A Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Educação Superior do Oeste (CEO), desenvolve o projeto Maturando Lembranças para resgatar e registrar a história da colonização do Oeste catarinense a partir da produção de queijos artesanais. A ação reúne pesquisa, extensão universitária e cultura para preservar saberes transmitidos entre gerações e valorizar o patrimônio cultural ligado à maior bacia leiteira de Santa Catarina.
Coordenado pela professora Elisandra Rigo, do Departamento de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química, o projeto produz um documentário, exposição itinerante, materiais gráficos e um mapa cultural sobre dez famílias produtoras de queijo artesanal da região. Além do registro audiovisual, as histórias são construídas a partir de entrevistas, fotografias e levantamento de materiais históricos, sempre com a participação e validação das famílias envolvidas. O lançamento das produções está previsto até o final do ano.
Segundo a coordenadora, a proposta surgiu como uma forma de aproximar a universidade dos produtores artesanais e compreender as histórias presentes em cada produto. "A ideia nasceu para construir conexões entre o Núcleo de Ciência, Tecnologia e Inovação do Leite (NCTI) – no campus da Udesc Oeste em Pinhalzinho (SC) –, e os produtores, compreendendo a história que cada queijo carrega", explica a professora Elisandra.
Durante o desenvolvimento do projeto, a equipe percorreu propriedades da região para conhecer as famílias, registrar relatos e documentar tradições ligadas à produção artesanal. "Foi um processo de aprendizagem, unindo a técnica acadêmica à cultura queijeira da região. Cada experiência nos tornou mais preparados para fortalecer projetos em andamento e construir novas parcerias com produtores, empresas, associações e instituições", destacou a coordenadora do projeto.
Foto: divulgação
Patrimônio cultural
Para o historiador, Bruno Aranha, do Museu Histórico de Pinhalzinho, registrar esses modos de produção significa preservar um importante patrimônio cultural imaterial. "Grande parte desses conhecimentos foi transmitida pela oralidade, pelas experiências familiares e pelas práticas comunitárias”, explica o historiador. “Registrar esses saberes é fundamental para que eles não sejam esquecidos e para fortalecer a identidade regional", afirma Bruno Aranha. O museu é parceiro do projeto.
Ainda segundo o historiador, além do valor histórico, o reconhecimento da tradição também contribui para o fortalecimento da agricultura familiar, do turismo cultural e gastronômico e da geração de renda para as comunidades produtoras. "A preservação do patrimônio cultural exige a atuação conjunta da sociedade, das instituições de ensino, dos pesquisadores, dos produtores e do poder público”, destaca. Ao aproximar universidade e comunidade, o projeto registra uma prática cultural e contribui para fortalecer a identidade regional e assegurar a continuidade dessa tradição".
Desenvolvido pela Udesc Oeste, por meio do NCTI, o projeto conta com a parceria da Associação de Queijos Artesanais de Santa Catarina (Artequeijo SC), Museu Histórico de Pinhalzinho, Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
As informações são da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), adaptadas pela equipe MilkPoint.
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