Foto: X / @alsafiarabia
Nascida do sonho de garantir a independência alimentar do país na década de 1970, a propriedade da companhia Almarai produz atualmente cento e setenta milhões de litros de leite por ano, operando com uma infraestrutura logística e tecnológica equivalente à de uma verdadeira cidade no meio da areia para abastecer toda a Península Arábica.
A complexidade desta gigantesca operação impressiona, visto que tudo precisa ser meticulosamente controlado para garantir a alta produtividade sob o forte calor. A fazenda conta com um robusto sistema de irrigação subterrânea que utiliza poços profundos para garantir tanto o consumo animal quanto o cultivo interno de forragens essenciais para a dieta do rebanho, como alfafa, cevada e milho.
Foto: Clayton Buckley
Para assegurar o bem-estar, as vacas vivem em galpões climatizados com ventilação automatizada e névoa de resfriamento. Além disso, cada animal carrega sensores que monitoram dados de saúde e produção em tempo real, enquanto o sistema de ordenha opera em turnos ininterruptos para extrair o leite de milhares de matrizes simultaneamente.
Em vez de apenas extrair a matéria-prima, a Al Safi adota o modelo logístico da fazenda até a prateleira, contando com uma planta industrial integrada que processa, pasteuriza e embala os produtos no próprio local. A fábrica produz leite fluido, iogurtes e queijos que são distribuídos diariamente por uma vasta frota de caminhões refrigerados, mantendo uma cadeia de frio impecável no deserto.
Foto: Google Maps
Mesmo com os altos níveis de consumo hídrico exigidos, a fazenda minimiza seus impactos ambientais através de sistemas de recirculação de água, sensores de umidade do solo e o uso de matrizes energéticas renováveis, incluindo painéis solares e uma usina de biogás alimentada pelos resíduos orgânicos, firmando-se como um modelo de eficiência tecnológica elogiado por órgãos internacionais de segurança alimentar.
O sucesso absoluto do modelo saudita de autossuficiência tem inspirado outras nações a investirem pesadamente em infraestruturas extremas, transformando terras inóspitas em polos produtivos. A Argélia, por exemplo, avança na construção de um dos maiores complexos leiteiros do mundo em pleno deserto do Saara, seguindo essa tendência tecnológica.
O novo projeto prevê a incorporação progressiva de 270 mil vacas, o cultivo de forragens em uma área agrícola de aproximadamente 117 mil hectares e a produção anual de até 100 mil toneladas de leite em pó. O investimento está avaliado em aproximadamente US$ 3,5 bilhões e será financiado conjuntamente pelo Fundo Nacional de Investimentos da Argélia e pela empresa de laticínios catariana Baladna Q.P.S.C. O complexo será instalado na província de Adrar, situada no sudoeste da Argélia e dentro de uma das regiões mais áridas do Saara. Sua escala, localização e nível de integração fazem dele uma iniciativa pouco comum até mesmo dentro da agricultura industrial.
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