Rabbers aponta melhora no preço do leite, mas reforça necessidade de reduzir custos

O produtor de leite precisa buscar melhorias na propriedade e, ao mesmo tempo, diminuir seus custos de produção para se manter sustentável".

Publicado por: MilkPoint

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Durante a Agroleite, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, Armando Rabbers, destacou a leve alta no preço do leite, mas expressou preocupação com o aumento dos custos de produção, como juros e combustíveis. Os produtores enfrentam desafios como a busca por mão de obra qualificada e a necessidade de investir em genética e controle sanitário. A diversificação, como a produção de queijos, é sugerida para aumentar a rentabilidade. O preço médio do leite subiu de R$ 1,94 para R$ 2,60 por litro, enquanto o custo de produção é de aproximadamente R$ 2,20 por litro.
“Houve uma leve alta no preço do leite, mas os produtores ainda estão apreensivos porque os custos aumentam a cada ano”, declara Armando Rabbers, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa.

Durante a Agroleite, feira promovida pela Cooperativa Castrolanda, em Castro (PR), Rabbers apontou as taxas de juros e o combustível como exemplos de fatores que compõem o desafio financeiro da atividade. “O produtor de leite precisa buscar melhorias na propriedade e, ao mesmo tempo, diminuir seus custos de produção para se manter sustentável”, ressalta.

Para apoiar a produção, Rabbers explica que a associação atua na busca de eficiência dos rebanhos, o que significa animais com maior longevidade, alta produtividade e saúde da glândula mamária. Um dos focos principais é o banco de dados da genômica nacional da raça holandesa. “Em 2027, já teremos avanços nesse âmbito, com mais clareza de quais animais se adaptam melhor à nossa região”.

Sustentar a qualidade da produção de leite é um desafio e um aspecto direto ligado à rentabilidade, uma vez que os laticínios bonificam os produtores por índices baseados em critérios físicos, químicos e microbiológicos do leite. “As margens continuam apertadas e manter a qualidade exige investimento”, afirma João Galvão Prestes, produtor em Castro. Ele está à frente da Fazenda São Thomé, onde são produzidos 23 mil litros de leite por dia, com 510 vacas em lactação.

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Prestes relata que não abre mão do investimento em genética, do rígido controle sanitário dos animais e observa que o preço dos insumos, principalmente dos componentes da alimentação do rebanho, representa a maior parte dos custos. Já encontrar mão de obra tem sido a principal dificuldade para a operação. “Os funcionários não permanecem o tempo necessário para aprender, ter uma formação prática na área”.

A produtora Jussara Liebel, de Piraí do Sul (PR), relata a mesma dificuldade. “O mais complicado hoje é encontrar mão de obra qualificada, assim como um pessoal que ‘vista a camisa’. Por causa disso, a gente não consegue aumentar muito o rebanho”, constata. O Recanto dos Passarinhos, propriedade conduzida por ela e o marido José Delmiro Solak, é referência em genética da raça Jersey, com 139 animais em lactação e produção diária de 3 mil litros de leite. Para conquistar os resultados comprovados em controles leiteiros oficiais e testes genômicos, ela ressalta que o investimento é constante.

Para o presidente do Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Paraná, Ágide Eduardo Meneguette, a diversificação da produção leiteira com a produção de queijos, por exemplo, pode ser uma boa estratégia para aumentar a rentabilidade do produtor e fortalecer a cadeia produtiva.

O dirigente cita o Prêmio Queijos do Paraná, promovido pelo Sistema Faep e que está na terceira edição. “Os pequenos produtores conseguem obter em torno de 50% a 60% de aumento no valor de seus queijos premiados”, destaca. Da produção diária de aproximadamente 13,5 milhões de litros de leite do Paraná, cerca de 6 milhões de litros são destinados à fabricação de queijos, segundo a Faep.

Meneguette aponta preocupação com os preços dos insumos e o consequente aumento dos custos de produção, assim como a instabilidade do mercado. “Estamos trabalhando para colocar outros mecanismos de análise do leite, dentre eles o pagamento por sólidos, e assim conseguir um preço maior para os produtores”, detalha. A precificação atual é feita por volume, com tabela de bonificação referente aos índices de qualidade e composição.

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O valor médio de referência do leite passou de R$ 1,94 o litro, no início do ano, para R$ 2,60 o litro atualmente, conforme boletim do Conseleite/PR. Já o custo de produção no Estado fica em torno de R$ 2,20 por litro.

No Rio Grande do Sul, o Conseleite/RS projetou para ser pago em julho um valor de referência de R$ 2,50 por litro. Na avaliação do presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, a remuneração praticada atualmente permite que os produtores recuperem parte da rentabilidade perdida nos últimos anos, ainda que de forma limitada.

Apesar da melhora, o dirigente considera que o valor recebido ainda não proporciona o retorno necessário para dar segurança à atividade no longo prazo. Segundo ele, um preço próximo de R$ 2,80 por litro representaria uma remuneração mais compatível com a realidade da produção, sem comprometer o consumo.

As informações são do Globo Rural, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint. 

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