El Niño 2026: Oceano Pacífico bate recorde de aquecimento antes do pico

Climatologistas esperam que o fenômeno ganhe ainda mais força nos próximos meses.

Publicado por: MilkPoint

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Em setembro, a temperatura na região do Niño 3.4 superou 3°C, batendo recordes anteriores do El Niño de 2015. Os climatologistas esperam que o fenômeno se intensifique até 2026, com anomalias médias podendo atingir entre 2,6°C e 2,8°C. O El Niño afeta padrões de chuva e temperatura no Brasil, com mais chuvas no Sul e secas no Norte e Nordeste. As alterações climáticas impactam a agropecuária e contribuem para o aumento das temperaturas globais.
Temperatura diária na região do Niño 3.4 superou 3°C em setembro, acima do registrado no pico do El Niño de 2015; climatologistas esperam que o fenômeno ganhe ainda mais força nos próximos meses

O Oceano Pacífico Equatorial já registra temperaturas recordes antes mesmo do pico esperado do El Niño 2026. Dados do Climate Reanalyzer, plataforma desenvolvida pela Universidade do Maine com informações da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), apontaram uma anomalia de +3,04°C na região do Niño 3.4 em 20 de setembro.

A marca supera, em termos de temperatura diária, o observado durante o pico do El Niño de 2015, um dos episódios mais intensos já registrados. Naquele ano, a maior anomalia diária chegou a +3,02°C, em 19 de novembro.

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A região do Niño 3.4 é uma das principais áreas utilizadas pelos climatologistas para acompanhar a evolução e a intensidade do fenômeno. Apesar dos registros diários próximos ou superiores a 3°C, é a média mensal das temperaturas que determina a classificação do El Niño. Em setembro, a anomalia média da região está em 2,1°C, segundo os dados mais recentes. Com esse nível, o fenômeno já é classificado como muito forte, categoria atribuída a anomalias superiores a 2°C.

Figura 1

El Niño ainda não atingiu o pico

O cenário chama atenção porque o El Niño 2026 ainda deve ganhar força. A expectativa dos climatologistas é que o maior aquecimento do Pacífico ocorra entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Marengo estima que a anomalia média mensal possa chegar a algo entre 2,6°C e 2,8°C, embora os registros diários possam novamente superar 3°C.

A NOAA já havia sinalizado, em sua análise de 10 de setembro, uma probabilidade de 75% de que o fenômeno seja o mais intenso desde 1950. A intensidade final do El Niño dependerá não apenas do aquecimento do Pacífico, mas também da resposta da atmosfera. Os especialistas ressaltam que há incertezas nas previsões climáticas, embora os dados atuais indiquem continuidade do aquecimento nos próximos meses.

O que o El Niño pode provocar no Brasil?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e altera a circulação da atmosfera, modificando os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região. Historicamente, o fenômeno está associado a maior volume de chuvas no Sul, enquanto o Norte e partes do Nordeste podem registrar períodos mais secos. No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos sobre as precipitações podem ser mais irregulares. Outro impacto esperado é o aumento da ocorrência de períodos de calor intenso, especialmente durante a primavera e o verão.

Para o setor agropecuário, as mudanças nos padrões de chuva e temperatura são especialmente relevantes, já que podem afetar produção de forragem, disponibilidade de água, condições das pastagens e desempenho das atividades agrícolas e pecuárias.

O El Niño também tende a contribuir para temperaturas globais mais elevadas, somando-se ao cenário de aquecimento do planeta. Com os oceanos já apresentando temperaturas acima da média, os próximos meses devem continuar exigindo atenção dos setores dependentes das condições climáticas.

As informações são do G1, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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