisam reduzir custos e investir em tecnologia para permanecerem competitivos", afirmou.
Martins defendeu que o projeto vai além do aumento da produtividade. Para ele, a proposta também busca promover transformação social no campo, criando oportunidades para pequenos produtores e reduzindo a concentração de renda no agronegócio. Atualmente, segundo o dirigente, menos de 10% dos produtores concentram cerca de 80% da renda gerada pelo setor.
Cardápio reúne espécies adaptadas ao Semiárido
De acordo com Alenilda Carvalho, coordenadora do Projeto Forrageiras para o Semiárido, o estudo avaliou, ao longo de dez anos, diferentes combinações de variedades de capins, gramíneas anuais e palma forrageira. "Mesmo dentro de um mesmo bioma existem diferenças importantes entre as regiões. Por isso, além do guia, vamos percorrer municípios do Semiárido apresentando os resultados aos produtores para que possam adaptar os modelos às suas propriedades", explicou.
Na primeira fase do projeto foram avaliadas 30 espécies forrageiras, incluindo 12 gramíneas perenes, sete variedades de palma forrageira, oito gramíneas anuais e três leguminosas arbóreas.
O guia orienta a escolha e combinação dessas espécies considerando fatores como tolerância à seca, exigência de fertilidade, produtividade, resistência a pragas e manejo do pastejo. Outro conceito apresentado é o da "poupança forrageira", que incentiva a formação de reservas estratégicas de alimento por meio da utilização de variedades de palma mais produtivas e resistentes, garantindo alimentação ao rebanho durante os períodos de estiagem.
Alimentação representa vantagem competitiva
Para João Martins, a alimentação baseada em pastagens tropicais continua sendo um dos principais diferenciais competitivos da pecuária leiteira brasileira, por permitir custos inferiores aos observados em países como Estados Unidos e na Europa.
No Semiárido, porém, essa estratégia precisa ser adaptada às condições climáticas. Segundo ele, a combinação entre palma forrageira, silagem e feno é essencial para garantir oferta de alimento durante a seca e reduzir os impactos das estiagens sobre a produção de leite.
Dias de campo
A difusão das recomendações será feita por meio do Rally Forrageiras, que promoverá dias de campo entre agosto e novembro nos municípios de Nossa Senhora da Glória (SE), Monteirópolis (AL), Venturosa (PE), Angicos (RN), Montes Claros (MG), Paulistana (PI), Colinas (MA), Assunção (PB) e Ibaretama (CE).
Durante os encontros, os participantes receberão o Guia de Bolso Forrageiras para o Semiárido, que também ficará disponível na plataforma Senar Play. Produtores interessados em receber orientação técnica poderão procurar os sindicatos rurais da região.
As informações são do Globo Rural, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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