No dia 13 de setembro aconteceu o sacrifício de cabeças de gado em maior escala da história de Francisco Beltrão, Paraná. No total, 42 vacas (30 com brucelose e 12 com tuberculose) foram levadas para o abate sanitário como medida de prevenção à proliferação das zoonoses. Antes disso, no mês de agosto, 15 animais já haviam sido sacrificados pelo mesmo motivo. Nesta semana, esse montante vai aumentar, pois outras 25 cabeças de gado serão sacrificadas (21 com tuberculose e 4 com brucelose).
“Na história de Francisco Beltrão, nunca se verificou um sacrifício de tantos animais. Mas isso não significa que o município está tendo problemas com a zoonose. O que acontece é que aqui está sendo feito algo jamais visto em todo o Paraná, que é a preocupação com a prevenção dessas doenças. A tuberculose e a brucelose existem nos rebanhos em qualquer parte do estado, mas nem todo mundo faz os exames”, comenta Fábio Monteiro, médico veterinário responsável pela Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) de Francisco Beltrão.
A Secretaria de Desenvolvimento Rural está revolucionando o jeito de trabalhar com leite no município. Até o final do ano, a expectativa é de fazer mais de 50 mil exames de tuberculose e brucelose nas mais de 2.700 propriedades rurais que trabalham com leite. Para se ter uma ideia da grandiosidade desta ação, no ano passado foram feitos menos de 100 mil exames deste tipo em todo o Paraná. Segundo a secretária de Desenvolvimento Rural de Francisco Beltrão, Daniela Celuppi, mais de R$ 500 mil serão investidos no subsídio de exames. “Fizemos a chamada pública e agora temos 17 médicos veterinários passando nas propriedades para fazer os exames. Vamos conseguir chegar bem próximo do 100% de nosso rebanho. Tudo isso vai representar uma melhora significativa na qualidade do leite de nosso município, sem contar a questão da saúde, pois as famílias podem pegar essas zoonoses em contato com os animais”, disse Daniela, num encontro em Curitiba, no início do mês, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que tratou do assunto.
“Em relação à tuberculose, a única forma de prevenir é detectar os animais contaminados e eliminá-los do rebanho. No caso da brucelose, é feito o mesmo procedimento, mas existe também a vacina para as novilhas, o que também ajuda”, complementa Fábio Monteiro. Segundo ele, antes alguns produtores não faziam os exames porque achavam um investimento muito alto. “Não existe mais essa desculpa, pois o município está dando um subsídio e o veterinário está indo até a propriedade, sem deixar escapar uma sequer. O produtor tem que entender que é mais barato eliminar uma vaca do rebanho do que, mais tarde, precisar perder dezenas, pois uma acaba contaminando a outra. Sem contar o risco à saúde da família, que está em contato com os animais todos os dias”, acrescenta o médico veterinário.
Mais sacrifício
Como o trabalho desses 17 veterinários está apenas no começo — eles iniciaram os exames em agosto —, outras dezenas de cabeças de gado devem ser sacrificadas até o final do ano. Até o momento, 78 propriedades rurais já tiveram exames com suspeita de animais infectados por tuberculose ou brucelose. No total, são 192 animais nesta situação que ainda podem ser abatidos. Mas esses números devem aumentar com o tempo, pois o trabalho continua. “No caso da tuberculose, assim que o exame dá positivo, demora em torno de 60 dias para sair o resultado do segundo teste. Essa segunda etapa é que confirma se o animal precisa ser sacrificado ou não. No caso da brucelose, o processo demora em torno de uma semana”, afirma Fábio Monteiro.
Como é feito o abate
Há duas formas de sacrificar o animal. Uma é entrar em contato com a Prefeitura para abrir as valas na propriedade e com a Polícia Militar para executar os animais a tiro. Em seguida, eles são enterrados. A segunda forma, e mais adequada, é levar para um abate sanitário. O sacrifício é feito com todo o acompanhamento do serviço oficial de inspeção veterinária, garantindo todos os aspectos sanitários. Se aproveita apenas parte das entranhas do animal, que é utilizada para fazer graxaria.
As informações são do Jornal de Beltrão, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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