Como a escola de queijos da UEPG forma queijeiros premiados e fortalece agroindústrias familiares

Há 18 anos, a ETL Queijos desenvolve um trabalho que une ensino, pesquisa e extensão universitária.

Publicado por: MilkPoint

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A Escola Tecnológica de Leite e Queijos (ETL Queijos) da UEPG, presente na Agroleite 2026, capacita profissionais na produção de queijos, unindo teoria e prática. Com 18 anos de experiência, formou cerca de 400 queijeiros, que produzem queijos premiados. O curso, que inclui acompanhamento remoto dos alunos, introduzirá módulos sobre gastronomia em 2027. A escola contribui para o desenvolvimento econômico regional, incentivando a valorização do leite e a criação de pequenas queijarias.
Quem visita a Agroleite 2026 encontra estandes repletos de tecnologia para produção de leite. Mas um dos espaços que mais desperta curiosidade é o da Escola Tecnológica de Leite e Queijos (ETL Queijos), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Ali, o protagonista não é apenas o queijo. É o conhecimento que transforma leite em produtos de alto valor agregado, gera renda para famílias rurais e coloca os Campos Gerais no mapa mundial dos queijos especiais.

Há 18 anos, a ETL Queijos desenvolve um trabalho que une ensino, pesquisa e extensão universitária para formar profissionais preparados para produzir desde os tradicionais queijos brasileiros até variedades finas inspiradas em escolas europeias. O curso já formou aproximadamente 400 queijeiros e vem se consolidando como uma das principais referências do setor no Paraná.

O coordenador da Escola Tecnológica de Leite e Queijos (UEPG), Alessandro Nogueira, professor do curso de Engenharia de Alimentos da UEPG, explica que o diferencial da formação está na integração entre teoria, prática e pesquisa. "A escola já funciona há 18 anos e tem como objetivo capacitar profissionais para trabalharem com queijos convencionais e também com queijos finos. O aluno tem contato direto com pesquisadores e aprende toda a teoria e prática da fabricação, desenvolvendo habilidades para criar seu próprio queijo autoral ou produzir queijos similares aos europeus."

Segundo Nogueira, a metodologia foi pensada para acompanhar todas as etapas da maturação dos queijos. O curso acontece de maio a novembro, com encontros quinzenais aos sábados, enquanto durante a semana os alunos continuam acompanhando remotamente a evolução dos produtos por meio de vídeos, fotografias e orientações técnicas. "É um curso bastante dinâmico. Mesmo quando o aluno não está na universidade, ele continua acompanhando o desenvolvimento dos queijos e aprendendo cada etapa do processo", destaca o professor.

ETL Queijos
Fonte: ETL Queijos. 

Da sala de aula para os concursos internacionais

Os resultados aparecem nas prateleiras da própria Agroleite. Grande parte das queijarias presentes na feira passou pela ETL Queijos. São produtores que hoje fabricam desde queijos coloniais e porungo até variedades maturadas com fungos, cascas especiais e receitas inspiradas na tradição europeia. "Hoje temos praticamente 400 queijeiros formados pela escola. Aqui na região já contamos com diversas pequenas queijarias em destaque, produzindo queijos premiados em concursos estaduais, nacionais e internacionais", afirma Alessandro Nogueira.

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Mais do que fabricar alimentos, o coordenador ressalta que o conhecimento gera desenvolvimento econômico. "Você melhora a renda da família, oferece um produto de maior qualidade ao consumidor e agrega valor ao leite. Estamos mudando o cenário dos queijos no Paraná e, principalmente, na nossa região."

A escola também prepara os alunos para trabalhar com um amplo portfólio de produtos, incluindo queijos frescos, prato, muçarela, porungo, queijos de cabra, ovelha e búfala, além de variedades de massa dura, casca lavada, mofos brancos e azuis, cada vez mais valorizadas pelo mercado gourmet.

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Como novidade para 2027, a ETL Queijos passará a oferecer módulos voltados à gastronomia e harmonização entre queijos, vinhos e pratos especiais, ampliando ainda mais a formação dos participantes.

Conhecimento que virou medalhas

Entre os exemplos apresentados durante a feira está a história da produtora Liliane Zaziski Aardoon, da Queijaria Vila Velha, em Ponta Grossa.

Ela procurou a ETL Queijos em busca de aperfeiçoamento técnico depois de receber uma avaliação em um concurso indicando que precisava ajustar o teor de sal de seu queijo porungo. "O primeiro concurso em que participei me mostrou exatamente onde precisava melhorar. Fiz o curso, tirei minhas dúvidas e, no concurso seguinte, aquele mesmo queijo conquistou a premiação máxima, o Super Ouro. Todo o conhecimento adquirido na escola foi extremamente importante para essa evolução."

Com o crescimento da qualidade, vieram novas oportunidades de mercado. Liliane conta que, com apoio do Sebrae Paraná, também conquistou o SISBI-POA (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal), permitindo comercializar seus produtos em diferentes municípios e ampliar sua participação em feiras. "Hoje consigo vender em Castro, Tibagi, Curitiba e participar de eventos graças a essa certificação. Isso abriu muitas portas para nossa agroindústria."

Premiações que contam histórias

Durante a entrevista, Liliane apresentou alguns dos principais queijos produzidos pela Queijaria Vila Velha, todos premiados.

Entre eles estão o nozinho, o porungo, o morbier — medalha de prata na França —, o gouda, além de manteigas e receitas tradicionais inspiradas na cultura regional. "Neste último concurso conquistamos nove medalhas. Todos os nossos queijos receberam algum tipo de premiação. Ao longo de quatro anos, participamos dos concursos e sempre conseguimos algum reconhecimento pela qualidade do trabalho."

Para a produtora, a transformação promovida pela ETL Queijos foi decisiva."Quando comecei, meu conhecimento vinha apenas das lembranças da minha mãe fazendo queijo. Com a ajuda da UEPG consegui aprimorar técnicas, aprender novos tipos de queijo e expandir completamente a produção da queijaria."

Convite para novos empreendedores

Ao final da entrevista, Alessandro Nogueira deixou um convite para quem deseja transformar o leite em oportunidade de negócio.

Segundo ele, as inscrições para a próxima turma serão abertas em dezembro e qualquer interessado pode localizar a escola pesquisando por ETL Queijos. "Convido todos que desejam montar uma queijaria ou aprender mais sobre fabricação de queijos a fazerem o curso conosco. Basta procurar ETL Queijos no Google para encontrar todas as informações e entrar em contato com nossa equipe."

Mais do que ensinar técnicas de fabricação, a Escola Tecnológica de Leite e Queijos demonstra que conhecimento, inovação e pesquisa podem transformar pequenas propriedades em negócios competitivos, capazes de conquistar consumidores e medalhas dentro e fora do Brasil.

As informações são do portal Minuto Rural, adaptadas pela Equipe MilkPoint. 

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