O oásis do leite no deserto: como a fazenda Al Safi produz 170 mihões de litros/ano

Operando como uma cidade autossuficiente no deserto, a gigante agroindustrial produz 170 milhões de litros de leite por ano e inspira inovações globais.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
A fazenda de laticínios Al Safi, localizada em Al-Kharj, Arábia Saudita, é a maior do setor, com 50 mil vacas holandesas e produção anual de 170 milhões de litros de leite. A operação utiliza tecnologia avançada, incluindo irrigação subterrânea e galpões climatizados, e adota um modelo logístico que vai da produção ao consumidor. A fazenda também implementa práticas sustentáveis, como recirculação de água e energia renovável. O sucesso inspirou projetos semelhantes em outros países, como a Argélia, que planeja um grande complexo leiteiro no deserto do Saara.
No coração do deserto da Arábia Saudita, onde as temperaturas ultrapassam frequentemente os 45 graus, a engenharia agrícola moderna encontrou uma forma de contornar a hostilidade do clima. Localizada em Al-Kharj, a cerca de cem quilômetros da capital Riad, a fazenda de leite Al Safi é reconhecida mundialmente como a maior estrutura integrada do setor, abrigando um impressionante rebanho de cinquenta mil vacas da raça holandesa.

O oásis do leite no deserto: como a fazenda Al Safi produz 170 mihões de litros/ano

Foto: X / @alsafiarabia

Nascida do sonho de garantir a independência alimentar do país na década de 1970, a propriedade da companhia Almarai produz atualmente cento e setenta milhões de litros de leite por ano, operando com uma infraestrutura logística e tecnológica equivalente à de uma verdadeira cidade no meio da areia para abastecer toda a Península Arábica.

Continua depois da publicidade

A complexidade desta gigantesca operação impressiona, visto que tudo precisa ser meticulosamente controlado para garantir a alta produtividade sob o forte calor. A fazenda conta com um robusto sistema de irrigação subterrânea que utiliza poços profundos para garantir tanto o consumo animal quanto o cultivo interno de forragens essenciais para a dieta do rebanho, como alfafa, cevada e milho.

O oásis do leite no deserto: como a fazenda Al Safi produz 170 mihões de litros/ano

Foto: Clayton Buckley

Para assegurar o bem-estar, as vacas vivem em galpões climatizados com ventilação automatizada e névoa de resfriamento. Além disso, cada animal carrega sensores que monitoram dados de saúde e produção em tempo real, enquanto o sistema de ordenha opera em turnos ininterruptos para extrair o leite de milhares de matrizes simultaneamente.

Em vez de apenas extrair a matéria-prima, a Al Safi adota o modelo logístico da fazenda até a prateleira, contando com uma planta industrial integrada que processa, pasteuriza e embala os produtos no próprio local. A fábrica produz leite fluido, iogurtes e queijos que são distribuídos diariamente por uma vasta frota de caminhões refrigerados, mantendo uma cadeia de frio impecável no deserto.

O oásis do leite no deserto: como a fazenda Al Safi produz 170 mihões de litros/ano

Foto: Google Maps

Mesmo com os altos níveis de consumo hídrico exigidos, a fazenda minimiza seus impactos ambientais através de sistemas de recirculação de água, sensores de umidade do solo e o uso de matrizes energéticas renováveis, incluindo painéis solares e uma usina de biogás alimentada pelos resíduos orgânicos, firmando-se como um modelo de eficiência tecnológica elogiado por órgãos internacionais de segurança alimentar.

O sucesso absoluto do modelo saudita de autossuficiência tem inspirado outras nações a investirem pesadamente em infraestruturas extremas, transformando terras inóspitas em polos produtivos. A Argélia, por exemplo, avança na construção de um dos maiores complexos leiteiros do mundo em pleno deserto do Saara, seguindo essa tendência tecnológica.

O novo projeto prevê a incorporação progressiva de 270 mil vacas, o cultivo de forragens em uma área agrícola de aproximadamente 117 mil hectares e a produção anual de até 100 mil toneladas de leite em pó. O investimento está avaliado em aproximadamente US$ 3,5 bilhões e será financiado conjuntamente pelo Fundo Nacional de Investimentos da Argélia e pela empresa de laticínios catariana Baladna Q.P.S.C. O complexo será instalado na província de Adrar, situada no sudoeste da Argélia e dentro de uma das regiões mais áridas do Saara. Sua escala, localização e nível de integração fazem dele uma iniciativa pouco comum até mesmo dentro da agricultura industrial.

Vale a pena ler também:

Captação de leite bate recorde no 2º tri mas ritmo de expansão desacelera, aponta IBGE

Biosseguridade na prática: Colorado chega a quase 80% das vacas sem antibióticos na secagem

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?