Apesar do déficit da balança comercial ter se mantido, houve um recuo de 8 milhões de litros em equivalente-litro, totalizando 206,6 milhões de litros em equivalente-litro de déficit na balança comercial.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
As importações registraram recuo de 4,2% em relação ao mês anterior. Apesar desse recuo, os volumes importados ainda apresentaram avanços relevantes comparados ao mesmo período do ano anterior, totalizando um avanço de 35,2%.
Gráfico 2. Importações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
Os principais movimentos observados nas importações foram:
- O leite em pó integral, principal produto da cesta de lácteos importados, apresentou recuo de 6% no volume importado na comparação mensal;
- Já o leite em pó desnatado apresentou alta de 8% na comparação mensal, atingindo o patamar de aproximadamente 3,85 mil toneladas.
- A categoria de queijos, que correspondeu a 24% do volume importado, apresentou recuo de 11% no volume.
- A subcategoria de “queijo tipo mussarela, fresco (não curado)” representou contribuiu por uma queda de 22% dentro da categoria.
Já em relação às exportações, junho apresentou recuo de 23,9% frente ao mês de maio, passando de 5,8 milhões de litros em equivalente-leite para 4,4 milhões de litros em equivalente-leite. O volume exportado também apresentou queda em relação ao mesmo período do ano anterior, que apresentou 5,0 milhões de litros em equivalente-litro, indicando um recuo de 13,0%. Esse movimento mostra uma leve redução dos embarques, apontando para um cenário de baixa competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
Nas exportações de junho, foram observados os seguintes movimentos entre os principais produtos:
- Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou recuo de 19% no volume embarcado;
- O leite condensado, segundo principal produto na cesta de produtos exportados, apresentou recuo de 35%.
- Por último, o creme de leite, que representou 11% da cesta de produtos exportados, apresentou recuo de 44% na comparação mensal.
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de junho de 2026 e maio de 2026.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em junho de 2026
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em maio de 2026
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que podemos esperar para os próximos meses?
Em junho, as importações voltaram a recuar na comparação mensal, mas seguiram em níveis elevados no comparativo anual, ficando 35,2% acima do volume registrado no mesmo mês do ano passado.
Para o restante do ano, a expectativa é de que as importações continuem acima dos níveis observados em 2025, embora sem grandes oscilações no curto prazo. Esse cenário é sustentado, principalmente, pela maior disponibilidade de leite no Mercosul, com a produção uruguaia e argentina em volumes elevados. Esse contexto amplia a oferta de produtos importados ao Brasil e tende a pressionar os preços dos derivados no mercado.
Além disso, o ambiente socioeconômico internacional tem causado uma maior volatilidade do dólar. Ainda assim, no comparativo anual, o câmbio segue favorecendo a competitividade dos produtos externos, reforçando a atratividade das importações e mantendo o mercado doméstico mais exposto à concorrência com os derivados importados.
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