Produção de leite no RS apresenta recuperação impulsionada por pastagens de outono-inverno

Mesmo com limitações climáticas pontuais e altos custos em algumas regiões, disponibilidade de forrageiras favorece condição corporal dos rebanhos e preço médio estadual registra alta de 1,28%.

Publicado por: MilkPoint

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Na terceira semana de junho, a atividade leiteira no Rio Grande do Sul apresentou desempenho satisfatório, impulsionada pela disponibilidade de forrageiras e suplementação alimentar. Rebanhos em boa condição corporal aumentaram a produção, apesar de desafios como excesso de umidade e menor forragem em algumas áreas. Regiões como Caxias do Sul e Passo Fundo mostraram estabilidade, enquanto Frederico Westphalen enfrentou dificuldades climáticas. A região de Santa Rosa destacou-se com aumento na produtividade e qualidade do leite.
A atividade leiteira na maior parte do estado do Rio Grande do Sul apresentou um desempenho considerado satisfatório na terceira semana de junho, impulsionada principalmente pela maior disponibilidade de forrageiras de outono-inverno e pelo uso estratégico da suplementação alimentar. Esse cenário tem permitido que os rebanhos alcancem condições corporais e sanitárias adequadas, resultando na recuperação nutricional dos animais e no aumento expressivo da produção em diversas regiões. Apesar do panorama majoritariamente positivo, o setor ainda enfrenta entraves localizados, decorrentes do excesso de umidade e da menor oferta de forragem em áreas específicas.

Nas regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul e de Passo Fundo, a estabilidade da produção leiteira tem sido garantida por rebanhos que exibem boa condição corporal e sanitária, amparados por um manejo baseado no pastejo e complementado com silagem e suplementação concentrada. Dinâmica semelhante é observada em Santa Maria, onde o encerramento do vazio outonal na maior parte das propriedades propiciou uma sensível melhora na nutrição animal, além da consequente redução nos índices de carrapatos e de tristeza parasitária bovina, embora ocorrências pontuais dessas enfermidades ainda sejam notificadas na região.

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Por outro lado, as adversidades climáticas geraram impactos negativos na faixa de Frederico Westphalen, localidade em que o frio intenso e as precipitações frequentes dificultaram o pastejo direto, prejudicando o volume produzido. Para mitigar a baixa oferta de pasto, os produtores locais foram obrigados a ampliar o fornecimento de alimentos no cocho, recorrendo à silagem, ao pré-secado e à ração concentrada. Em Bagé, especificamente no município de Alegrete, a escassez severa de alimento e o elevado custo para aquisição de suplementação forçaram muitos pecuaristas a reduzir o número de matrizes em ordenha, antecipando o processo de secagem das vacas, embora na região da Campanha a melhora na umidade do solo já sinalize uma futura recuperação e manutenção da condição corporal dos animais.

As oscilações provocadas pelo clima também se fizeram presentes na região de Ijuí, onde a alta umidade e a ocorrência de garoas constantes resultaram no acúmulo de barro nos sistemas a pasto e elevaram a umidade nas camas dos sistemas confinados. Na mesma área, foram registrados casos pontuais de acidose ruminal em propriedades que utilizam pastagens recém-estabelecidas, embora nos municípios próximos ao Rio Uruguai a produção tenha se expandido devido à maior oferta de forrageiras, mantendo a qualidade do leite estável e reduzindo a Contagem de Células Somáticas (CCS) e a incidência de Leite Instável Não Ácido (LINA).

Em Pelotas, a maior disponibilidade e a melhoria qualitativa das pastagens de inverno, sobretudo nas propriedades focadas no cultivo de aveia e azevém, têm atuado como fatores de fomento à produtividade. Contudo, os produtores da região ainda relatam que, apesar de leves aumentos pontuais no preço pago pelo produto, os valores praticados pelo mercado permanecem insuficientes diante do encarecimento generalizado dos custos de produção. Na região de Porto Alegre, onde os animais também mantêm bom status nutricional, o lento desenvolvimento das pastagens cultivadas exigiu o reforço alimentar com silagem de milho e bagaço de cevada, em um contexto em que ainda são registradas infestações por carrapatos.

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O cenário de eficiência produtiva é consolidado na região de Santa Rosa, que computou incrementos na produtividade e na qualidade do leite por meio da redução da CCS, o que assegurou uma remuneração superior aos pecuaristas. Com a alimentação fundamentada no pastejo e assistida por silagem, ração e feno, houve recuperação gradual do escore corporal dos animais, embora o manejo exija ajustes finos em propriedades com menor estoque de alimentos conservados onde a oferta de forragem ainda limita o potencial. Adicionalmente, as temperaturas mais baixas diminuíram a necessidade de acionamento de ventiladores e sistemas de aspersão nas granjas locais, promovendo um alívio financeiro com a redução nos gastos de energia elétrica sob condições sanitárias satisfatórias.

As informações são da Emater/RS, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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